Trinta por cento da renda de uma partida consumidos só com segurança privada. Esse é o retrato financeiro que os borderôs do Atlético-MG revelam na Arena MRV — e que coloca o clube mineiro em posição isolada entre os times com estádio próprio no Brasileirão.

O que os borderôs da Arena MRV escondiam

Em sete jogos analisados pela ESPN, o Atlético desembolsou entre R$ 139 mil e R$ 313 mil por partida apenas com segurança privada. O pico foi registrado no confronto contra o Internacional, que reuniu 10.132 torcedores — o menor público da história do estádio. O custo unitário chegou a R$ 13,72 por pessoa presente.

O que os borderôs da Arena MRV escondiam Atlético-MG gasta até 4x mais com segur
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A renda total daquele jogo foi de R$ 454.202,85. Ou seja, 30% do faturamento bruto da bilheteria foi absorvido pelo gasto com segurança — antes de qualquer outra despesa operacional.

Para efeito de comparação direta: na partida entre São Paulo e Bahia no Morumbis, com 15.135 torcedores, o custo com segurança foi de R$ 30.365, cerca de R$ 2 por torcedor. A diferença percentual entre os dois valores por cabeça chega a 457%.

Grandes públicos também mostram disparidade no Galo

A discrepância não se limita a jogos com baixo público. O maior público registrado em estádio privado no Brasileirão desta temporada foi o clássico São Paulo x Palmeiras no Morumbis: 54.058 torcedores e custo de segurança de R$ 136.871.

No maior público da Arena MRV no Brasileiro — a vitória do Atlético sobre o São Paulo, com 36.839 presentes —, o gasto foi de R$ 215.990,23. O Galo gastou R$ 79 mil a mais com 17 mil torcedores a menos.

Há ainda um dado que resume bem o problema: o valor gasto na partida com o menor público da Arena MRV (R$ 139 mil, aproximadamente) supera o gasto do maior público em estádio privado no Brasileiro. Como em Moneyball, quando os números confrontam o senso comum, alguém tem que explicar a conta.

O SportNavo apurou que, segundo fontes do setor de segurança privada em Belo Horizonte, contratos firmados para novos estádios costumam incluir cláusulas de volume mínimo de efetivo independentemente do público — o que pode explicar parte da rigidez dos custos fixos do Atlético.

Grandes públicos também mostram disparidade no Galo Atlético-MG gasta até 4x mai
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Clássico mineiro e a resposta do Atlético à metodologia

Os dados ficam ainda mais expressivos quando se observa o clássico contra o Cruzeiro, válido pela primeira fase do Campeonato Mineiro — o maior público da Arena MRV no período analisado. Com 39.332 torcedores e torcida dividida (10% de cruzeirenses), o gasto com segurança atingiu R$ 328.566,65.

O Atlético-MG, ao ser questionado sobre os números, contestou a metodologia utilizada na comparação. O clube não divulgou publicamente os critérios que, segundo ele, tornariam o paralelo inadequado — como diferenças nos modelos de contratação de segurança, exigências da Polícia Militar estadual ou especificidades do entorno da Arena MRV.

"O Atlético-MG questionou o método da comparação", registrou a ESPN, sem que o clube apresentasse dados alternativos que contradissessem os valores brutos dos borderôs.

A contestação metodológica é legítima: comparar custo por torcedor entre estádios com capacidades, localizações e históricos de incidentes distintos exige ressalvas. O Morumbis tem capacidade para 66.795 torcedores contra 44.414 da Arena MRV, e a diluição de custos fixos em públicos maiores naturalmente reduz o valor per capita.

Mas os números brutos por partida também são desfavoráveis ao Galo — e o clube ainda não apresentou uma explicação que justifique, por exemplo, gastar R$ 139 mil em segurança para 10 mil pessoas.

O impacto financeiro é concreto: se o Atlético mantiver essa média ao longo de uma temporada com 19 mandos de campo no Brasileirão, o gasto anual com segurança privada pode ultrapassar R$ 4 milhões — valor que, em termos de mercado europeu, equivale a pouco mais de € 700 mil ao câmbio atual. Para um clube com dívida declarada na casa dos R$ 1,7 bilhão, cada linha de custo operacional tem peso relevante na equação financeira. O próximo jogo do Atlético na Arena MRV, pelo Brasileirão, será mais um teste para verificar se os valores dos borderôs seguem a mesma trajetória.