Seis a sete semanas. É esse o prazo que separa Lamine Yamal de uma Copa do Mundo. O atacante de 17 anos sofreu uma lesão no bíceps femoral da perna esquerda e transformou o departamento médico do Barcelona num quartel-general de guerra. Reuniões a portas fechadas, relatórios diários, plano de contingência — o clube catalão não está improvisando nada.

A reunião que definiu o futuro de Yamal

Imagine o corredor frio do centro de treinamento do Barcelona, La Masia ao fundo, a pressão de um Mundial no ar. Foi nesse ambiente que os fisioterapeutas Raúl Martínez e Fernando Galán se sentaram com os dirigentes da área esportiva para traçar cada detalhe do tratamento. Nada foi deixado ao acaso. O plano aprovado prevê que Galán acompanhe Yamal fisicamente, do Camp Nou até os vestiários da seleção espanhola, enviando relatórios diários à comissão técnica do clube.

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Martínez, chefe da fisioterapia catalã, supervisiona toda a operação à distância — mas com controle total. Segundo apuração do SportNavo, a estrutura montada pelo Barcelona lembra um protocolo de atleta de elite olímpica, não de uma lesão muscular convencional de futebol. A razão é simples: Yamal não é um jogador comum, e o risco de recaída em lesões no bíceps femoral é estatisticamente alto em atletas com perfil explosivo.

O fantasma de Raphinha paira sobre o vestiário

O clube tem um exemplo recente e doloroso de como pressa pode custar caro. Raphinha, atacante do próprio Barcelona, sofreu duas recaídas ao tentar retornar antes do prazo ideal — um ciclo desgastante que atrasou sua temporada por semanas. O nome do brasileiro virou referência interna para justificar a cautela com Yamal. Nenhuma infiltração, nenhum atalho.

Segundo o jornal As, o Barcelona descartou categoricamente o uso de infiltrações no tratamento, considerando o método inadequado para lesões musculares desse tipo. A prioridade é a recuperação completa, não a velocidade.

A decisão de vetar infiltrações é carregada de simbolismo. Em muitos casos de alto impacto, clubes e seleções optam pelo procedimento para adiantar a volta do jogador. O Barcelona disse não — e a mensagem é clara: Yamal chega inteiro ou não chega antes da hora.

A Copa sem Yamal nas primeiras rodadas

A Espanha estreia na Copa do Mundo contra Cabo Verde no dia 16 de junho. Yamal não estará disponível. O segundo jogo, diante da Arábia Saudita no dia 21, também coloca o atacante como dúvida real — o prazo de recuperação simplesmente não fecha com conforto para essas datas. A expectativa mais concreta, conforme levantamento do SportNavo com base nas informações divulgadas, é que ele esteja pronto para o duelo contra o Uruguai no dia 27 de junho, confronto considerado decisivo na fase de grupos para a seleção de Luis de la Fuente.

A previsão inicial de recuperação gira entre seis e sete semanas, o que coloca o atacante em situação de dúvida para os dois primeiros jogos da Espanha, mas com perspectiva real de retorno no terceiro compromisso do grupo, contra o Uruguai.

Para a Espanha, gerir esse calendário é um exercício de equilíbrio. A seleção tem qualidade para passar pela fase de grupos sem Yamal, mas sua ausência reduz consideravelmente a imprevisibilidade ofensiva que o garoto de 17 anos carrega nas pernas — especialmente a esquerda, hoje sob cuidado intensivo.

O retorno mais esperado do torneio

Quando Yamal entrar em campo pela primeira vez na Copa — se o cronograma se confirmar, será no dia 27 de junho, em horário e local ainda a definir pela FIFA —, o mundo do futebol vai parar para assistir. Um adolescente que já é referência no Barcelona e na seleção espanhola, retornando de lesão no maior torneio do planeta, tem tudo para protagonizar um dos momentos mais cinematográficos do Mundial. O plano do Barcelona garante que, se ele entrar em campo, estará fisicamente pronto. Fernando Galán estará lá para atestar isso.