Decidiu. Ou quase. Neymar deixou o gramado do Couto Pereira, em Curitiba, com o placar de 2 a 0 no bolso, a classificação do Santos às oitavas da Copa do Brasil garantida e um recado na ponta da língua para a torcida do Coritiba. Enquanto caminhava em direção ao banco, após ser substituído aos 38 minutos do segundo tempo, ouviu o coro vindo das arquibancadas: "Não vai pra Copa! Não vai pra Copa!". A resposta, captada por leitura labial do especialista Velloso, foi curta e com sorriso no rosto: "2 a 0. Tchau. Vai ficar em casa."

O que Ancelotti disse à Reuters sobre a decisão

Do outro lado do Atlântico, quem realmente tem a caneta na mão é Carlo Ancelotti. Em entrevista à agência Reuters, o técnico da Seleção Brasileira reconheceu a evolução do atacante santista, mas foi cuidadoso ao ser questionado sobre a lista final para o Mundial.

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"Nos últimos tempos melhorou muito, está jogando com continuidade. Obviamente, para mim, é uma decisão não tão simples. Tenho que avaliar bem os prós e os contras. Mas a mim isso não coloca pressão", disse Ancelotti à Reuters.

O italiano também reconheceu o peso emocional do nome de Neymar dentro do vestiário verde-amarelo. Segundo ele, a presença do camisa 10 não seria uma bomba no grupo — ao contrário.

"Neymar é muito amado. Não só pelo povo, mas também pelos jogadores. Se você chamar o Neymar, você não vai botar uma bomba no vestiário, porque é muito querido, muito amado", completou o treinador.

Casemiro lidera o coro dentro do grupo

A voz mais influente pedindo a convocação de Neymar veio de dentro do próprio elenco. Casemiro, capitão da Seleção e homem de confiança de Ancelotti no Manchester United, se posicionou publicamente a favor da inclusão do atacante na lista final. O pedido do volante carrega peso: é ele quem conhece o vestiário por dentro, quem sabe o que aquele nome representa para o grupo. Ancelotti, por sua vez, disse que agradece os conselhos, mas que a avaliação é contínua — e inclui todos os jogadores, não apenas Neymar.

Os números que sustentam o argumento santista

No Santos, a matemática joga a favor. Nos últimos 18 jogos, Neymar acumulou 16 participações diretas em gols — 11 tentos e cinco assistências desde o fim de 2025. Contra o Coritiba, mesmo sem brilhar individualmente durante a maior parte da partida, iniciou a jogada que resultou no gol de Gabriel Bontempo e confirmou a classificação santista. A atuação foi discreta, especialmente no segundo tempo, quando o Santos adotou postura mais reativa. Mas o número acumulado é o argumento que o clube usa internamente para defender a presença do jogador no Mundial.

O que vem agora para Neymar e a Seleção

A lista final de Ancelotti será anunciada no dia 18 de maio, segunda-feira — data limite imposta pela FIFA para os países confirmarem seus 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026. O clima em torno do nome de Neymar lembra o trânsito da Avenida Paulista em horário de pico: todo mundo parado, todo mundo buzinando, e a decisão ainda não saiu do lugar. Ancelotti tem o direito de escolher em silêncio. Mas o Brasil inteiro vai ouvir o que ele disser na segunda-feira.