5 gols e 4 assistências em 27 jogos: esse é o cartão de visita de Alex Telles no Botafogo na temporada vigente do Brasileirão Série A 2026. É um número que, para um lateral de 33 anos, merece ser lido com atenção antes de qualquer julgamento rápido.
Do outro lado da comparação está Walter Clar, paraguaio de 31 anos que defende a Chapecoense com a camisa 37 e acumula, nesta mesma temporada, 8 gols e 1 assistência em 38 partidas. Mais jogos, mais gols — mas a uma fração do valor de mercado do rival.
A diferença de avaliação no Transfermarkt é de €2,3 milhões: Telles está precificado em €2,80 milhões; Clar, em €500 mil. Esse spread é o ponto de entrada desta análise.
Se você fosse comprar um, qual escolheria
A pergunta não é retórica. Um diretor esportivo que precisasse fechar contrato hoje teria dois perfis radicalmente distintos na mesa.
| Dimensão | Alex Telles | Walter Clar |
|---|---|---|
| Idade | 33 anos | 31 anos |
| Posição | Lateral-esquerdo / Zagueiro | Lateral-esquerdo / Zagueiro |
| Jogos (2026) | 27 | 38 |
| Gols (2026) | 5 | 8 |
| Assistências (2026) | 4 | 1 |
| Valor de mercado | €2,80 milhões | €500 mil |
Clar entrega 8 gols em 38 jogos — uma taxa de 0,21 gols por partida. Telles marca 5 em 27 — taxa de 0,18. Estatisticamente próximos na finalização, mas Telles adiciona 4 assistências contra apenas 1 de Clar. A participação direta em gols de Telles (9 em 27 jogos) supera a de Clar (9 em 38 jogos) em termos de eficiência por minuto de jogo.
Para um clube que trabalha com orçamento restrito, Clar é uma opção de custo-benefício difícil de ignorar: €500 mil por um jogador que produz em volume. Para um clube que paga para disputar título, o perfil de Telles — carreira em Porto, Manchester United e Sevilla, mais a inteligência tática que se traduz em 4 assistências — tem peso diferente na formação do elenco.
Quem entrega mais agora
Na temporada 2026, Clar acumula 11 jogos a mais que Telles. Isso significa disponibilidade física maior — e, para um treinador que precisa de regularidade, isso tem valor concreto.
Mas o contexto importa. Telles defende o Botafogo, clube com maior pressão competitiva na tabela; Clar atua pela Chapecoense, onde o sistema pode favorecer participações ofensivas com menor custo defensivo. Comparar gols isoladamente sem ajustar pelo nível de exigência tática seria metodologicamente incorreto.
Para ter uma referência histórica: nos anos 1990, laterais como Roberto Carlos no Real Madrid acumulavam médias ofensivas expressivas em contextos de sistemas ofensivos — mas eram avaliados em ligas de nível diferente do brasileiro médio daquela era. A discussão sobre o "lateral que ataca" só ganhou linguagem estatística padronizada depois de 2010, com a popularização dos dados de criação de chances. Hoje, 4 assistências de Telles em 27 jogos de Série A 2026 dizem muito mais sobre seu papel tático do que o número bruto de gols.
Forma imediata: Clar lidera em volume. Eficiência por jogo com participação criativa: Telles lidera.
Quem chega mais longe nos próximos 5 anos
Aqui a equação muda completamente — e o dado biográfico é determinante.
Telles tem 33 anos. Numa projeção de cinco anos, ele estaria com 38. Para um lateral com passagem por futebol europeu de alto nível, a janela de rendimento de elite está se fechando. Isso não significa que ele não entregue — os números de 2026 provam que ainda produz — mas o horizonte de valorização no Transfermarkt é decrescente. Nenhum clube compraria Telles esperando revender com lucro.
Clar tem 31 anos. O horizonte é mais curto do que se imagina para uma compra com expectativa de apreciação, mas dois anos a menos fazem diferença em termos de contrato e de cláusula de rescisão negociável. Com €500 mil de valor de mercado, qualquer melhora de performance já representa ROI positivo para quem o contratou.
A trajetória de Clar — com passagens por Boavista em Portugal — indica que o jogador já foi avaliado fora do mercado paraguaio e sobreviveu ao teste. Isso reduz o risco de uma compra. Mas sua carreira anterior, marcada por empréstimos e trocas frequentes de clube, levanta dúvida sobre consistência de longo prazo.
Em termos de potencial de valorização real nos próximos 36 meses, Clar tem mais margem percentual. Em termos de entrega garantida no curto prazo, Telles tem histórico comprovado.
O voto final, com os critérios na mesa
Esta matéria foi publicada no SportNavo com o objetivo de decompor uma comparação que parece óbvia na superfície — e não é.
Se o critério for eficiência por jogo com criação ofensiva, Telles leva: 9 participações diretas em gols em 27 partidas, com distribuição equilibrada entre finalização (5) e criação (4). Clar tem 9 participações em 38 jogos, quase todas via gol (8), com contribuição criativa mínima (1 assistência).
Se o critério for custo de aquisição e ROI potencial, Clar é a escolha racional para clubes com orçamento limitado: €500 mil por um jogador que marca 8 gols como lateral-esquerdo na Série A é uma equação que dificilmente fecha negativo.
Se o critério for janela de tempo disponível, nenhum dos dois é uma aposta de cinco anos. Mas Clar, com dois anos a menos, oferece uma janela ligeiramente maior para amortizar o investimento.
Minha leitura: para um clube que disputa o G-6 do Brasileirão e precisa de lateral com inteligência tática, capacidade de criação e currículo europeu para equilibrar vestiário, Telles ainda entrega mais do que o mercado parece precificar — e os €2,80 milhões do Transfermarkt refletem exatamente isso. Para um clube que quer volume ofensivo a baixo custo e aceita menor sofisticação criativa, Clar é o melhor negócio disponível na mesma posição. A próxima rodada do Brasileirão, com os dois clubes em campo, já vai mostrar qual desses perfis suporta melhor a pressão de uma semana de mata-mata — vale gravar o jogo.













