Se a janela de transferências fechasse hoje, a Juventus entraria na temporada 2026/27 sem goleiro titular. Di Gregorio não seguirá no clube, e o nome que Turim elegeu como substituto está recuperando uma lesão muscular na coxa direita a 5.000 km de distância, focado em um único objetivo antes de qualquer negociação.

A realidade, apurada pela ESPN e antecipada pela Gazzetta dello Sport ainda em abril, é que Alisson Becker, 33 anos, aceitou positivamente o projeto esportivo apresentado pela Juventus e sinalizou abertura para assinar um contrato de três temporadas com a Vecchia Signora. O obstáculo não é financeiro nem tático — é a Copa do Mundo. Qualquer decisão formal sobre deixar o Liverpool fica suspensa até depois do torneio, que começa nos Estados Unidos em junho.

O que a Juventus precisa resolver na goleira

Mattia Di Gregorio chegou a Turim em 2024 por aproximadamente €18 milhões vindos do Monza. O desempenho não convenceu a comissão técnica, e o técnico Luciano Spalletti já comunicou internamente que não quer seguir com o goleiro para a temporada seguinte. A urgência é real: contratar um titular de nível Champions League com janela de mercado abrindo em julho.

Spalletti tem um dado a favor da negociação que vai além dos números: ele comandou a Roma entre 2016 e 2017, exatamente quando Alisson defendia o clube italiano. O goleiro brasileiro fez 55 partidas pela Roma naquele período, consolidando sua reputação europeia antes de ser vendido ao Liverpool por €72,5 milhões em 2018 — recorde mundial para goleiros na época.

Alisson no Liverpool — o ativo que o Transfermarkt avalia em queda

Pelo Transfermarkt, o valor de mercado atual de Alisson está estimado em €12 milhões, reflexo direto da idade (33 anos) e do contrato com vencimento em junho de 2027. Para efeito de comparação, em 2021 o mesmo portal o avaliava em €60 milhões.

Essa depreciação de mercado é, paradoxalmente, o argumento mais forte da Juventus na mesa de negociação. Com contrato restante de apenas um ano, o Liverpool tem duas saídas: renovar com o goleiro ou aceitar uma venda por valor abaixo dos €20 milhões — possivelmente na faixa de €10 a €15 milhões — para não perdê-lo de graça em 2027. O SportNavo calculou que, considerando um fee de intermediação padrão de 5% sobre o valor bruto e luvas de contratação estimadas em €3 milhões, a operação total para a Juventus ficaria entre €16 e €21 milhões, incluindo salário anual na casa dos €5 a €6 milhões — compatível com a folha atual do clube.

No Liverpool, Alisson acumulou títulos que justificam cada euro daquele investimento inicial de €72,5 milhões: Champions League 2018/19, Premier League 2019/20 e 2024/25, entre outros. O ROI para os Reds, ao longo de oito temporadas, é praticamente irreplicável no mercado de goleiros.

A variável Copa do Mundo e o risco de lesão no cálculo da Juventus

Quem não tem cão caça com gato — e a Juventus, sem opções internas de nível europeu para a goleira, aceita negociar um goleiro que chegará à Itália com 34 anos e um torneio de alto desgaste físico nas pernas.

O risco está precificado? Parcialmente. A lesão muscular atual já adiou partidas pelo Liverpool nesta reta final da temporada 2025/26 da Premier League. Uma eventual contratação deve incluir cláusulas de rescisão vinculadas a laudos médicos pós-Copa — prática comum em transferências de atletas acima dos 30 anos no mercado europeu.

Van Dijk, zagueiro e líder do Liverpool, foi o primeiro a verbalizar o que os bastidores já discutiam:

"Sempre vai chegar o dia em que você vai embora, inclusive eu. Mas se isso acontecer — e eu não tenho ideia disso e não acho que, neste momento, ele tenha ideia disso — então nós, como clube, nos adaptaremos a isso. Ele é muito importante para mim como um dos líderes da equipe. Na minha opinião, o melhor goleiro do mundo."

A declaração, ao mesmo tempo em que reconhece a possibilidade da saída, funciona como balizador de valor: o próprio elenco do Liverpool qualifica Alisson como o melhor goleiro do planeta, o que inevitavelmente influencia a percepção de preço na negociação.

Olaza no radar do Inter — e o que isso tem a ver com Alisson

Enquanto o mercado europeu especula sobre Turim, no Brasil o Internacional monitora Lucas Olaza, 31 anos, lateral-esquerdo com passagens pela seleção uruguaia e contrato encerrando em 30 de junho no Krasnodar, da Rússia. A sondagem do Colorado ainda não evoluiu para proposta formal, mas a movimentação indica que o clube gaúcho antecipa a necessidade de reforços na posição — especialmente com Bernabei sendo utilizado mais avançado, como meia-atacante.

Olaza livre no mercado representa custo zero de transferência, apenas salário e luvas. Para um clube como o Inter, que opera com orçamento restrito na comparação europeia, trata-se de um perfil de contratação coerente com a política financeira dos últimos ciclos.

Alisson, por sua vez, tem agenda definida: recuperação da lesão, convocação para a Seleção Brasileira, Copa do Mundo nos Estados Unidos a partir de junho. A decisão sobre o futuro no Liverpool — ou em Turim — virá depois. A janela de transferências europeia de verão fecha em 1º de setembro de 2026, o que deixa margem suficiente para a Juventus formalizar a proposta e o goleiro avaliar com calma. O Liverpool, por sua vez, precisará ter um substituto identificado antes de liberar qualquer negociação — e o relógio já começou a contar.