Uma derrota, uma expulsão e uma ausência que cada vez mais parece definitiva. O Atlético-MG perdeu por 1 a 0 para o Cienciano, nesta quarta-feira (29), no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, em Cusco, a 3.400 metros de altitude, e amargou o último lugar do Grupo B da Copa Sul-Americana com 3 pontos em três rodadas. Mais do que o placar, foi a primeira derrota do clube mineiro para uma equipe peruana na história das competições sul-americanas.

A engrenagem tática que não funcionou

O Atlético entrou em campo com formação inteiramente reserva — decisão compreensível dado o calendário, mas que expôs fragilidades estruturais sérias. O Cienciano assumiu o controle da linha de pressão desde os primeiros minutos, compactando o meio-campo e limitando as saídas de bola do Galo para a transição ofensiva.

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O gol saiu aos 29 minutos do primeiro tempo: Hohberg cobrou lateral pela esquerda para Barreto, que cruzou com efeito. A defesa atleticana não conseguiu cortar, e Bandiera concluiu. Antes da abertura do placar, Hohberg já havia exigido intervenção de Preciado em lance cara a cara com Everson — o goleiro foi o principal responsável por evitar um placar mais elástico, com ao menos duas defesas fundamentais.

Aos 12 minutos do segundo tempo, Preciado recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Com um jogador a menos por quase toda a etapa final, qualquer tentativa de transição ofensiva organizada ficou inviabilizada. O Galo ficou encurralado no próprio campo, sem pivô fixo e sem profundidade nas linhas de passe.

"Creio que fizemos uma partida correta. Praticamente o que tínhamos planejado a nível tático. Sofremos um gol ali no final do primeiro tempo de um cruzamento, então isso foi o que marcou a diferença e fizemos um grande esforço com um a menos por muito tempo. Lamentavelmente, não pudemos reverter esse resultado", analisou o zagueiro Júnior Alonso após o apito final.

A análise do defensor argentino aponta para um problema recorrente: o Atlético controlou o planejamento tático inicial, mas a variável da expulsão — somada à altitude e à desvantagem no marcador — colapsou qualquer estrutura defensiva coerente.

A saída de Hulk e o vácuo de liderança

Hulk não viajou ao Peru. O camisa 7 tem acordo encaminhado com o Fluminense e, segundo apuração do SportNavo, sua última partida pelo Atlético foi provavelmente o duelo contra o Ceará pela Copa do Brasil. O atacante atingiu o limite de 12 jogos no Brasileirão pelo Galo, o que o impede de atuar em outra equipe na competição nacional, acelerando a ruptura.

Os números de Hulk pelo clube são expressivos: 309 partidas, 140 gols e um currículo que inclui o Brasileirão e a Copa do Brasil de 2021, a Supercopa do Brasil de 2022 e cinco Campeonatos Mineiros (2021, 2022, 2023, 2024 e 2025). A saída retira do elenco um referencial ofensivo que, mesmo com rendimento oscilante nos últimos meses, cumpria função de pivô e de referência nos momentos de pressão adversária.

A lacuna tática é real. Sem Hulk, o Atlético perde o jogador que mais centralizava a fase ofensiva em situações de compactação defensiva do adversário. O técnico Renato Gaúcho precisará redistribuir essas responsabilidades em um elenco que ainda absorve o impacto da goleada de 4 a 0 sofrida para o Flamengo, pelo Brasileirão, dias antes da viagem ao Peru.

A matemática da eliminação

O regulamento da Sul-Americana não oferece margem: apenas o líder de cada grupo avança diretamente às oitavas de final. O segundo colocado disputa um playoff contra equipes eliminadas da Libertadores. O Cienciano lidera o Grupo B com 7 pontos. O Atlético está em último com 3.

A diferença de 4 pontos para o líder, com três rodadas ainda a disputar, não é matematicamente irreversível — mas exige uma sequência perfeita. A análise do SportNavo mostra que o perfil de posse ofensiva demonstrado pelo Cienciano na partida (domínio territorial em boa parte do primeiro tempo, com finalizações qualificadas dentro da área) indica um adversário tecnicamente acima do esperado para uma equipe peruana neste estágio da competição.

"É muito difícil remontar um resultado com um a menos, mas era o que tocava fazer. Lamentavelmente não podemos levar um ponto deste lugar e agora somente pensar na próxima partida", completou Alonso.

O cenário exige que o Atlético vença as três rodadas restantes e torça por tropeços do Cienciano — probabilidade baixa, mas não nula.

A engrenagem tática que não funcionou Atlético-MG na lanterna da Sul-Americana
A engrenagem tática que não funcionou Atlético-MG na lanterna da Sul-Americana

O que vem pela frente

Antes de voltar à Sul-Americana, o Galo tem compromisso imediato pelo Brasileirão: o clássico contra o Cruzeiro, no sábado (2), às 21h, no Mineirão. Renato Gaúcho deve promover mudanças significativas na escalação e reintegrar os titulares poupados na viagem a Cusco.

Na terça-feira (5), o Atlético visita o Juventud, do Uruguai, pela quarta rodada da Sul-Americana — partida que se torna praticamente obrigatória em termos de resultado. Uma derrota ou empate coloca o Galo em situação de eliminação antecipada, independentemente do desfecho das rodadas finais.