O Real Madrid atravessa uma das crises mais complexas da temporada, com Álvaro Arbeloa enfrentando questionamentos sobre sua liderança após uma série de incidentes que expõem fragilidades na gestão do elenco. O empate por 1 a 1 com o Girona no Santiago Bernabéu intensificou as pressões sobre o técnico, que agora lida com atritos internos e críticas severas da imprensa espanhola.
O caso mais emblemático envolve o zagueiro Raúl Asencio, que protagonizou um desentendimento com Arbeloa após perder a titularidade contra o Manchester City na Champions League. Segundo o jornal Marca, Asencio havia se esforçado para atuar contundido contra o Celta de Vigo devido aos desfalques de Militão, Alaba e Huijsen, mas foi preterido no confronto seguinte.
Método controverso gera tensão no vestiário
A situação escalou quando Asencio alegou desconforto muscular antes da partida contra o Elche, interrompendo o cronograma de rodízio planejado por Arbeloa. O técnico, visivelmente irritado, excluiu o zagueiro do jogo contra o Atlético de Madrid e só o reintegrou após exigir um pedido de desculpas público diante de todo o elenco.
De acordo com o levantamento do SportNavo baseado nos dados da imprensa espanhola, essa abordagem de Arbeloa - que incluiu uma provocação durante um treino, perguntando se alguém queria comentar algo enquanto esperava que Asencio se manifestasse - demonstra um estilo de comando que pode estar gerando resistência entre jogadores acostumados a um tratamento mais diplomático.
O Real Madrid possui apenas 70 pontos em LaLiga, seis atrás do líder Barcelona, que ainda tem um jogo a menos na 31ª rodada. Com sete partidas restantes, a distância matematicamente permite uma recuperação, mas o desempenho tático inconsistente preocupa a diretoria merengue.
Imprensa espanhola detona falta de personalidade
As críticas da imprensa madridista foram implacáveis após o tropeço contra o Girona. O jornal Marca publicou matéria com o título "Ensaio de Munique acaba em fiasco", destacando que o Real Madrid demonstrou "falta de futebol e personalidade" na preparação para o confronto decisivo contra o Bayern de Munique.
"Os torcedores não pedem mais futebol. Pedem personalidade. O Girona, bem organizado, conquistou um ponto suado com outro golaço, desta vez de Lemar. Não é difícil expor as fragilidades deste Real Madrid"
O jornal AS também criticou a má fase de Kylian Mbappé e Vinicius Jr., considerando-os "a tábua de salvação da equipe em La Liga e na Liga dos Campeões" mesmo atravessando momento irregular. A dupla ofensiva, que custou mais de 180 milhões de euros ao clube, não consegue estabelecer a conexão esperada no sistema tático de Arbeloa.
Confronto público com arbitragem expõe desgaste
A tensão de Arbeloa também se manifesta em suas relações externas. Após o lance polêmico envolvendo Mbappé e o zagueiro brasileiro Vítor Reis, do Girona, o técnico detonou publicamente o VAR em entrevista coletiva, demonstrando um nível de irritação incomum para os padrões diplomáticos do Real Madrid.
"É pênalti aqui e na lua. O VAR intervém quando lhe convém, e quando não convém, não intervém. Já disse isso e vocês sabem a minha opinião. Foi uma falta clara. Temos tido muitos problemas com a arbitragem"
Essa postura confrontativa, embora compreensível pela pressão dos resultados, indica um desgaste psicológico que pode comprometer a preparação da equipe para os jogos decisivos. A análise técnica mostra que o Real Madrid perdeu compactação defensiva nos últimos jogos, permitindo 1,4 gols por partida nas últimas cinco apresentações.

O Real Madrid enfrenta o Bayern de Munique na quarta-feira, às 16h, na Alemanha, precisando reverter a desvantagem de 2 a 1 do jogo de ida para avançar às semifinais da Champions League. A pressão sobre Arbeloa será máxima, com o futuro de sua permanência no comando dependendo diretamente do resultado na Allianz Arena.

