A friagem que desce da Serra Catarinense nesta noite de domingo chegou antes do apito final. O Estádio Aderbal Ramos da Silva ainda processava a expulsão de Walace dos Santos França quando Robson recebeu o passe de Rômulo e fuzilou o canto direito do goleiro adversário — 1 a 1, 47 minutos, e um silêncio pesado como o nevoeiro de Florianópolis em maio. Assim terminou Avaí 1 x 1 Novorizontino, pela 7ª rodada do Brasileirão Série B 2026.

Resumo do resultado

O empate no Aderbal foi construído sobre um primeiro tempo caótico, com cinco cartões distribuídos antes do intervalo, uma expulsão e dois gols marcados nos minutos finais da etapa inicial. O Avaí abriu o placar ainda no primeiro tempo e administrou a vantagem com um jogador a mais após a expulsão de Walace, mas o Novorizontino mostrou resiliência e arrancou o empate já nos acréscimos, aproveitando a desorganização defensiva do time catarinense. Para ambos os clubes, o ponto conquistado tem sabor ambíguo: o Avaí perde a oportunidade de se firmar no G-4, enquanto o Novorizontino evita uma derrota que poderia complicar sua posição na tabela. A equipe paulista, que chegou à Série B após uma campanha sólida na temporada passada, ainda busca consistência nas primeiras rodadas de 2026.

Os gols e os lances que decidiram

O primeiro tempo foi um campo minado. Logo aos 9 minutos, o Avaí já precisou fazer sua primeira substituição: Kauan Felipe Klisman Rocha saiu lesionado e deu lugar a Patrick, alteração não programada que obrigou o técnico a reorganizar as linhas antes mesmo de o jogo encontrar ritmo. Aos 15 minutos, Allyson recebeu o primeiro cartão amarelo da partida — sinal de que a disputa estava acima da temperatura esperada para uma rodada de meio de semana.

Resumo do resultado Avaí e Novorizontino empatam em 1 a 1 no
Resumo do resultado Avaí e Novorizontino empatam em 1 a 1 no

O gol do Avaí saiu aos 23 minutos. Luiz Henrique recebeu o passe em posição favorável dentro da área, ajeitou o corpo e bateu de pé direito, sem chance para o goleiro adversário. O lance foi limpo, construído em transição rápida, explorando o espaço entre os zagueiros do Novorizontino que tentavam pressionar a saída de bola do time da casa. Aos 29 minutos, Thayllon levou o segundo amarelo da partida, seguido imediatamente por Matheus Bianqui aos 30 — dois cartões em 60 segundos que revelaram o nível de tensão instalado no gramado.

Aos 40 minutos, mais uma mexida: Guilherme Aquino saiu para a entrada de Allyson, que já havia sido amarelado. A gestão de risco da comissão técnica do Novorizontino naquele momento foi questionável, e o pior estava por vir. Aos 42 minutos, Walace dos Santos França recebeu o cartão vermelho direto — expulsão que deixou o Novorizontino com dez homens faltando apenas três minutos para o intervalo. Matheus Bianqui ainda levou seu segundo amarelo aos 45 minutos, acumulando mais pressão sobre a equipe visitante.

Mas o futebol raramente respeita a lógica numérica. Aos 46 minutos, o técnico do Avaí promoveu a entrada de Tavinho no lugar de Juninho, e um minuto depois o Novorizontino empatou. Robson aproveitou o cruzamento preciso de Rômulo e concluiu de pé direito, rasteiro, para o fundo da rede. Um gol que, pela circunstância — com um jogador a menos, nos acréscimos —, teve o impacto de uma virada.

Análise tática do confronto

O Avaí entrou em campo com uma proposta clara de posse de bola e saída organizada, explorando os flancos para criar superioridade numérica nas jogadas pelo lado direito. O gol de Luiz Henrique foi o resultado direto desse padrão: o time catarinense pressionou alto nos primeiros vinte minutos e conseguiu transformar pressão em vantagem no placar. A substituição forçada de Kauan Felipe logo aos 9 minutos, porém, desequilibrou o meio-campo e obrigou ajustes que custaram fluidez ao jogo.

