Como um piloto que lidera o campeonato com 75 pontos pode perder 20 posições nas largadas em apenas cinco corridas? A pergunta circula nos corredores do paddock de Miami desde que Kimi Antonelli, saindo do segundo lugar do grid na sprint deste sábado (2), foi engolido por Oscar Piastri, Charles Leclerc e pelo próprio companheiro George Russell ainda na primeira curva.
O contexto ajuda a entender a dimensão do problema. A sprint do GP de Miami foi vencida de forma soberana por Lando Norris, que partiu da pole e cruzou a linha de chegada sem sustos, somando 8 pontos e conquistando sua quarta vitória em corridas sprint na carreira. Piastri completou a dobradinha da McLaren — equipe que chegou a Miami com um carro quase inteiramente novo após cinco semanas de desenvolvimento intenso. Antonelli terminou em quarto, mas foi penalizado em 5 segundos por exceder os limites da pista ao tentar superar Russell na volta 19, caindo para o sexto lugar. Mais um capítulo de uma temporada que, na largada, tem sido um pesadelo para a Mercedes.
O que mudou
Nos três primeiros Grandes Prêmios e nas duas sprints de 2026, Antonelli acumulou 20 posições perdidas especificamente no momento da largada. Para quem não é familiar com o jargão técnico: a largada na Fórmula 1 envolve o chamado launch control — um sistema eletrônico que gerencia a entrega de torque para evitar wheelspin (patinação das rodas) e otimizar a tração no momento em que o semáforo apaga. Quando esse sistema falha ou está mal calibrado, o carro demora milésimos a mais para engatar a tração, e milésimos nesse momento valem metros — às vezes posições inteiras.
O chefe da Mercedes, Toto Wolff, foi direto ao ponto após a sprint: segundo ele, Antonelli não tem culpa pelas largadas ruins. A declaração é técnica e politicamente relevante ao mesmo tempo. Ela desvia o holofote do piloto de 19 anos e aponta para o departamento de engenharia da equipe como responsável pelo ajuste do sistema de partida.
"Antonelli não é culpado pelas largadas", declarou Toto Wolff, chefe da Mercedes, isentando publicamente o piloto italiano após mais uma saída problemática em Miami.
Na avaliação do SportNavo, o padrão é difícil de ignorar. Cinco eventos, 20 posições perdidas: isso é uma média de quatro posições por corrida apenas na saída. Se o erro fosse do piloto, esperaríamos variação — uma largada boa, outra ruim. A consistência do problema aponta para algo sistêmico, possivelmente na calibração do launch control ou na janela de temperatura do pneu traseiro no momento da partida, o que afeta diretamente a degradação térmica inicial e a mordida no asfalto.

Por que agora
A McLaren chegou a Miami com um pacote de atualizações descrito pelo chefe de equipe Andrea Stella como resultado de trabalho intenso durante a pausa de cinco semanas de abril — período que incluiu o cancelamento de duas etapas em função da guerra no Oriente Médio. Stella admitiu cautela ao avaliar os upgrades, mas o resultado fala por si: Norris e Piastri em 1-2, com ritmo superior ao da Mercedes durante toda a corrida.
Isso cria um cenário curioso para Antonelli. Proverbialmente, quem não tem cão caça com gato — e o italiano tem feito exatamente isso: acumulando pontos mesmo com largadas ruins, aproveitando o ritmo de corrida do W16 para recuperar posições. Mas até quando essa estratégia sustenta uma liderança no campeonato?
A comparação com Russell é iluminadora. O britânico terminou a sprint em quinto, com 68 pontos no total — 7 a menos que Antonelli. Russell não tem apresentado os mesmos problemas de largada, o que sugere que o setup do carro pode estar sendo configurado de forma diferente entre os dois pilotos, ou que há alguma variável específica na posição do cockpit de Antonelli que interfere na execução do procedimento de partida.
"Trabalhamos muito durante a pausa para trazer um carro quase novo a Miami", disse Andrea Stella, chefe da McLaren, descrevendo o escopo das atualizações que permitiram a dobradinha na sprint.
Enquanto a McLaren avança, a Mercedes precisa responder a uma pergunta que os engenheiros de Brackley já deveriam estar modelando em simulações: o problema está no software do launch control, na pressão dos pneus no momento da largada, ou na gestão de temperatura do rear tyre antes do apagar das luzes? Cada hipótese tem uma solução diferente, e o tempo para encontrá-la está diminuindo.
Quem vai resolver o problema de largada da Mercedes antes que ele custe o título a Antonelli?

O que vem em seguida
O GP de Miami — corrida principal — tem largada prevista para as 17h deste domingo (3). Antonelli sai do grid com 75 pontos e uma vantagem de 7 sobre Russell, mas com a McLaren renovada e Ferrari de Leclerc (55 pontos) pressionando, cada posição perdida na saída pode custar caro. Gabriel Bortoleto, que terminou em 11º na sprint com a Audi, também tentará pontuar na prova longa — a equipe alemã amargou a saída de Nico Hülkenberg antes mesmo da largada, com problemas de motor.
O levantamento do SportNavo mostra que, se Antonelli perder mais quatro posições na largada do GP principal, ele pode cruzar a linha de chegada fora da zona de pontuação pesada — exatamente o que Russell e Norris precisam para reduzir a diferença no campeonato. O qualifying para a corrida principal acontece ainda neste sábado, às 17h, e a posição no grid será o primeiro teste concreto para medir se a Mercedes encontrou alguma correção entre a sprint e a prova definitiva.








