Todo mundo sabe que o Barcelona SC é o clube mais popular do Equador. O que ninguém esperava, no início desta edição da Libertadores, é que a equipe de Guayaquil chegaria à quinta rodada do Grupo D sem conquistar um único ponto fora de casa — e com o fantasma de uma derrota para a Universidad Católica que ainda não foi digerida no vestiário. A partida desta quinta-feira (22/05), no Estadio San Carlos de Apoquindo, em Santiago, é menos um jogo de futebol e mais uma sentença em aberto.

O que aconteceu no vestiário antes do voo para Santiago

O calor de Guayaquil, que em abril embalou a torcida do Barcelona no Estádio Monumental, virou memória amarga. Naquele encontro da 3ª rodada, em 29 de abril, a Católica chegou como visitante e saiu com a vitória por 2 a 1 — um placar que disse mais do que o resultado: disse que os chilenos tinham plano, e os equatorianos tinham esperança. A derrota empurrou o Barcelona para a lanterna do grupo, sem nenhum ponto somado até aquele momento, enquanto a Católica subia para a terceira posição com 3 pontos.

Nos treinos da semana, segundo apuração do SportNavo, o técnico do Barcelona tentou reorganizar a linha de quatro na defesa e reposicionar os volantes para cobrir melhor as transições rápidas — exatamente o movimento que a Católica explorou no primeiro confronto. A pressão sobre o comando técnico cresceu na mesma proporção em que os resultados não vieram, e há rumores de que a diretoria equatoriana já avalia opções para o cargo caso a campanha continental não melhore.

"Você não perde só tecnicamente quando não vence fora de casa. Você perde a narrativa. O adversário passa a jogar sabendo que pode te esperar", avaliou um analista tático que acompanha a campanha dos equatorianos na Libertadores.

Os números que expõem a fragilidade do Barcelona longe do Equador

Os dados são implacáveis. Como visitante na Libertadores 2026, o Barcelona marca em média 1 gol por jogo — três gols em três partidas fora de casa — mas sofreu uma média de 1 gol por partida ao longo da competição inteira, o que revela uma defesa que não é muralha em nenhum cenário. O aproveitamento de 67% como visitante soa bem no papel, mas esconde uma irregularidade que qualquer treinador de elite identificaria em 20 minutos de análise de vídeo.

A Católica, por sua vez, construiu uma identidade diferente dentro do San Carlos de Apoquindo. Em dois jogos em casa na Libertadores, os chilenos sofreram apenas 2 gols e registraram um clean sheet — números que traduzem controle tático, especialmente entre os minutos 16 e 30, período em que a equipe marcou 3 dos seus 5 gols no torneio. O Barcelona sofreu justamente nessa janela de tempo no confronto de abril: dois gols encaixados no momento em que a Católica costuma pressionar com mais intensidade.

A média de gols marcados pelo Barcelona na Libertadores é de 0,63 por jogo — menos de um gol por partida, num torneio onde a eficiência ofensiva define quem avança. Para efeito de comparação, a Católica marca 1,25 gols por jogo no mesmo torneio. A diferença não é só de qualidade: é de mentalidade competitiva em jogos de alta pressão.

O que precisa mudar para o Barcelona ainda sobreviver no Grupo D

A equipe equatoriana precisa resolver três problemas ao mesmo tempo — e resolver em campo, não na prancheta. O primeiro é estrutural: o time não consegue impor seu jogo longe do Equador, o que sugere dependência excessiva da atmosfera e do apoio da torcida no Monumental. O segundo é tático: a vulnerabilidade no intervalo entre os 16 e 30 minutos precisa ser corrigida antes que a Católica volte a explorar a mesma brecha que abriu em abril. O terceiro é mental: chegar a Santiago como lanterna do grupo, sem vitória fora de casa, cria um peso psicológico que não se resolve com discurso motivacional no ônibus.

O Grupo D tem o Cruzeiro como referência de campanha, e qualquer equipe que queira avançar precisa ao menos empatar pontos com os brasileiros nas rodadas finais. Para o Barcelona, a matemática ainda permite a recuperação — mas cada jogo perdido fora de casa estreita o corredor. A partida desta quinta-feira, com bola rolando a partir das 21h30 (horário de Brasília), transmitida pelo Paramount+, é o momento em que o time equatoriano precisa provar que a sina de visitante pode ser quebrada. Caso contrário, a pressão sobre o técnico deixa de ser rumor e vira decisão formal da diretoria antes da 6ª rodada.