Mensagens como "Negro macaco, em 19/05 vai terminar em um caixão" e "Com essa cara de macaco, quem você quer incomodar?" foram direcionadas a Matheus Pereira nas redes sociais após a vitória do Cruzeiro sobre o Boca Juniors na terceira fase da Copa Libertadores. O caso, exposto por reportagem do ge, coloca em xeque a segurança do camisa 10 celeste no confronto de volta, agendado para 19 de maio.

"Negro macaco, em 19/05 vai terminar em um caixão" — mensagem enviada por torcedores do Boca Juniors ao jogador Matheus Pereira nas redes sociais após o jogo de ida.

O contexto do jogo e o estopim dos ataques

O episódio tem origem direta num desentendimento entre Matheus Pereira e o volante Leandro Paredes durante a partida. O calor do confronto extrapolou os 90 minutos e migrou para o ambiente digital, onde torcedores xeneizes identificaram o meia brasileiro como alvo preferencial. Paralelamente, a Polícia Civil de Belo Horizonte identificou um torcedor do Boca que fez gestos racistas em direção à torcida cruzeirense dentro do estádio e o encaminhou à delegacia — dado que demonstra a dimensão presencial do problema, não apenas virtual.

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Com a vitória, o Cruzeiro assumiu a liderança do Grupo D da Libertadores. O resultado aumentou a tensão em torno do duelo de volta na Argentina, e as ameaças recebidas por Matheus Pereira transformaram o que seria uma análise tática num protocolo de crise institucional.

Racismo no futebol sul-americano tem histórico sistemático

O caso não ocorre num vácuo. O futebol sul-americano registra episódios recorrentes de racismo, especialmente em confrontos internacionais. A Conmebol implementou, nos últimos anos, protocolos baseados na Lei 9.615 e em resoluções internas que permitem paralisação de partidas e punição a clubes por conduta de torcedores. O regulamento da Libertadores prevê multas, jogos com portões fechados e até eliminação de equipes em casos de reincidência — mecanismos que o Cruzeiro pode acionar formalmente.

A análise do SportNavo sobre casos anteriores mostra que clubes brasileiros raramente utilizam todos os instrumentos jurídicos disponíveis nesses momentos, limitando-se a notas de repúdio. A abordagem precisa ser mais cirúrgica: registro formal de ocorrência, notificação à Conmebol com as capturas de tela das ameaças e solicitação de reforço no protocolo de segurança para jogadores visitantes em La Bombonera.

Quatro frentes de ação para o clube

O empresário de Matheus Pereira e a diretoria do Cruzeiro já estão em contato para definir as medidas. A avaliação do SportNavo, com base nos protocolos adotados em casos semelhantes no futebol europeu e sul-americano, aponta quatro frentes prioritárias:

  • Jurídica: registro de boletim de ocorrência no Brasil e eventual representação junto às autoridades argentinas, com suporte do consulado. As ameaças de morte configuram crime tipificado no Código Penal brasileiro (art. 147) e possivelmente na legislação argentina.
  • Conmebol: protocolo formal de denúncia com evidências documentadas — prints, URLs e timestamps das mensagens —, solicitando aplicação do Código Disciplinário da entidade ao Boca Juniors.
  • Segurança operacional: negociação com a Conmebol e o Boca para que Matheus Pereira tenha escolta especializada no trajeto entre hotel e estádio em Buenos Aires, além de acesso restrito à zona de aquecimento.
  • Saúde mental: suporte psicológico imediato ao atleta, protocolo que clubes como PSG e Manchester City já incorporaram formalmente após episódios de violência digital contra jogadores.

O impacto real no jogador e no jogo de volta

Do ponto de vista da performance, ameaças desse calibre afetam variáveis mensuráveis: concentração em jogadas de pressão alta, disposição para disputas físicas e tempo de reação em transições ofensivas. Matheus Pereira é o principal articulador do meio-campo cruzeirense — seu papel como pivô entre as linhas e organizador da saída de bola é central no esquema de Fernando Diniz.

Colocá-lo sob pressão psicológica antes do jogo de volta em La Bombonera — estádio com capacidade para mais de 57 mil torcedores e um dos ambientes mais hostis das Américas — não é detalhe secundário. É variável tática. O Cruzeiro precisa blindar esse jogador antes de 19 de maio, data do confronto decisivo no estádio da Boca Juniors em Buenos Aires.