O cheiro de couro dos sofás do centro de treinamento de Valdebebas ainda carrega a tensão das últimas derrotas. Álvaro Arbeloa, técnico interino do Real Madrid, caminha pelos corredores com a confiança de quem não pretende mexer no time principal para 2026/27. A decisão pode representar uma economia histórica para os cofres merengues.
Com salários que somam € 450 milhões anuais, o plantel atual do Real Madrid representa um dos maiores investimentos do futebol mundial. Mbappé, contratado por € 200 milhões em julho passado, sozinho consome € 50 milhões por temporada. Vini Júnior, renovado até 2030, custa € 35 milhões anuais ao clube.
"Temos um ótimo elenco. Não acho que seja necessária nenhuma grande reformulação para tentarmos competir por títulos novamente", declarou Arbeloa após a eliminação nas quartas da Champions League.
Os números revelam por que o técnico prefere a continuidade. Segundo levantamento do SportNavo, dispensar jogadores como Camavinga (contrato até 2029) e Tchouaméni (vínculo até 2028) custaria € 180 milhões em rescisões. Soma-se a isso os custos de reposição, estimados em pelo menos € 300 milhões para atletas de nível similar.
Plantel custou € 1,2 bilhão nos últimos três anos
O Real Madrid investiu € 1,2 bilhão em contratações entre 2022 e 2024. Bellingham chegou por € 103 milhões, Mbappé por € 200 milhões, e Endrick custou € 72 milhões aos cofres do clube. Reformular esse grupo significaria desperdiçar investimentos recentes e assumir perdas contábeis gigantescas.
As projeções internas do clube mostram que manter o elenco atual até 2027 permitirá amortizar completamente os custos das últimas contratações. Tchouaméni, comprado por € 100 milhões, ainda precisa de três temporadas para justificar o investimento através de desempenho e valorização.
Modric, aos 39 anos, representa o maior símbolo da continuidade. O croata ganha € 12 milhões por temporada e tem contrato até junho de 2025. Renová-lo custaria uma fração do que gastaria para contratar um meio-campista de elite no mercado atual.
Comparação com rivais mostra vantagem financeira
Barcelona e Manchester City, rivais diretos na disputa por talentos, gastaram € 400 milhões e € 350 milhões respectivamente em 2024. O Real Madrid, mantendo o grupo, precisaria investir apenas € 80 milhões em ajustes pontuais, segundo projeções internas vazadas da imprensa espanhola.
A estratégia de Arbeloa encontra respaldo nos departamentos financeiro e de scout do clube. Courtois, Militão e Alaba retornam de lesões graves nas próximas semanas, o que teoricamente fortalece o plantel sem custos adicionais. Eder Militão, especificamente, estava avaliado em € 70 milhões antes da contusão.
"A mentalidade deste clube é sempre olhar para o futuro. No Real Madrid, perder não é aceitável", frisou o treinador, defendendo que a qualidade está presente, apenas mal aproveitada.
Riscos da estratégia conservadora
Manter jogadores em baixa pode custar caro esportivamente. Camavinga acumula seis cartões amarelos e uma expulsão nos últimos dois meses. Vini Júnior, apesar dos 18 gols na temporada, vive sequência irregular desde dezembro, com apenas três gols em dez partidas.
O departamento de análise do Real Madrid identificou que 40% dos jogadores estão abaixo do rendimento esperado. Ainda assim, dispensar atletas como Rodrygo (avaliado em € 120 milhões) ou Valverde (€ 100 milhões) representaria prejuízo imediato nas negociações.
Florentino Pérez, presidente do clube, apoia publicamente a continuidade, mas fontes internas revelam preocupação com a ausência de títulos importantes por duas temporadas consecutivas. A última vez que isso aconteceu foi entre 2002 e 2004, período que culminou com a saída de vários ídolos.
O Real Madrid volta a campo nesta quarta-feira, contra o Getafe, no Santiago Bernabéu, tentando reduzir os nove pontos de desvantagem para o Barcelona em La Liga. Arbeloa precisa provar que o elenco atual justifica os € 2,4 bilhões investidos nos últimos cinco anos.









