O silêncio constrangedor que tomou conta do Maracanã no início de março, quando Arrascaeta desperdiçou um pênalti contra o Nova Iguaçu, parecia ecoar como prenúncio de uma temporada amarga para o camisa 10 rubro-negro. Dois meses depois, o uruguaio de 30 anos protagonizou uma das atuações mais completas da temporada na goleada por 4 a 1 sobre o Independiente Medellín, na quinta-feira (16), rendendo-lhe o título de melhor jogador da segunda rodada da fase de grupos da Libertadores pela Conmebol.

A ressurreição técnica de um ídolo questionado

Entre janeiro e março de 2026, Arrascaeta acumulou apenas dois gols e uma assistência em 12 partidas, números que contrastavam drasticamente com o desempenho que lhe rendeu o prêmio de melhor jogador da Libertadores 2025. As críticas da torcida intensificaram-se após performances apagadas contra Boavista e Bangu no Campeonato Carioca, quando o meia apresentou apenas 68% de acerto nos passes, índice bem abaixo de sua média histórica de 84%.

A virada de chave começou a se desenhar com a chegada de Leonardo Jardim ao comando técnico do Flamengo em abril. O treinador português, conhecido por valorizar jogadores criativos em suas passagens por Monaco e Al-Hilal, implementou um sistema tático que reposicionou Arrascaeta como organizador central das jogadas ofensivas, função que o uruguaio desempenhava com maestria nas temporadas de 2023 e 2024.

Números que comprovam a retomada de forma

Contra o Medellín, Arrascaeta registrou um gol e uma assistência, além de criar cinco chances claras de gol para os companheiros. Os dados coletados pelo SportNavo mostram que o meia completou 47 dos 51 passes tentados (92% de aproveitamento), recuperou sete bolas no meio-campo e acertou quatro dos cinco dribles tentados. A performance lembrou seus melhores momentos com a camisa rubi-negra, especialmente a final da Libertadores 2022 contra o Athletico Paranaense.

Leonardo Jardim não poupou elogios ao camisa 10 após a partida, destacando aspectos que vão além dos números. "Arrascaeta é um jogador que cresce ao longo da temporada. Ele está melhor, em melhor condição física. Hoje fez um gol, podia ter feito mais um ou dois. É um líder em campo, dá uma qualidade extraordinária em campo e tem capacidade de finalização", declarou o técnico em coletiva.

A ressurreição técnica de um ídolo questionado Arrascaeta renasce das cinzas e v
A ressurreição técnica de um ídolo questionado Arrascaeta renasce das cinzas e v

O contexto histórico de uma recuperação emblemática

A trajetória de altos e baixos não é novidade na carreira de Arrascaeta. Em 2020, após a conquista do Brasileiro e da Libertadores, o uruguaio também enfrentou um período de questionamentos, especialmente durante os primeiros meses da gestão Rogério Ceni. Na ocasião, críticos apontavam falta de intensidade física e inconsistência nas finalizações, problemas similares aos observados no início de 2026.

O paralelo com grandes meias sul-americanos que brilharam no futebol brasileiro é inevitável. Assim como Juan Román Riquelme no Boca Juniors e Carlos Valderrama em seus tempos de seleção colombiana, Arrascaeta possui o perfil de jogador que depende da confiança coletiva e do sistema tático para expressar todo seu potencial criativo. A análise do SportNavo indica que 78% de seus melhores jogos pelo Flamengo ocorreram em formações que priorizavam a posse de bola e movimentação constante no meio-campo.

Projeções para o restante da temporada

Com a sequência positiva que incluiu também o gol contra o Bahia no domingo (19), Arrascaeta soma agora quatro participações diretas em gols nos últimos três jogos. O Flamengo entra na quinta fase da Copa do Brasil contra o Vitória nesta quarta-feira (22), às 21h30, no Maracanã, com o uruguaio confirmado entre os titulares e a confiança renovada para buscar o hexacampeonato nacional.