"Precisamos voltar a ser o Paraguai. Precisamos começar do zero, tentar ajustar os detalhes necessários para atender às nossas necessidades." A frase é de Gustavo Alfaro, técnico argentino que conduziu a Copa do Mundo ao Paraguai pela primeira vez em 16 anos — e que agora carrega o peso de uma derrota por 4 a 1 para os Estados Unidos na estreia do Grupo D.

O jogo desta sexta para sábado, às 00h (horário de Brasília) no Levi's Stadium, em Santa Clara, coloca a Albirroja diante da Turquia em uma equação sem meio-termo: vencer ou ir para casa. Os turcos chegam ao confronto também fragilizados, após perderem por 2 a 0 para a Austrália na rodada inicial. O perdedor desta partida é o primeiro eliminado do Grupo D.

A goleada que expôs as fraturas do sistema paraguaio

O placar de 4 a 1 contra os americanos não foi apenas uma derrota pesada — foi um raio-x das fragilidades que Alfaro precisa corrigir em menos de 48 horas. A falta de compactação defensiva e os erros individuais foram os vetores do desastre. O mais emblemático veio do volante Damián Bobadilla, do São Paulo, que marcou um gol contra que abriu caminho para a goleada.

Alfaro foi direto no diagnóstico durante a coletiva pré-jogo:

"Tivemos alguns problemas que nos impediram de estar tão sincronizados quanto precisávamos contra uma equipe que atacou com muita rotação, velocidade e precisão. Se você não estiver bem na defesa, acaba pagando o preço."

A goleada que expôs as fraturas do sistema paraguaio Como os jogadores do Brasil
A goleada que expôs as fraturas do sistema paraguaio Como os jogadores do Brasil

A solidez defensiva foi exatamente o que garantiu ao Paraguai a classificação pelas Eliminatórias Sul-Americanas — e sua ausência contra os EUA soou como traição ao próprio DNA da seleção. Alfaro sabe que retomar essa identidade é condição mínima para qualquer resultado positivo diante das Águias de Cartago.

Os pilares do Brasileirão que Alfaro escalará contra a Turquia

A espinha dorsal do sistema defensivo paraguaio tem endereço no futebol brasileiro. O capitão Gustavo Gómez, zagueiro do Palmeiras, é o coração da linha de quatro — liderança técnica e moral em campo. Ao seu lado, Junior Alonso, defensor do Atlético-MG, fecha o corredor pelo lado esquerdo com consistência física e leitura tática. Ambos devem ser titulares neste sábado e precisam de uma atuação muito acima da apresentada na estreia.

No meio-campo, a tendência é que Bobadilla inicie no banco de reservas após o erro que custou caro. O setor deve ser reorganizado com a entrada de Matías Galarza, ex-Vasco da Gama e atualmente no Atlanta United, que traz mais equilíbrio e menor propensão ao risco. A mudança é tática e também simbólica: Alfaro sinaliza que o jogo contra a Turquia exige controle, não improviso.

Os pilares do Brasileirão que Alfaro escalará contra a Turquia Como os jogadores
Os pilares do Brasileirão que Alfaro escalará contra a Turquia Como os jogadores

A concentração de jogadores formados ou em atividade no Brasileirão não é coincidência. O campeonato brasileiro tem sido, nos últimos anos, uma das janelas mais confiáveis para revelar e manter jogadores em ritmo de alta competição — e Alfaro, que conhece bem o futebol sul-americano, construiu sua convocação com esse lastro. Em matéria do SportNavo, o padrão tático da Albirroja nas eliminatórias mostrou que a solidez defensiva com jogadores do Brasil era o diferencial da equipe.

O que a Turquia deixou em aberto para o Paraguai explorar

A derrota turca por 2 a 0 para a Austrália revelou uma seleção que ainda busca consistência entre os setores. A Turquia, treinada por Vincenzo Montella, apresentou dificuldades na transição defensiva e foi exposta em contra-ataques — exatamente o tipo de situação que o Paraguai, quando funciona como deve, sabe explorar.

A Albirroja tem no jogo direto e na pressão física suas armas mais afiadas. Se Gómez e Alonso conseguirem impor a compactação que faltou contra os americanos, o Paraguai terá condições reais de neutralizar o passe longo turco e criar espaços em transições rápidas. O histórico das eliminatórias mostra que, em jogos de pressão máxima, a seleção paraguaia tem capacidade de se reinventar — a vitória por 2 a 0 sobre o Chile e o empate em 1 a 1 com a Argentina no ciclo classificatório são referências concretas.

O cenário do Grupo D, após a primeira rodada, ainda mantém três seleções matematicamente vivas para a classificação. Com EUA e Austrália vencendo na abertura, paraguaios e turcos disputam não apenas três pontos, mas a sobrevivência na competição. Uma vitória do Paraguai abre caminho para o confronto decisivo contra os australianos na terceira rodada e mantém o sonho de uma vaga no mata-mata — algo que a seleção não alcança desde a Copa de 2010, quando chegou às quartas de final na África do Sul.

No Levi's Stadium, às meia-noite de sábado, Gustavo Gómez vai erguer a faixa de capitão, olhar para a defesa e saber que o Paraguai de Alfaro começa ali — ou termina.