A bola sobrou na entrada da área, o goleiro estava bem posicionado, e Antony bateu no ângulo. Fim. Dois a zero sobre a Real Sociedad, 35ª rodada da La Liga, e mais um capítulo de uma história que a maioria da Europa tinha dado como encerrada há dois anos. O calor de Sevilha neste sábado, 9 de maio, foi o cenário perfeito para o brasileiro que se recusou a desaparecer.

O que mudou em Antony desde que ele deixou Manchester

A pergunta que circula nos corredores da imprensa espanhola não é mais se Antony consegue jogar em alto nível — é por que demorou tanto para o mundo perceber. No Manchester United, entre 2022 e 2024, o atacante virou símbolo de contratação fracassada: 95 milhões de euros gastos, poucos gols, muita pressão. Em Sevilha, a equação mudou completamente. Sob o comando de Manuel Pellegrini, técnico com currículo que inclui passagens por Real Madrid, Manchester City e West Ham, Antony encontrou um sistema que valoriza o drible, a velocidade e a chegada pelo lado direito — exatamente o que ele sabe fazer de olhos fechados.

O número que define a temporada é direto: 14 gols e 10 assistências em uma única campanha pela La Liga. Para ter dimensão do salto, na temporada 2023/2024 pelo United, ele somou apenas 3 gols em 27 partidas. A diferença não é física — é de confiança, de posicionamento e de um técnico que entendeu onde colocar essa peça no tabuleiro.

Os europeus que zombavam agora postam os gols

Nas redes sociais, a virada de narrativa foi imediata após o gol sobre o Real Sociedad. Torcedores que antes usavam o nome do brasileiro como sinônimo de desperdício financeiro passaram a compartilhar o lance com uma espécie de rendição coletiva. Um comentário que viralizou em espanhol resumiu bem o clima:

"Ele errou o gol mais fácil e depois marcou o mais difícil. Antony é o Betis."

Outro post, traduzido do inglês, foi ainda mais direto:

"Nunca zombe do Antony novamente. Eu avisei."

A comparação histórica que aparece naturalmente nesse contexto é a de Denílson, o brasileiro que chegou ao Betis em 1998 como o jogador mais caro do mundo — 21,5 milhões de dólares — e também precisou de tempo para convencer. Denílson levou três temporadas para se firmar; Antony precisou de uma. O contexto é diferente, a pressão midiática de 2026 é infinitamente maior, mas a trajetória de reabilitação em Sevilha tem paralelos reais.

O que ainda falta resolver antes da Copa do Mundo

A atuação contra o Real Sociedad reacende uma questão que não tem resposta fácil: Antony entra na lista de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá? O técnico italiano não o convocou nas duas últimas listas da Seleção Brasileira, e o caminho até o Mundial segue sendo íngreme. Mas a matemática da temporada fala por si: com quatro jogos ainda restantes na La Liga, o atacante tem a chance concreta de chegar a 16 ou 17 gols — números que seriam difíceis de ignorar em qualquer convocação.

O Betis, por sua vez, já tomou sua decisão independentemente do que aconteça com a Seleção. O clube enxerga Antony como peça central do projeto ofensivo para 2026/2027, e a arrancada na reta final da temporada — com o time brigando por uma vaga na Champions League — só reforça esse entendimento. Três ofertas de outros clubes chegaram nos últimos meses, segundo a imprensa espanhola, e foram todas recusadas.

O próximo compromisso do Betis é fora de casa, e cada ponto disputado pode definir se a equipe de Pellegrini termina a temporada na Europa ou na Champions. Para Antony, 25 anos, os próximos 360 minutos de La Liga são os mais importantes da carreira.