Confesso: eu errei sobre Anthony quando o Botafogo o anunciou em março. Escrevi nos meus stories que o ex-Goiás era uma contratação de prateleira — jovem, barato, sem urgência. Hoje, com o Fogão ostentan do a pior defesa do Brasileirão 2026 e Barboza com um pé no Palmeiras, entendo que a urgência sempre esteve lá… e aí vem o problema.
A cena
Anthony tem 20 anos, foi campeão do Sul-Americano Sub-20 em 2025 com a Seleção Brasileira e assinou contrato com o Botafogo até março de 2030. No papel, é exatamente o perfil que a SAF busca: jovem, sem custo de transferência, com potencial de valorização. Na prática, o zagueiro ainda não entrou em campo nem por um segundo com a camisa alvinegra. Chegou na janela doméstica de março e desde então trata uma pubalgia — já em fase de transição para o campo, sob avaliação diária do departamento médico.

Segundo apuração do SportNavo, não há previsão oficial de retorno. O clube monitora a evolução do atleta dia a dia, sem forçar a barra — o que é compreensível para uma lesão que, mal tratada, vira crônica. Mas o calendário não espera.
O contexto que explica
A contratação de Anthony foi facilitada por um detalhe contratual: ele tinha vínculo com o Goiás somente até o fim da temporada 2025, o que abriu caminho para uma negociação sem custos de transferência imediatos. O acerto prevê divisão de direitos econômicos entre Botafogo e Goiás, com o clube goiano garantindo percentual em caso de venda futura. Para o Fogão, foi uma operação de risco calculado — zero de investimento inicial, alto potencial de retorno.
Pelo Esmeraldino, Anthony era tratado como joia das categorias de base. No Sul-Americano Sub-20, integrou o grupo campeão, ainda que não tenha entrado em campo nos nove jogos da competição. A promessa existe — mas ainda não foi testada em alto nível.
A distância entre o Anthony que o Botafogo contratou e o Anthony que o Botafogo precisa agora é algo parecido com a distância entre Manaus e Salvador: geograficamente mensurável, mas operacionalmente enorme de cruzar no curto prazo.
As implicações imediatas
O Botafogo é o time com mais gols sofridos no Brasileirão 2026 até aqui — um número que já virou meme nas redes sociais e tema recorrente nos comentários do perfil oficial do clube no Instagram, onde posts sobre a defesa acumulam milhares de interações negativas. A crise defensiva não é nova, arrasta desde o início da temporada, e a ausência de Anthony apenas aprofunda o buraco.

O cenário fica mais crítico com a iminente saída de Alexander Barboza. O zagueiro argentino tem negociações avançadas com o Palmeiras, e sua eventual transferência deixaria a dupla de zaga titular formada por Bastos e Ferraresi — ambos destros e de ofício pela direita. Dois zagueiros do mesmo lado dominante na mesma linha defensiva é um problema tático real, não apenas estético.
Nas palavras do próprio departamento de planejamento do Botafogo, segundo fontes próximas ao clube, a posição de zagueiro canhoto é tratada como prioridade absoluta para a janela do segundo semestre — mas o momento financeiro da SAF impõe limites à velocidade dessa movimentação.
A análise do SportNavo mostra que, sem Anthony disponível e com Barboza a caminho do Palmeiras, o Botafogo entra no trecho mais denso do calendário — Copa Sul-Americana e sequência do Brasileirão — com opções limitadas e um sistema defensivo que já demonstrou fragilidade estrutural. Allan, que também sofreu lesão na coxa recentemente, soma mais um desfalque ao setor.
O próximo compromisso do Botafogo é pela Copa Sul-Americana, e cada jogo sem solução na zaga é mais um teste de resistência para uma estrutura que já deu sinais claros de que está no limite. Anthony segue na transição — e o clube torce para que a pubalgia não vire uma temporada inteira perdida.








