O silêncio que tomou conta do vestiário atleticano após a derrota por 2 a 0 para o Coritiba, no último domingo, carrega o peso de uma estatística alarmante: o Atlético-MG sofreu seu décimo gol de bola parada em apenas doze jogos do Campeonato Brasileiro. A falha bizarra de Lyanco no segundo tempo, que resultou no gol de Pedro Rocha após pressão do atacante, simboliza uma crise defensiva que vai muito além de erros pontuais.
Os números revelam a dimensão do problema. Com 14 pontos em 12 rodadas, o Galo ostenta a pior defesa entre os dez primeiros colocados da tabela. Segundo levantamento do SportNavo, 70% dos gols sofridos pela equipe de Gabriel Milito nasceram de erros individuais na marcação, transformando cada escanteio ou falta lateral em uma ameaça real ao sistema defensivo mineiro.
A anatomia de uma defesa em colapso
O primeiro gol do Coritiba no Couto Pereira ilustra perfeitamente a vulnerabilidade atleticana. Após cobrança de escanteio de Josué pela esquerda, Breno Lopes disputou na primeira trave com seu marcador e, na sobra, completou do jeito que deu para fazer 1 a 0. Era o décimo gol de bola parada sofrido pelo Atlético em 2024, uma média de 0,83 por jogo que coloca a equipe entre as mais frágeis defensivamente do campeonato.
A situação se agravou no segundo tempo com o lance que definiria a partida. Lyanco, pressionado por Pedro Rocha na defesa, tentou um passe perigoso que acabou batendo no atacante e seguindo direto para o gol. Everson, posicionado um pouco à direita na expectativa de um possível passe, não conseguiu defender. O gol aos 14 minutos do segundo tempo selou a segunda derrota consecutiva do Galo, que havia perdido para o Santos na rodada anterior.
Gabriel Milito herdou uma defesa que, teoricamente, reunia experiência e qualidade técnica. Everson consolidou-se como titular da seleção brasileira, enquanto o setor defensivo conta com peças como Lyanco, que chegou com credenciais do futebol europeu, e Renan Lodi, lateral-esquerdo com passagem pelo Atlético de Madrid. Paradoxalmente, a soma das partes tem resultado em uma equação defensiva desastrosa.
O fantasma das bolas paradas
A fragilidade em lances de bola parada não é fenômeno recente no futebol brasileiro, mas raramente assumiu proporções tão críticas quanto as observadas no Atlético-MG desta temporada. Dos dez gols sofridos nestas situações, sete resultaram de falhas na marcação individual, dois de coberturas mal executadas e apenas um pode ser creditado à qualidade excepcional da jogada adversária.
Conforme análise do SportNavo, o padrão se repete: defesa mal posicionada, marcação individual falha e coberturas inexistentes transformam cada escanteio em uma loteria perigosa. O sistema defensivo implementado por Milito, que privilegia a saída de bola e a construção desde o campo de defesa, parece vulnerável quando a equipe precisa reorganizar-se rapidamente após perder a posse.
A expulsão de Renan Lodi nos minutos finais contra o Coritiba, após confusão com Renato Marques, adiciona mais um elemento de preocupação. O lateral-esquerdo, peça importante no esquema tático de Milito, acumula cartões e suspensões que comprometem a estabilidade da defesa atleticana.
Milito e o desafio da reconstrução
Gabriel Milito assumiu o comando técnico do Atlético-MG com a missão de implementar um futebol mais propositivo e ofensivo. O sistema tático baseado na posse de bola e na construção elaborada das jogadas, contudo, tem exposto fragilidades defensivas que o treinador argentino ainda não conseguiu corrigir. Em doze jogos, são 18 gols sofridos - uma média de 1,5 por partida que coloca o time mineiro entre os mais vazados da competição.

O técnico conta com um elenco que, no papel, deveria apresentar solidez defensiva superior. Hulk, Renan Lodi e os recém-chegados representam investimentos significativos que não se traduziram em melhoria no aspecto defensivo. A pressão aumenta especialmente porque o Atlético-MG tradicionalmente figura entre os candidatos ao título brasileiro.
Os próximos compromissos serão cruciais para definir se Milito consegue encontrar soluções para a fragilidade defensiva. Na quarta-feira, às 19h, o Atlético recebe o Ceará na Arena MRV pela Copa do Brasil, enquanto no domingo seguinte enfrenta o Grêmio pela 13ª rodada do Brasileirão, dois jogos que podem determinar o rumo da temporada atleticana.










