A apenas dois meses da estreia na Copa do Mundo de 2026, a Federação de Futebol da Arábia Saudita (SAFF) anunciou na quinta-feira, 23 de janeiro, a demissão de Hervé Renard e a contratação do técnico grego Georgios Donis. O movimento surpreendente ocorre após uma série de resultados negativos em amistosos preparatórios, incluindo derrotas consecutivas para Egito e Sérvia que alarmaram a cúpula do futebol saudita.
A decisão de trocar de comandante técnico tão próximo do Mundial revela a pressão interna enfrentada pela seleção, que carrega as expectativas de repetir a campanha histórica do Qatar-2022, quando eliminou a Argentina de Messi na fase de grupos. O contrato de Donis, válido até julho de 2027, abrange também a próxima Copa Asiática, demonstrando a confiança da federação no trabalho do técnico de 56 anos.
Experiência local pesou na escolha de Donis
A trajetória de Georgios Donis no futebol saudita foi determinante para sua nomeação. O grego dirigiu quatro clubes importantes do país: Al-Hilal, Al-Wehda, Al-Fateh e Al-Khaleej, acumulando conhecimento profundo sobre o estilo de jogo local e as características dos atletas que defenderão a seleção. Segundo a SAFF, essa familiaridade com o ambiente facilita uma adaptação imediata, fator crucial considerando o pouco tempo disponível antes da Copa.
Entre 2019 e 2023, Donis comandou 127 partidas no futebol saudita, conquistando títulos regionais e desenvolvendo uma filosofia tática que privilegia a velocidade dos atacantes e a solidez defensiva. Sua passagem mais exitosa foi no Al-Hilal, onde alcançou 68% de aproveitamento em 89 jogos, números que impressionaram os dirigentes da federação durante as negociações.

Desafio imediato no Grupo H da Copa do Mundo
Donis herda uma seleção classificada para o Grupo H ao lado de Espanha, Uruguai e Cabo Verde, adversários que exigirão estratégias distintas. A Espanha, campeã europeia de 2024, apresenta o futebol de posse mais elaborado do mundo, enquanto o Uruguai mantém a tradição defensiva que os levou às semifinais em 2010. Cabo Verde, por sua vez, representa a surpresa africana com jogadores experientes das ligas europeias.
Conforme levantamento do SportNavo, a Arábia Saudita possui apenas 14 semanas de preparação sob o novo comando técnico, período considerado insuficiente por especialistas para implementar mudanças táticas profundas. Os números da seleção em Mundiais anteriores também preocupam: em cinco participações (1994, 1998, 2002, 2018 e 2022), conquistaram apenas quatro vitórias, sendo três delas no Qatar-2022.
Pressão por resultados após Qatar histórico
A campanha de 2022 elevou dramaticamente as expectativas sobre a seleção saudita. Sob o comando de Renard, derrotaram a Argentina por 2 a 1, com gols de Saleh Al-Shehri e Salem Al-Dawsari, resultado que interrompeu a invencibilidade argentina de 36 jogos. Posteriormente, venceram também a Polônia por 2 a 0, mas a derrota para o México na última rodada os eliminou por critério de saldo de gols.

Os amistosos recentes, porém, evidenciaram problemas estruturais que motivaram a mudança de comando. A derrota por 2 a 0 para o Egito, em dezembro, expôs fragilidades defensivas, enquanto o revés para a Sérvia por 1 a 0 confirmou as dificuldades ofensivas da equipe. Estes resultados contrastam com o desempenho nas Eliminatórias Asiáticas, onde a Arábia Saudita terminou em segundo lugar no Grupo C, atrás apenas do Japão.
A estreia de Donis como técnico da seleção saudita acontecerá em março, durante a Data FIFA, quando enfrentará seleções ainda não definidas pela federação. O primeiro teste oficial será contra a Espanha, em 11 de junho de 2026, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, jogo que definirá se a mudança de comando produziu os resultados esperados pela ambiciosa federação saudita.









