O palco ainda está sendo montado, mas a decisão já foi tomada. A FIFA confirmou nesta sexta-feira (8) que Anitta se apresentará na cerimônia de abertura da Copa do Mundo 2026 no Estádio SoFi, em Los Angeles, no dia 12 de junho — única representante brasileira entre as três festas de lançamento do torneio distribuídas por México, Canadá e Estados Unidos.
A tese que o lineup confirma sobre o pop brasileiro
A leitura imediata sobre a escolha de Anitta é a de vitória simbólica: uma artista nascida em Honório Gurgel, subúrbio do Rio de Janeiro, inscrita ao lado de nomes como Katy Perry, a tailandesa Lisa e o rapper Future na cerimônia mais assistida do planeta em 2026. Segundo projeções da FIFA, as três cerimônias de abertura combinadas deverão alcançar audiência televisiva superior a 1,5 bilhão de espectadores. Para o mercado fonográfico brasileiro — que, de acordo com a IFPI, cresceu 14,3% em receita de streaming entre 2023 e 2025 —, trata-se de uma janela de exposição sem precedente histórico.
A trajetória recente de Anitta reforça essa narrativa. Dias antes do anúncio da FIFA, a cantora dividiu o palco com Shakira no festival Todo Mundo no Rio, em Copacabana, interpretando a faixa Choka Choka — um ensaio público de alcance global que antecipou, quase cirurgicamente, o posicionamento que a Copa vai consolidar.
A contra-leitura que o contexto exige
Há, contudo, uma tensão estrutural que a celebração imediata tende a encobrir. As cerimônias de abertura da Copa 2026 foram montadas com lógica de representação geopolítica: o México exibe Maná, Belinda e Los Ángeles Azules; o Canadá escala Michael Bublé e Alanis Morissette; os EUA centralizam Katy Perry como headliner. Anitta aparece como elemento de diversidade no lineup norte-americano, não como âncora da festa — distinção que importa quando se analisa poder de pauta e negociação contratual.
Como apurou o SportNavo, a FIFA não divulgou a ordem das apresentações no SoFi Stadium, o que significa que a posição de Anitta na sequência do show — antes ou depois de Perry — ainda define muito sobre como a cantora chegará à tela do telespectador global. Cerimônias esportivas têm gramática própria: quem abre aquece; quem fecha é lembrado.

"The world's game reaches its biggest stage in the USA", publicou a conta oficial do FIFA World Cup ao anunciar o lineup americano — frase que enquadra o evento como uma narrativa centrada nos Estados Unidos, não em seus convidados.
A síntese que o dia 12 de junho vai escrever
Pesar os dois lados leva a uma conclusão mais matizada do que o entusiasmo ou o ceticismo isolados permitem. Anitta chegará ao SoFi com um repertório forjado para plateias multilíngues — sua estratégia de lançamentos em espanhol, inglês e português desde 2021 foi, precisamente, a credencial que a diferenciou de outros artistas brasileiros com alcance doméstico maior. A colaboração recente com Shakira não é detalhe biográfico: é prova de inserção no circuito pop latino-global que a FIFA usa como critério de seleção.
- Data e local: 12 de junho, SoFi Stadium, Los Angeles
- Contexto do jogo: EUA x Paraguai, Grupo C da Copa do Mundo 2026
- Outros artistas confirmados: Katy Perry, Lisa, Rema, Tyla e Future
- Posição no panorama geral: única brasileira entre as três cerimônias de abertura
O palco ainda está sendo montado, mas a aposta já foi feita — e desta vez o resultado não depende de árbitro nem de VAR.








