Dezenove gols. Esse é o número que coloca Alex Choco no topo da artilharia do Brasil em 2026, à frente de Pedro, do Flamengo, que chegou a 15 tentos neste domingo (26) após fazer dois na goleada de 4 a 0 sobre o Atlético-MG. O atacante rubro-negro ultrapassou Carlos Vinícius, do Grêmio, e Vanílson, do GAS-RR (14 gols), para ocupar o segundo lugar do ranking — mas ainda está a quatro gols de um jogador que, até pouco tempo atrás, defendia o Bataguassu, clube do interior de Mato Grosso do Sul.
Quem é Alex Choco, o homem que Pedro não consegue alcançar
Alex Choco tem 24 anos e começou 2026 praticamente fora do radar nacional. Atacante formado no futebol sul-matogrossense, ele disputou o Campeonato Estadual pelo Bataguassu e encerrou a competição como artilheiro isolado, com 15 gols. O desempenho chamou atenção do Operário-MS, que o contratou no início de abril para reforçar o elenco na disputa da Série D do Campeonato Brasileiro e da Copa Centro-Oeste. Em apenas cinco partidas pelo novo clube, Choco já somou mais quatro gols — incluindo um hat-trick — e chegou à marca de 19 na temporada.
O perfil de Choco é exatamente o tipo de história que o futebol brasileiro insiste em ignorar até que os números se tornem impossíveis de esconder. Segundo levantamento do SportNavo, dos 19 gols marcados pelo atacante, 15 vieram em competição estadual de menor projeção midiática, o que explica o anonimato nacional mesmo diante de uma artilharia que supera nomes como Pedro, Endrick e qualquer outro atacante de elite do país na temporada.
"Nas palavras do próprio jogador, segundo o clube, a ideia é manter o ritmo na Série D e mostrar que o futebol do interior tem qualidade para competir em qualquer nível."
Pedro cresce, mas o teto ainda é Choco
A vitória do Flamengo por 4 a 0 contra o Atlético-MG, neste domingo, foi o palco para Pedro consolidar o vice-liderança. Os dois gols marcados na partida tiraram o atacante do empate com Carlos Vinícius, do Grêmio — que ficou em branco na rodada —, e o colocaram quatro gols atrás de Choco. Para alcançar o líder, Pedro precisaria repetir o desempenho do clássico mais duas vezes sem que o rival balançasse as redes.
O Flamengo é o clube com maior orçamento do futebol brasileiro. Segundo dados públicos divulgados pelo clube, a receita total em 2024 superou R$ 1,3 bilhão. Pedro, um dos atletas mais bem pagos do elenco, tem à disposição uma estrutura de análise de desempenho, nutrição e fisioterapia que poucos jogadores no país conhecem. Alex Choco construiu sua artilharia em contexto radicalmente diferente — e ainda assim está na frente.
"A Série D tem uma realidade muito dura: viagens longas, campos ruins, pouco investimento. Quando um jogador se destaca ali, é porque tem qualidade de sobra", afirmou um dirigente do Operário-MS em entrevista à imprensa sul-matogrossense após a contratação do atacante.
O que a artilharia de Choco revela sobre o futebol brasileiro
A metodologia do ranking de artilharia considera a primeira divisão dos estaduais e todos os campeonatos regionais, nacionais e internacionais disputados no ano — o que coloca Choco e Pedro na mesma lista, ainda que em universos competitivos completamente distintos. Esse recorte é legítimo e revela algo que o SportNavo já documentou em outras temporadas: o Brasil tem atacantes produtivos escondidos em divisões inferiores que nunca recebem nem cobertura nem oportunidade proporcional ao que entregam em campo.
Vanílson, do GAS de Roraima, é outro exemplo: 14 gols na temporada, atuando em uma das federações com menor infraestrutura do país, e ainda assim figurando entre os maiores artilheiros do Brasil ao lado de um jogador que compete na Copa Libertadores. O ranking expõe a desigualdade estrutural do futebol nacional, mas também comprova que o talento não é monopólio dos clubes do eixo Rio-São Paulo.
O Operário-MS estreia na fase de grupos da Série D em maio, e Alex Choco terá pela frente uma sequência de jogos que pode consolidar — ou aumentar — sua vantagem no topo da artilharia nacional. Pedro, por sua vez, volta a campo pelo Flamengo na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, onde o rubro-negro tenta manter posição entre os líderes da tabela. A diferença de quatro gols entre os dois dá ao atacante sul-matogrossense uma margem confortável — e uma história que o futebol brasileiro ainda não aprendeu a contar direito.