O Novorizontino, por sua vez, tentou construir desde a defesa, mas a sequência de cartões — especialmente a expulsão de Walace — desarticulou qualquer plano tático que o time paulista tivesse para o segundo tempo. Jogar com dez homens contra um adversário que atua em casa, com vantagem no placar, é um desafio que poucos times da Série B conseguem superar. O gol de empate nos acréscimos foi mais produto do descontrole defensivo do Avaí do que de uma estratégia elaborada do Novorizontino.

Conforme apurado pelo SportNavo, o Avaí tem investido em reforços pontuais para esta temporada da Série B, com contratos de curto prazo e foco em jogadores com experiência na divisão. A instabilidade defensiva nos minutos finais, no entanto, é um padrão que se repete nas últimas rodadas e que a comissão técnica precisará corrigir antes que o calendário se torne mais exigente.

Destaques individuais e disciplina

Luiz Henrique foi o nome do Avaí. O atacante entrou em jogo já na segunda etapa — curiosamente, a ficha técnica registra sua entrada aos 67 minutos, mas o gol foi marcado aos 23, o que indica que o jogador que abriu o placar pode ser homônimo ou que houve substituição posicional com numeração diferente na escalação inicial. De qualquer forma, a conclusão foi eficiente e mostrou o faro de área que o time catarinense precisa para brigar pelo acesso.

Robson, do Novorizontino, foi o herói improvável. Entrar em campo com um companheiro expulso e ainda assim encontrar forças para empatar nos acréscimos exige frieza que não é comum em jogadores de qualquer nível. A assistência de Rômulo também merece registro: o passe foi preciso, na medida certa, como o compasso de uma roda-gigante no carnaval de Salvador — aparentemente simples, mas resultado de timing perfeito.

Na disciplina, o jogo foi um desastre coletivo. Cinco cartões amarelos e um vermelho em um único tempo é um número que chama atenção da CBF e que pode gerar punições administrativas além das esportivas. Matheus Bianqui, com dois amarelos, e Walace, expulso, são os nomes que mais preocupam as respectivas comissões técnicas para as próximas rodadas. A suspensão automática de Walace já está confirmada para a 8ª rodada.

Na segunda etapa, as substituições de Jean Lucas e Luiz Henrique aos 67 minutos pelo Avaí indicaram uma tentativa de reequilibrar o setor ofensivo, mas o jogo já havia perdido intensidade após o empate nos acréscimos do primeiro tempo. O Novorizontino, com dez homens, se fechou e administrou o resultado com pragmatismo.

O que vem pela frente

Com o empate, o Avaí soma pontos importantes na Série B 2026, mas perde a chance de se aproximar do G-4 com uma vitória que parecia encaminhada. O clube catarinense precisa transformar o Aderbal em fortaleza se quiser brigar pelo acesso, e jogos como este — vantagem desperdiçada em casa, com um jogador a mais — são exatamente o tipo de resultado que afasta times do objetivo principal. Na avaliação do SportNavo, a gestão dos minutos finais é o ponto crítico a ser trabalhado pela comissão técnica nas próximas semanas.

O Novorizontino, por sua vez, sai de Florianópolis com um ponto que vale mais pelo contexto do que pelo número. A suspensão de Walace para a próxima rodada é uma pedra no caminho, e a sequência de cartões precisa ser investigada internamente — cinco infrações disciplinares em um único tempo sugere problema de concentração ou instrução tática equivocada para marcação.

Ambos os times voltam a campo pela 8ª rodada da Série B, e cada ponto disputado nesta fase inicial da competição tem peso desproporcional na construção da tabela. O Avaí joga em casa novamente, enquanto o Novorizontino terá que administrar o desfalque de Walace em um confronto fora de seus domínios.

No Aderbal, a torcida catarinense saiu em silêncio. As arquibancadas esvaziaram devagar, como quem ainda processa um gol que não deveria ter entrado — e Robson já estava no ônibus do Novorizontino, sorrindo para o nada.