O técnico Arthur Elias optou pela ousadia máxima na decisão do título da FIFA Series. Na Arena Pantanal, em Cuiabá, às 22h30 desta terça-feira, a Seleção brasileira feminina enfrenta o Canadá com cinco jogadoras naturalmente ofensivas: Aline Gomes, Ludmila, Dudinha, Tainá Maranhão e Kerolin. A formação representa uma ruptura com padrões táticos tradicionalmente adotados pela equipe nacional em confrontos decisivos.
A escalação oficial confirma o sistema 4-3-5 com Lelê; Isa Haas, Lauren e Thaís Ferreira; Angelina, Duda Sampaio e Ary Borges; Aline Gomes, Ludmila, Dudinha, Tainá Maranhão e Kerolin. Historicamente, a Seleção feminina jamais havia adotado formação com cinco atacantes em uma final de torneio oficial. Mesmo na conquista da Copa América de 2022, sob o comando de Pia Sundhage, o Brasil utilizou no máximo quatro jogadoras ofensivas simultaneamente.

Quinze anos sem título em casa pedem arrojo tático
A última vez que a Seleção feminina conquistou um título jogando em território nacional foi em 2010, quando venceu a Copa América no Equador com uma campanha de seis vitórias em seis jogos. Desde então, as campanhas em solo brasileiro ou sul-americano não renderam troféus: vice-campeonato olímpico em 2021 e eliminação nas quartas da Copa do Mundo de 2023. A FIFA Series representa a primeira oportunidade de quebrar esse jejum de 15 anos.
Arthur Elias, que assumiu a equipe em setembro de 2023, possui histórico de 18 vitórias, 4 empates e 3 derrotas em 25 jogos no comando da Seleção. Sua gestão apresenta aproveitamento de 76%, superior aos 71,4% de Vadão (2014-2019) e aos 68,9% de Oswaldo Alvarez (2019-2022). A formação com cinco atacantes representa o ponto mais radical de sua filosofia ofensiva, que já havia se manifestado na goleada de 4-0 sobre a Jamaica em outubro.
Sistema ofensivo explora velocidade das pontas
O esquema tático proposto distribui as cinco atacantes em diferentes zonas: Kerolin e Aline Gomes atuarão pelas extremidades, explorando a velocidade nos contra-ataques; Ludmila e Dudinha ocuparão posições mais centralizadas, com liberdade para flutuar entre as linhas; Tainá Maranhão funcionará como referência de área, aproveitando sua estatura de 1,73m para disputas aéreas. Essa distribuição busca sobrecarregar numericamente o sistema defensivo canadense, que tradicionalmente joga com linha de cinco defensores.
Segundo apuração do SportNavo, a estratégia de Arthur Elias considera que o Canadá de Casey Stoney sofreu 14 gols em seus últimos oito jogos, média de 1,75 por partida. A fragilidade defensiva das canadenses nas transições rápidas motivou a opção pelo volume ofensivo. Kadeisha Buchanan e Vanessa Gilles, zagueiras titulares do Canadá, enfrentarão o maior teste de velocidade e movimentação de suas carreiras recentes.
Empate garante título inédito da FIFA Series
A situação da tabela favorece a proposta ofensiva brasileira. Com seis pontos conquistados nas duas primeiras rodadas, a Seleção precisa apenas de um empate para garantir o título da FIFA Series, competição criada pela FIFA em 2023. O Canadá, também com seis pontos, obrigatoriamente precisa vencer para ser campeão, o que teoricamente deixará espaços defensivos para serem explorados pelo quinteto ofensivo de Arthur Elias.
Na história dos confrontos diretos, Brasil e Canadá se enfrentaram 26 vezes desde 1986, com 14 vitórias brasileiras, 7 empates e 5 derrotas canadenses. O último encontro, válido pelas Olimpíadas de Paris-2024, terminou empatado em 1-1, com gol de Gabi Nunes para o Brasil e Adriana Leon para o Canadá. A partida desta terça-feira marca o primeiro confronto entre as seleções em solo brasileiro desde 2019.
A conquista do título da FIFA Series representaria o primeiro troféu oficial da gestão Arthur Elias e encerraria um jejum de títulos que se estende desde a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio-2021. O duelo na Arena Pantanal terá transmissão da TV Globo, SporTV e Globoesporte.com, com expectativa de público superior a 35 mil torcedores.










