Três coisas: posição, salário e responsabilidade. Tudo se explica daí.
O Flamengo abriu 2 a 0 sobre o Vasco no Maracanã, na tarde de domingo (3), diante de mais de 60 mil torcedores e sob a observação direta de Carlo Ancelotti — que esteve presente para avaliar candidatos à convocação da Copa do Mundo, marcada para 18 de maio. O resultado final, 2 a 2 pela 14ª rodada do Brasileirão 2026, custou ao Flamengo dois pontos e manteve a distância de seis pontos para o líder Palmeiras (33 pontos). O rubro-negro foi a 27 pontos, em segundo lugar, com um jogo a menos.
O que mudou
O segundo gol do Vasco — o do empate, marcado por Hugo Moura aos 52 minutos do segundo tempo após cruzamento de Carlos Cuesta pela direita — atravessou o setor de Alexsandro. O lateral direito do Flamengo, cotado para a seleção brasileira, não conseguiu acompanhar o movimento de Cuesta nem antecipar o cruzamento que resultou na cabeçada de Moura. No programa Fechamento SporTV, André Rizek foi direto:
"Não foi um bom jogo do nosso lateral de Seleção, Alexsandro. Foi no setor dele o segundo gol do Vasco. Você espera mais de um jogador que vai jogar a Copa do Mundo. Mas é o que temos para a posição."
A crítica de Rizek tem base contratual e esportiva. Alexsandro ocupa a lateral direita do Flamengo com um perfil predominantemente defensivo — seu histórico no clube é de poucos cruzamentos completados por jogo e participação discreta em construções ofensivas. Seu valor de mercado no Transfermarkt está estimado em € 8 milhões. Para um ativo dessa faixa de precificação com projeção de Copa do Mundo, a exigência de consistência em lances de marca é razoável do ponto de vista de retorno sobre investimento em elenco.
No lado oposto, Puma Rodríguez entregou uma atuação com perfil diferente. O uruguaio, lateral direito titular do Vasco, tem valor de mercado estimado em € 6 milhões no Transfermarkt — abaixo de Alexsandro na tabela de precificação — mas apresentou maior volume ofensivo ao longo dos 90 minutos. Rodríguez participou ativamente da pressão vascaína na segunda etapa, com subidas constantes pela direita que forçaram o Flamengo a recuar o corredor esquerdo. Foi exatamente pelo lado de Cuesta, que avançou após tabela com Rodríguez, que saiu o cruzamento do empate.
Por que agora
A comparação entre os dois laterais não é nova, mas ganhou dimensão neste clássico porque o contexto amplificou os erros. Com Ancelotti na tribuna e a convocação a 15 dias, cada lance foi assistido com lupa. Alexsandro é o nome mais cotado para a lateral direita da seleção — e a presença do técnico italiano no Maracanã, ao lado do coordenador técnico Juan e do diretor Rodrigo Caetano, transformou o jogo em algo próximo de uma peneira oficial.
Segundo levantamento do SportNavo com base nos dados do jogo, o Vasco finalizou 15 vezes contra 11 do Flamengo — superioridade que só se materializou após a entrada de Hugo Moura e a movimentação mais intensa pela faixa direita cruzmaltina. Puma Rodríguez operou como ala apoiador nesse sistema: subiu, cruzou e forçou o recuo rubro-negro. Alexsandro, por contraste, esteve mais preocupado em cobrir o espaço interno do que em pressionar a origem dos cruzamentos adversários.
O primeiro gol do Vasco, marcado por Robert Renan aos 38 minutos após escanteio cobrado por Nuno Moreira, também passou pelo setor de Alexsandro — o zagueiro desviou de cabeça após cobrança de bola parada, situação em que a marcação de zona é responsabilidade coletiva, mas a pressão sobre o cobrador é papel do lateral. A análise do SportNavo indica que nos dois gols vascaínos, o corredor direito do Flamengo foi o ponto de origem ou de passagem do lance.
Puma Rodríguez chegou ao Vasco em janeiro de 2024, contratado junto ao Nacional do Uruguai por valor próximo de US$ 3 milhões em direitos econômicos — estrutura que incluiu percentual de revenda para o clube uruguaio. Aos 25 anos, o uruguaio tem contrato até dezembro de 2027 e é um dos ativos mais valorizáveis do elenco vascaíno caso o clube decida movimentá-lo no mercado europeu. Sua atuação em clássicos de alta exposição, como este no Maracanã, entra diretamente no cálculo de valorização do ativo.
O que vem em seguida
Para o Flamengo, o próximo compromisso é fora de casa: Independiente Medellín, na quinta-feira (7), às 21h30, pelo Estádio Atanasio Girardot, pela 4ª rodada da fase de grupos da Libertadores. A viagem à Colômbia acontece com a questão da lateral direita em aberto — Alexsandro deve manter a titularidade, mas com a crítica de Rizek registrada publicamente e Ancelotti tendo visto o jogo ao vivo, qualquer oscilação nos próximos jogos será lida como sinal na corrida pela convocação.
O Vasco joga antes: quarta-feira (6), às 19h, contra o Audax Italiano no Estádio Municipal de La Florida, em Santiago, pela Sul-Americana. Puma Rodríguez deve ser titular e carrega a expectativa de repetir o volume ofensivo do clássico. Com 17 pontos em 14 rodadas e 12ª colocação na tabela, o Vasco ainda não venceu como visitante no Brasileirão — quatro empates e três derrotas fora de casa.
Dois laterais, dois contratos, dois perfis. O empate no Maracanã custou dois pontos ao Flamengo e expôs uma posição que Ancelotti anotou.









