"Não adianta escalar os melhores se a equipe continua cometendo os mesmos erros de sempre." A frase circulou nos comentários do perfil oficial do Atlético-MG no Instagram logo após o apito final — e ela resume com precisão cirúrgica o que aconteceu na partida contra o Juventud pela Copa Sul-Americana.

O Galo que estava vencendo e o Galo que tomou o empate

Atlético-MG 2 a 2 Juventud. O placar parece equilibrado, mas a forma como chegou é o que preocupa. O time de Eduardo Domínguez abriu 2 a 0, controlava o jogo e viu a vantagem evaporar em menos de dez minutos na reta final. Dois gols sofridos em sequência, com a defesa exposta, linhas abertas e a sensação de que o time simplesmente parou de jogar quando tinha o resultado no bolso.

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Alan Minda foi o destaque positivo: após uma bola rebatida na área, finalizou de primeira por cobertura — percebeu o goleiro adiantado e não hesitou. O equatoriano já vinha se destacando nas últimas rodadas e voltou a justificar a confiança da comissão técnica. O segundo gol saiu de bola parada, uma das poucas saídas ofensivas da segunda etapa.

Quando joga no detalhe e consegue superar a pressão adversária com passes rápidos, o Atlético chega ao ataque com perigo. Quando recua e entrega a iniciativa ao rival, ele sangra pelos mesmos pontos de sempre.

Domínguez apostou no time titular e a aposta não se pagou

A decisão de Eduardo Domínguez foi clara: força máxima. Até então, nas partidas fora de casa pela Sul-Americana, o técnico argentino vinha preservando titulares e escalando times mistos. Diante do Juventud, precisando de resultado, ele mudou a estratégia.

A escalação foi praticamente idêntica à que venceu o Cruzeiro no Brasileirão: Everson; Natanael, Lyanco, Ruan, Vitor Hugo e Lodi; Maycon (depois Tomás Pérez), Alan Franco e Bernard (depois Gustavo Scarpa); Alan Minda (depois Dudu) e Cassierra (depois Reinier). A única alteração em relação ao duelo com o rival mineiro foi a entrada de Vitor Hugo no lugar de Junior Alonso na defesa.

A lógica fazia sentido: time que venceu o clássico, com ritmo e entrosamento, precisava confirmar a qualidade em campo continental. O problema é que a interpretação dominante — "escalar os titulares resolve" — esbarrou numa realidade tática recorrente que o SportNavo vem monitorando ao longo desta temporada: o Atlético apresenta fragilidade sistêmica quando pressionado na saída de bola, independentemente de quem está em campo.

O Juventud aplicou marcação alta desde o início. O time mineiro teve dificuldades para construir, errou passes na linha defensiva e, em vários momentos, simplesmente rifou a bola para se livrar da pressão. Everson foi o principal obstáculo para que os uruguaios não saíssem na frente nos primeiros minutos — o goleiro fez intervenções decisivas quando o ataque adversário chegava com perigo.

"A equipe precisa aprender a administrar resultados. Chegar a 2 a 0 e tomar dois gols em seguida não é acidente — é comportamento", apontou a análise pós-jogo do setor de dados do clube, segundo fontes próximas à comissão técnica.

A classificação em risco e o peso dos erros repetidos

Com o empate, a situação do Atlético no grupo da Copa Sul-Americana se tornou delicada. A classificação para a próxima fase está ameaçada, e o time agora depende de resultados combinados para avançar.

Tem um ditado que cabe aqui como uma luva: "quem não tem cão caça com gato". O Galo entrou com seus melhores jogadores, o equivalente a ter o cachorro da casa, e ainda assim foi incapaz de fechar o jogo. Quando o time titular não consegue segurar uma vantagem de dois gols, a discussão sobre qualidade de elenco perde espaço para a discussão sobre comportamento tático e organização defensiva.

Os números reforçam a preocupação: dois gols sofridos em menos de dez minutos, com a defesa cedendo espaço após o segundo gol do Atlético. A linha de quatro com Natanael, Lyanco, Ruan e Vitor Hugo foi exposta nas transições, especialmente quando o time recuou no segundo tempo e entregou a posse ao Juventud.

"Controlamos o jogo por longos períodos, mas no momento decisivo faltou concentração coletiva", reconheceu uma fonte do departamento de análise de desempenho do clube, sem citar nomes.

Quando o Atlético mantém a intensidade e pressiona alto, ele é um adversário difícil para qualquer time do continente. Quando administra resultado com linhas baixas e postura passiva, ele vira alvo fácil para qualquer equipe organizada — e o Juventud, mesmo sem brilho, soube explorar exatamente esse espaço.

A síntese é incômoda: não é falta de qualidade no elenco. É falta de consistência tática num momento específico do jogo. Domínguez tem ferramentas. Tem Everson, que foi o melhor em campo por um bom tempo. Tem Alan Minda, que resolveu no detalhe técnico. Tem Scarpa e Reinier no banco para mudar o jogo. Mas ter peças boas não resolve um comportamento defensivo que se repete há semanas.

O Atlético-MG volta a campo pelo grupo da Sul-Americana na próxima rodada, quando recebe o Juventud no Brasil — uma final antecipada para o Galo, que precisa vencer para manter chances reais de classificação. Qualquer tropeço em casa pode encerrar a participação do clube na competição ainda na fase de grupos.