Se o Barcelona somasse apenas os pontos necessários para ser campeão, a temporada já seria monumental. Mas Hansi Flick não pensa em apenas ser campeão — ele pensa em ser histórico. Com 91 pontos em 35 rodadas da La Liga, o clube catalão chega a Mendizorroza, em Vitoria-Gasteiz, nesta quarta-feira (13), às 16h30 (horário de Brasília), com um número na cabeça: 100.

Esse número não é arbitrário. Na história inteira do futebol espanhol, apenas duas campanhas ultrapassaram a barreira dos 100 pontos em uma única temporada — a do Barcelona de Tito Vilanova, em 2012/13, e a do Real Madrid de José Mourinho, na temporada anterior. Flick, que garantiu o bicampeonato culé com uma goleada de 2 a 0 sobre o Real Madrid no último domingo (10/05), com gols de Marcus Rashford e Ferran Torres, sabe exatamente o peso do que está perseguindo.

"Agora queremos chegar aos 100 pontos", declarou Flick à imprensa espanhola após a conquista do título.

Como o Barcelona construiu 91 pontos e o melhor ataque da Espanha

O número 91 — pontos acumulados em 35 rodadas — esconde uma campanha de dominância quase sem precedentes. O Barcelona somou 30 vitórias nesta temporada 2025/26, possui a melhor campanha como visitante da competição e ultrapassou a barreira dos 90 gols marcados, ostentando o melhor ataque de toda a La Liga. São nove pontos em jogo nas três rodadas restantes: o caminho para os 100 existe, mas exige três vitórias consecutivas.

Robert Lewandowski — artilheiro implacável que marcou sete gols e deu uma assistência em apenas cinco confrontos contra o Alavés ao longo da carreira — segue como a principal referência ofensiva. Com Raphinha suspenso após receber o quinto cartão amarelo no clássico, e Lamine Yamal fora pelo restante da temporada por lesão, Flick terá que reorganizar o setor ofensivo. As apostas recaem sobre Roony Bardghji, Marcus Rashford e Dani Olmo para preencher os espaços deixados pelos dois grandes destaques da campanha.

Na defesa, Joan Garcia — líder do Troféu Zamora com média de 0,68 gols sofridos em 29 titularidades — deve seguir no gol. O debate sobre uma eventual aparição de Wojciech Szczesny, que se destacou nas celebrações de rua em Barcelona, permanece aberto, mas o próprio Flick deixou claro a hierarquia: "Joan Garcia é o número 1". No setor de defesa, nomes como Ronald Araújo, Jules Koundé e Alejandro Balde, que tiveram menos minutos recentes, devem ganhar espaço, com possibilidade de Frenkie de Jong ficar fora por razões técnicas.

O Alavés na beira do abismo em Mendizorroza

Do outro lado do campo, o ar é completamente diferente. O estádio de Mendizorroza vai respirar tensão nesta quarta-feira — a tensão de quem sabe que três rodadas podem ser a diferença entre a primeira divisão e o rebaixamento. O Alavés ocupa a 19ª colocação com 37 pontos e está afundado na zona de rebaixamento, com a obrigação de somar pontos contra o time mais forte da Espanha.

O técnico Quique Sánchez Flores perdeu os dois pilares do sistema ofensivo: Toni Martínez — que marcou de pênalti no empate de 1 a 1 contra o Elche na rodada anterior — está em dúvida por problema muscular, e Jon Guridi também desfalca a equipe por lesão. Nas últimas oito rodadas, o Alavés sofreu gols em todos os jogos, e conquistou apenas duas vitórias nos últimos oito compromissos. O goleiro Antonio Sivera — que vem realizando defesas difíceis — e o jovem Ibrahim Diabaté, que tenta surpreender na velocidade, são as principais esperanças dos donos da casa.

"O Alavés deve atuar de forma mais defensiva e apostar nos contra-ataques, mas a diferença de qualidade coloca os catalães em posição confortável", avalia análise do portal Esporte IG.

O retrospecto histórico não anima os bascos: em 49 confrontos entre os clubes em toda a história pelo Campeonato Espanhol e Copa del Rey, o Barcelona acumula 35 vitórias contra apenas sete do Alavés, com sete empates. Na última vez que se encontraram — rodada 14 desta mesma temporada, em novembro no Camp Nou — o Barça venceu de virada por 3 a 1, com dois gols de Dani Olmo e um de Lamine Yamal.

O que falta para o Barcelona entrar para sempre na história da La Liga

A matemática é simples: três vitórias nos três jogos restantes entregam 100 pontos e igualam as campanhas de Vilanova (2012/13) e Mourinho. Uma vitória hoje — somada a dois triunfos nas rodadas 37 e 38 — fecha a conta. A equipe vem embalada por uma sequência de 11 vitórias consecutivas na La Liga e chega a Vitoria com o moral nas alturas depois de derrubar o Real Madrid no Camp Nou.

A dúvida de Flick não é sobre motivação — é sobre gestão. O técnico alemão promedia pelo menos três mudanças por partida ao longo da temporada, e com o título já garantido, a tentação de poupar titulares existe. Mas a fome pelos 100 pontos e pelo melhor ataque da história da competição provavelmente jogará a favor de um time que ainda quer escrever seu nome com letras maiúsculas.

Após o duelo contra o Alavés, o Barcelona ainda enfrenta dois adversários nas rodadas 37 e 38 para fechar a temporada. Os 91 pontos já garantem o título — faltam nove pontos para a imortalidade.