O calor úmido da Calábria ainda pairava sobre o Estádio Ceravolo quando o apito final do jogo contra o Bari soou — uma derrota por 3 a 2 que, no papel, parecia uma ferida. Na prática, era um cálculo deliberado. Alberto Aquilani havia mandado a campo um time alternativo, poupando os acidentados, os amarelados e até Pittarello, que estava febril. O resultado importava menos do que a peça que ele movia silenciosamente para o tabuleiro de terça-feira: Pietro Iemmello, convocado e pronto para o playoff contra o futebol internacional.
O que os números do Catanzaro revelam sobre esta campanha
Terminar a Serie B em quinto lugar com um elenco que, na avaliação do próprio Aquilani, não deveria "competir com pouca diferença" frente às equipes do topo, é um dado que merece leitura cuidadosa. Venezia e Frosinone subiram à Serie A. Monza e Palermo completaram o quarteto à frente dos calabreses. O Catanzaro ficou atrás dessas quatro potências financeiras e, ainda assim, garantiu vaga nos playoffs com dois dias de antecedência — o que lhe assegura o benefício do empate na fase preliminar contra o Avellino.
A campanha foi construída sobre coragem e organização tática. Na visita ao Palermo, mesmo saindo derrotado, Aquilani identificou o padrão que o preocupa para a sequência:
"Fomos um pouco levezinhos em algumas circunstâncias, tanto na fase ofensiva porque tivemos várias chances de gol, quanto na fase defensiva porque sofremos dois gols evitáveis. Essas desatenções acabam pesando no resultado", admitiu o técnico após o confronto na Sicília.
A autocrítica não é sinal de fraqueza — é o retrato de uma equipe que cresceu ao longo da temporada e que Aquilani se recusa a tratar como algo acabado. A pergunta que fica é se esse crescimento chega a tempo para o jogo mais curto e mais cruel do calendário… e aí vem o problema.
Iemmello, Pittarello e as vozes que moldam o vestiário giallorosso
Se há um nome que carrega o peso da esperança ofensiva do Catanzaro, esse nome é Pietro Iemmello. O centroavante, que esteve fora de combate nas últimas semanas, foi confirmado na lista de convocados para o duelo com o Avellino. "Iemmello está melhor, está bem, está convocado para amanhã", confirmou Aquilani em conferência pré-jogo, encerrando a especulação sobre sua presença.
O técnico foi ainda mais transparente sobre a gestão que fez do atacante nas rodadas anteriores: "Iemmello vocês sabem o quanto ele se importa com esta partida. Estamos tentando administrar sua situação". A frase revela dois ângulos ao mesmo tempo — o cuidado clínico com o jogador e o peso simbólico que ele carrega dentro do grupo. Oudin e Di Francesco, citados como reforços em processo de condicionamento físico, também foram trabalhados para chegar ao melhor momento possível nesta reta final.
Pittarello, artilheiro da equipe na temporada, voltou ao radar depois de passar a partida contra o Bari no banco por conta da febre. Aquilani o elogiou com uma observação que vai além das estatísticas: "Ele saiu bravo porque queria fazer o terceiro gol. Essa mentalidade é algo que ele incorporou nesta temporada". Um jogador que sai irritado por não ter marcado o terceiro gol — mesmo já tendo feito dois — é exatamente o perfil que um playoff de jogo único exige.
Aquilani lê o Avellino e define o que o Catanzaro não pode abrir mão
O Avellino chega ao Ceravolo com o momentum de quem se classificou na última rodada, carregando a adrenalina de quem escapou por pouco. Aquilani reconhece esse contexto, mas rejeita qualquer leitura que coloque o Catanzaro em posição de desvantagem emocional após duas semanas sem pressão de classificação.
"Se eles chegam carregados, nós chegaremos ainda mais carregados porque estamos disputando algo que merecemos. Trabalhamos muito duro durante todo o ano para jogar esta partida", declarou o treinador na véspera do confronto.
O ponto central da preparação, segundo Aquilani, não é tático — é de identidade. "Não devemos nos desnaturar e precisamos continuar acreditando no que propomos, porque foi uma arma importante durante toda a temporada", afirmou, descartando qualquer intenção de jogar no empate apesar do regulamento favorecer o Catanzaro nesse cenário. "Não falamos sobre isso, porque somos uma equipe que não pode e não deve pensar dessa forma".
Para Aquilani, que vive seu primeiro playoff como técnico entre os profissionais italianos, a dimensão emocional do jogo é tão determinante quanto a física. "É uma partida que pode durar 90 ou 120 minutos, uma partida seca sem retorno. Quando as partidas são assim, é preciso jogá-las no plano técnico e tático, mas também emocional e de maturidade", ponderou.
O Catanzaro enfrenta o Avellino nesta terça-feira, 12 de maio, no Estádio Ceravolo, em Catanzaro, com início previsto para o horário europeu da tarde. Quem vencer avança às semifinais dos playoffs da Serie B — e quem perder encerra a temporada. Com Iemmello disponível, titulares descansados e um treinador que recusou qualquer atalho emocional, o jogo vale uma pesquisa rápida para encontrar onde transmitem: este confronto merece atenção integral.








