Todo mundo sabe que o Grêmio está no Z-4 com 17 pontos após 15 rodadas. O que poucos esperavam é que a rota até aqui passaria pela destruição sistemática justamente do setor que deveria ser a espinha dorsal do time: a zaga. Dois jogadores, dois episódios graves, e uma torcida que perdeu a paciência.
O carrinho que abriu a ferida no vestiário gremista
No duelo diante do Ceará, na Arena do Grêmio pelo Brasileirão 2026, o zagueiro Fabián Balbuena foi atingido por um carrinho do atacante Aylon — ex-jogador do Inter — que acertou em cheio seu tornozelo direito. O paraguaio ficou caído no gramado com evidentes sinais de dor, foi atendido fora de campo e não voltou mais. Saiu para o vestiário amparado por membros do staff, sem sequer retornar ao banco.
A substituição imediata foi Wagner Leonardo, que vinha perdendo a titularidade para o próprio Balbuena nas semanas anteriores. O técnico Mano Menezes tinha ainda Jemerson como única outra opção no setor — jogador que acumula críticas constantes de torcida e imprensa ao longo da temporada.
Wagner Leonardo no Morumbis e a expulsão que definiu o placar
Antes mesmo da lesão de Balbuena, a dupla já havia sido alvo de protestos após a derrota por 2 a 0 para o São Paulo no Morumbis, pela 3ª rodada do Brasileirão. Naquela partida, Wagner Leonardo foi expulso logo no primeiro minuto do segundo tempo ao derrubar Calleri e interromper um contra-ataque. O Grêmio jogou mais de 45 minutos com um a menos e não conseguiu reverter o placar.
A reação nas redes sociais foi imediata. "Entra ano e sai ano e o Grêmio não tem zagueiro. Wagner Leonardo e Balbuena foram decisivos a garantir a vitória do São Paulo no Morumbis", escreveu um torcedor, sintetizando o sentimento predominante entre a torcida tricolor. Outro foi ainda mais direto: "Não temos zaga, não temos goleiro. Resumindo: não temos defesa."
Balbuena pede calma, mas os números não ajudam o argumento
Após a derrota por 1 a 0 para o Flamengo, que empurrou o Grêmio para a abertura da zona de rebaixamento, Balbuena concedeu entrevista ao Premiere e reconheceu o descontentamento da torcida — sem, contudo, aceitar a narrativa de colapso tático.
"A gente tentou e criou chances, mas saímos igual ao torcedor: chateados pela derrota. Mas agora é o momento de ter tranquilidade e continuar trabalhando. A gente sabe que tem muita coisa para melhorar", declarou o paraguaio.
O zagueiro também defendeu o sistema com três defensores adotado por Mano Menezes, argumentando que a estrutura havia gerado estabilidade antes das rodadas recentes.

"3 zagueiros é um sistema que estava dando certo, com estabilidade defensiva. Hoje a gente sabia que seria um jogo muito difícil, contra uma equipe qualificada, que já vem jogando há muito tempo junto", completou.
O problema é que a estabilidade citada por Balbuena não aparece nos resultados recentes. Com 17 pontos em 15 rodadas, o Grêmio soma derrotas para Flamengo, São Paulo e Sport Recife — este último, líder na tabela do rebaixamento no início do ano. A contratação de Balbuena, anunciada após sua saída do Dínamo Moscou, havia gerado otimismo: o paraguaio marcou o gol da virada na vitória sobre o Atlético-MG fora de casa, mas o rendimento coletivo defensivo nunca acompanhou os momentos individuais.
Na avaliação do SportNavo, o problema estrutural vai além dos nomes: Mano Menezes precisa decidir se mantém o esquema de três zagueiros com um dos titulares lesionado e o outro em recuperação de desgaste físico e mental, ou se redesenha a linha defensiva antes que a situação se torne irreversível no campeonato.
O Grêmio tem compromisso no meio da semana pela Copa do Brasil, contra o Confiança — venceu o jogo de ida por 2 a 0 —, antes de retornar ao foco no Brasileirão. A partida serve também como termômetro para a condição física de Balbuena e como teste de quem Mano escalará na zaga enquanto o diagnóstico do tornozelo do paraguaio não é concluído.










