A vitória do Manchester City por 2 a 1 sobre o Arsenal no Etihad Stadium deveria ter mudado drasticamente o cenário da briga pelo título da Premier League. Paradoxalmente, os números da Opta Analytics mantêm os Gunners como amplos favoritos, com 73,04% de chances de conquistar o troféu, contra apenas 26,96% dos Citizens. A explicação reside numa variável que vai além do resultado do clásico: a qualidade dos adversários restantes.

Com cinco rodadas pela frente, o calendário revela uma disparidade notável entre as duas equipes. Enquanto o Arsenal enfrentará três times da metade inferior da tabela - Burnley (19°), West Ham (17°) e Crystal Palace (13°) -, o City terá pela frente um elenco mais robusto, incluindo Aston Villa (4°), atual quarto colocado e candidato à Champions League.

A matemática cruel dos números

O levantamento do SportNavo sobre os próximos adversários expõe a complexidade da reta final inglesa. O Arsenal, que viu sua vantagem derreter com duas derrotas consecutivas para Bournemouth e City, ainda assim possui um fixture mais favorável. Newcastle (14°), Fulham (12°) e os já mencionados completam uma sequência onde apenas um rival - o próprio Newcastle - atravessa momento ascendente.

A matemática cruel dos números Arsenal favorito com 73% de chances mesm
A matemática cruel dos números Arsenal favorito com 73% de chances mesm

Em contraste, o City enfrentará times com motivações distintas. O Burnley aparece no calendário de ambos, mas os Citizens ainda têm pela frente Everton (10°), Brentford (7°) e Bournemouth (8°), além do já citado Aston Villa. Esta é uma sequência que, statistically speaking, apresenta maior grau de dificuldade, especialmente considerando que Unai Emery construiu uma máquina bem oleada em Birmingham.

O peso das partidas restantes

A análise vai além das posições na tabela. O West Ham, 17° colocado e adversário do Arsenal, luta contra a degola com a intensidade característica dos fighting cocks londrinos. Contudo, o momento dos Hammers é de fragilidade defensiva, tendo sofrido 13 gols nos últimos cinco jogos. Uma vulnerabilidade que contrasta com a solidez do Aston Villa, que mantém uma das melhores campanhas como mandante da competição.

O Burnley, paradoxalmente, enfrenta ambos os protagonistas da briga pelo título. Vincent Kompany construiu um projeto interessante em Turf Moor, mas a realidade numérica é implacável: são apenas duas vitórias nos últimos dez jogos. Para o Arsenal, representa uma oportunidade de somar três pontos vitais; para o City, uma obrigação que não pode escorregar.

Calendário europeu como fator decisivo

A Premier League não acontece no vácuo, e aqui reside outra variável fundamental. O Arsenal ainda tem compromissos pela Champions League - enfrenta o Atlético de Madrid no dia 29 de abril -, enquanto o City precisa navegar entre FA Cup e possível classificação europeia. A gestão de elenco torna-se crucial quando cada ponto pode definir o destino do título.

Pep Guardiola, mestre no gerenciamento de competições múltiplas, enfrentará o dilema de rotar jogadores contra adversários teoricamente mais acessíveis como Burnley e Everton. Uma estratégia que funcionou na conquista do triplet, mas que carrega riscos inerentes numa reta final tão equilibrada.

A estatística da Opta reflete não apenas o Arsenal estar na liderança, mas principalmente a qualidade inferior dos adversários restantes. É um cenário where the numbers don't lie, mesmo após a derrota no clásico mais importante da temporada. O Arsenal volta a campo no dia 25 de abril, contra o Newcastle em casa, enquanto o City visita o Burnley no dia 22, numa sequência que pode definir o campeão da Premier League 2023/24.