O Athletic-MG descobriu na prática como uma regra aparentemente burocrática pode determinar o destino de um clube na Copa do Brasil. Obrigado a transferir seu jogo de ida das oitavas de final para Florianópolis por conta da capacidade insuficiente de seu estádio, o Joaquim Portugal (6 mil lugares), o time mineiro viu sua vantagem de mando se evaporar na derrota por 2 a 1 para o Internacional no Orlando Scarpelli.

Regulamento expõe diferença estrutural entre clubes

A exigência da CBF de estádios com pelo menos 10 mil lugares a partir da quinta fase da Copa do Brasil evidencia o abismo de infraestrutura que separa grandes centros de cidades menores. São João del Rei, com seus 90 mil habitantes, abriga um Athletic que chegou às oitavas eliminando Rio Branco-ES, Ypiranga-RS e Sport, mas não possui estrutura física para sediar jogos dessa magnitude. A transferência para Santa Catarina representou não apenas uma mudança geográfica, mas uma ruptura com toda a identidade local que poderia favorecer a equipe.

Em números concretos, o impacto foi imediato. O Athletic abriu o placar aos 15 minutos com Kauan Rodrigues, aproveitando passe de Ronaldo Tavares após falha da defesa colorada. Por 16 minutos, o clube da Série B estava fazendo valer sua condição de mandante, mesmo em campo neutro. Porém, a pressão do Internacional, time acostumado a jogar longe de casa em competições nacionais, se mostrou mais consistente.

Regulamento expõe diferença estrutural entre clubes Athletic-MG perde força em F
Regulamento expõe diferença estrutural entre clubes Athletic-MG perde força em F

Vantagem psicológica perdida em solo catarinense

Bruno Henrique empatou aos 31 minutos do primeiro tempo, finalizando após tabela com Alerrandro, e Bernabei completou a virada aos 17 da segunda etapa, interceptando passe na lateral e finalizando no canto após devolução de Alan Patrick. O que deveria ser uma fortaleza para o Athletic se transformou em território hostil, com a equipe mineira perdendo intensidade conforme o jogo avançava.

Vantagem psicológica perdida em solo catarinense Athletic-MG perde força em Flor
Vantagem psicológica perdida em solo catarinense Athletic-MG perde força em Flor

A análise do SportNavo mostra como a mudança de estádio afeta especialmente clubes menores, que dependem mais do apoio da torcida local e do conhecimento do campo. Enquanto o Internacional soma experiência em jogos fora de casa por todo o país, o Athletic construiu sua campanha na Copa do Brasil principalmente com a força de seu estádio em São João del Rei, onde eliminou adversários teoricamente superiores.

Desvantagem logística compromete preparação

Além do aspecto psicológico, a mudança trouxe complicações logísticas significativas. O Athletic precisou se deslocar para Florianópolis, adaptando rotina de treinamentos e hospedagem, enquanto perdeu o apoio de sua torcida organizada. Em contraste, o Internacional, acostumado a viajar pelo Brasil em competições nacionais, manteve seu padrão de preparação para jogos como visitante.

O resultado coloca o Athletic em situação delicada para o jogo de volta, marcado para 12 de maio no Beira-Rio. Com a derrota por 2 a 1, o time mineiro precisa vencer por pelo menos dois gols de diferença em Porto Alegre para avançar, ou ganhar por um gol para levar a decisão aos pênaltis. Uma missão que se tornou ainda mais complexa após perder a oportunidade de construir vantagem em casa.

A situação do Athletic ilustra um problema recorrente na Copa do Brasil: clubes menores que chegam longe na competição esbarram em limitações estruturais que comprometem suas chances de fazer história. Antes de enfrentar o Internacional no Beira-Rio, o Athletic volta suas atenções para a Série B, onde recebe o Náutico na segunda-feira, dia 27 de abril, buscando manter o foco na competição que representa sua principal prioridade da temporada.