A torcida do Botafogo ainda não percebeu que pode estar despedindo de Alexander Barboza cada vez que ele pisa no gramado. O Palmeiras já percebeu.
Onde ele pode estar em 2027
O cenário mais concreto coloca Barboza no Palmeiras antes do fechamento da próxima janela. Conforme registrado pelo SportNavo, o clube paulista montou uma ofensiva formal pelo zagueiro ainda em abril de 2026, com Nino como alternativa paralela — a cotação de Nino chegou a 15 milhões de euros, o que calibra a faixa em que o Palmeiras está disposto a operar no setor defensivo.
A questão financeira, porém, complicou a operação antes mesmo de ela avançar. O Botafogo atravessa um processo de recuperação judicial que, segundo reportagens de abril de 2026, pode ser usado como escudo contra um transfer ban da FIFA — o que significa que qualquer receita de venda pode não fluir diretamente para o caixa do clube carioca. Em termos práticos: o Botafogo pode não ver um centavo da venda de Barboza ao Palmeiras, dependendo de como a estrutura jurídica for montada.
Se a negociação travar, a alternativa é Barboza seguir no Botafogo até o fim de 2026 e, aos 33 anos, buscar um destino na MLS ou no mercado árabe — rota cada vez mais frequente para zagueiros sul-americanos experientes que ainda têm valor de mercado, mas perdem espaço nas janelas europeias.
O que precisa acontecer até lá
Barboza precisa manter a regularidade que construiu nesta temporada. Em 2026, são 27 jogos disputados pelo Brasileirão Série A, com 1 gol e 1 assistência — números ofensivos discretos para um zagueiro, mas que revelam presença e participação ativa nas jogadas de bola parada. Para um defensor de 32 anos com 188 cm, cada bola aérea é um argumento de venda.
O 12º jogo de Barboza pelo Botafogo virou gatilho contratual, conforme noticiado em maio de 2026 — o que sugere que há cláusulas de ativação automática no contrato dele que podem custar caro ao Palmeiras caso a compra se concretize. Esse tipo de mecanismo é comum em contratos de jogadores vindos do exterior: o clube vendedor insere uma porcentagem de revenda ou um bônus de valorização atrelado a número de partidas.
Para o Palmeiras fechar, precisa resolver a equação jurídica do Botafogo, garantir que os recursos cheguem ao destino correto e ainda superar a concorrência silenciosa de outros clubes que monitoram o argentino-uruguaio. O mercado, segundo as coberturas de maio, ainda não precificou Barboza na mesma faixa que o Palmeiras — o que pode ser vantagem ou armadilha, dependendo de quem acordar primeiro.
O que já aconteceu na trajetória
Alexander Nahuel Barboza Ullúa nasceu em Villa Celina, no município de La Matanza, na Grande Buenos Aires, em outubro de 1993. O pai uruguaio abriu a porta para a naturalização — Barboza optou pela cidadania uruguaia com a perspectiva de defender a Seleção do Uruguai, o que amplia suas possibilidades em transferências internacionais dentro do contexto do regulamento FIFA.

A trajetória até o Botafogo não é a de um jogador que cresceu sob holofotes. Barboza construiu carreira em rotas menos iluminadas do futebol sul-americano até chegar ao Brasil — e no Botafogo encontrou o palco mais relevante de sua carreira adulta. No contexto atual, com 27 partidas em 2026, ele já estabeleceu o patamar mais alto de exposição competitiva que se tem registro em seus dados disponíveis.
A chegada ao Botafogo coincidiu com um momento de instabilidade institucional do clube — a recuperação judicial não é pano de fundo, é personagem ativo nessa história. Jogar bem dentro de uma estrutura financeira fraturada exige um tipo de resiliência que não aparece em nenhuma planilha de scout. É como um músico de jazz que mantém o compasso enquanto o palco está sendo desmontado ao redor.
Os obstáculos no caminho
O primeiro obstáculo é a idade. Aos 32 anos, Barboza já está na fase em que clubes grandes calculam não apenas o presente, mas o custo de uma lesão grave — o risco de imobilização de capital em um zagueiro que pode perder mobilidade em 18 meses é real e entra na equação de qualquer diretor financeiro responsável.
O segundo é estrutural: a recuperação judicial do Botafogo cria incerteza sobre quem, de fato, tem direito econômico sobre o passe do jogador. Clubes em dificuldades financeiras frequentemente negociam frações de direitos com fundos de investimento, o que torna a cadeia de titularidade opaca. O Palmeiras sabe disso — e pode usar essa opacidade como argumento para reduzir o valor da oferta.
O terceiro obstáculo é o próprio mercado. Se outros clubes brasileiros ou sul-americanos entrarem na disputa, o Palmeiras perde a vantagem da exclusividade. E Barboza, consciente do interesse, tem todo o incentivo para se manter em campo — cada partida jogada pode ativar cláusulas, valorizar seu passe ou simplesmente provar que ainda tem mercado.
Vinte e sete jogos, uma janela aberta e uma recuperação judicial no meio do caminho. O Palmeiras já fez as contas. O mercado ainda não.













