Sessenta e quatro pontos, quarta colocação na Serie A e apenas três acima de Como e Roma — os números da Juventus sob Luciano Spalletti contam uma história de recuperação discreta, mas suficientemente sólida para reacender as ambições da Vecchia Signora. Depois de uma temporada partido ao meio pelas trocas de Thiago Motta em 2024 e Igor Tudor em 2025, o clube de Turim encontrou identidade com o ex-técnico da Azzurra. E já projeta o verão europeu com uma lista de compras que, se concretizada, muda o peso de qualquer prognóstico para 2026/27.
Um goleiro que muda hierarquias
Alisson Becker é o nome que circula com mais consistência nos bastidores da Juventus como substituto de Wojciech Szczesny. O brasileiro, titular incontestável da Seleção Brasileira, representa uma ruptura de filosofia: sair de um goleiro de estilo reativo para um que se encaixa perfeitamente no build-up com os pés que o futebol de Spalletti exige. Treinado na escola de Klopp em Liverpool — onde o gegenpressing impõe que o goleiro seja o primeiro jogador de campo — Alisson tem a leitura posicional e a distribuição que transformam uma linha defensiva em saída organizada de bola. Para uma Juventus que quer pressionar alto e transitar com velocidade, esse perfil é específico demais para ser substituído por qualquer outro nome disponível no mercado.
O meia que o City não conseguiu prender
Bernardo Silva acumula quase uma década no Manchester City, onde conquistou seis Premier Leagues e uma Champions League, mas a sua saída para 2026/27 já é tratada como decisão encaminhada. O português de 31 anos é um desses raros jogadores que funcionam tanto em sistemas de posse quanto em transições rápidas — qualidade que o torna perfeito para a mezzala no 4-3-3 que Spalletti costuma montar. Fluente no tiki-taka mais refinado e capaz de pressionar com intensidade inglesa, ele seria o elo entre o meio-campo e os atacantes que a Juventus tanto busca. Na avaliação do SportNavo, é exatamente esse tipo de jogador — técnico, experiente e vencedor em alta pressão — que faz a diferença nas fases decisivas da Champions.
A crise do camisa 9 que Spalletti precisa resolver
O ponto mais delicado do planejamento bianconero está na área adversária. Dusan Vlahovic atravessa um período de baixo rendimento, e as apostas em Jonathan David e Loïs Openda não produziram os gols esperados para uma equipe que quer brigar pelo scudetto. A questão foi abordada com humor amargo pelo ex-atacante Antonio Di Natale em entrevista à Gazzetta dello Sport. Quando perguntado sobre o melhor centroavante da Serie A nesta temporada, Di Natale respondeu que seria "aquele que espero ver no verão" — uma alfinetada direta à escassez de finalizadores de área de qualidade no futebol italiano.
"Ao Spalletti falta um artilheiro. Deem a ele Alisson no gol, Bernardo Silva e um atacante que faça a diferença, e vocês vão ver que vai ser candidato ao scudetto no próximo ano." — Antonio Di Natale, em entrevista à Gazzetta dello Sport
Di Natale, que recusou uma oferta da própria Juventus em 2010 para permanecer na Udinese, jogou ainda um nome na mesa: Robert Lewandowski, cujo contrato com o Barcelona encerra neste verão. O polonês de 37 anos foi descrito pelo ex-atacante com uma hipérbole que resume o respeito que inspira no futebol italiano.
"Eu parei aos 38 anos, ele tem 37 e é um artilheiro absurdo: na Serie A faria gols por mais duas temporadas jogando com um cigarro na boca." — Antonio Di Natale
A hipérbole tem fundamento estatístico: Lewandowski segue entre os artilheiros da La Liga nesta temporada 2025/26, com números que envergonham jogadores dez anos mais jovens. Trazê-lo para Turim seria um statement de mercado comparável ao que a Juventus fez com Cristiano Ronaldo em 2018 — diferente em escala, mas similar na lógica de buscar um jogador de reputação máxima para mover agulhas.
Spalletti e a experiência que transforma pressão em pontos
Di Natale também defendeu a permanência de Spalletti como o fator decisivo nas rodadas finais da Serie A, com a Juventus ainda enfrentando Verona, Lecce, Fiorentina e Torino. A análise do SportNavo aponta que o treinador toscano acumula mais experiências em disputa por vaga na Champions do que qualquer outro técnico atualmente ativo no campeonato italiano — argumento que Di Natale endossou diretamente.
"Eu apostaria na Juventus, mas é bem arriscada. Como e Roma têm 3 pontos a menos, são fortes e vão lutar até o fim. Luciano Spalletti, além de ser um gênio, é o treinador com mais experiência na briga por vaga na Champions." — Antonio Di Natale
O próximo teste concreto da Juventus é justamente contra a Fiorentina, adversário direto na tabela e com ambições europeias próprias. Uma vitória consolidaria não apenas a vaga na Champions, mas mandaria ao mercado o sinal mais importante: que Turim está de volta como destino de primeiro nível para qualquer jogador que queira disputar a elite europeia em 2026/27.









