Onze pontos de vantagem, nove vitórias seguidas e dois desfalques de peso: o Barcelona que visita o Getafe no Coliseum Alfonso Pérez neste sábado (25) não é o mesmo que iniciou a temporada com Lamine Yamal na ponta direita e Raphinha na esquerda — e talvez seja ainda melhor. Os gols de Fermín López, aos 45 minutos do primeiro tempo, e de Marcus Rashford, aos 29 da etapa final, selaram o 2 a 0 que leva os catalães a 85 pontos na LaLiga e torna o título uma questão de protocolo.

A crise que não foi — e o esquema que Flick encontrou

Quando a confirmação da lesão de Lamine Yamal, que o afasta até o fim da temporada, se somou ao desfalque já consolidado de Raphinha, a narrativa natural seria de crise no Barça. Hansi Flick recusou esse roteiro. Sem o principal criador da equipe pelo lado direito, o técnico alemão apostou no sueco Roony Bardghji para a função, mas o caminho para as redes passou por uma solução coletiva: retomada rápida de bola na transição e passes em profundidade para explorar a defesa adversária adiantada.

Real Betis - Real Madrid
A crise que não foi — e o esquema que Flick encontrou Barcelona vence com reserv
A crise que não foi — e o esquema que Flick encontrou Barcelona vence com reserv

A análise do SportNavo sobre o padrão ofensivo culé nos últimos jogos mostra que o time de Flick tem marcado cada vez mais em situações de contra-ataque estruturado — exatamente o que aconteceu no gol de Fermín. Cubarsí interceptou a bola no campo defensivo, Pedri levantou a cabeça e acionou o meio-campista com um passe em profundidade. Fermín pegou a zaga do Getafe fora de posição e tocou no canto direito do goleiro David Soria para abrir o placar no único chute no alvo do Barça até aquele momento da partida.

Getafe resistiu até a última tentativa

O técnico José Bordalás montou o Getafe — terceira melhor defesa da LaLiga, com números inferiores apenas ao próprio Barcelona e ao Real Madrid — em duas linhas defensivas compactas que frustraram Dani Olmo e Robert Lewandowski durante praticamente todo o primeiro tempo. A estratégia da retranca funcionou por 44 minutos. Bardghji, na ingrata missão de substituir Yamal, não ganhou praticamente nenhum duelo individual e desperdiçou a principal chance que criou, aos 35 minutos.

Na etapa final, com o Getafe precisando buscar o empate, Mario Martín chegou a ficar na pequena área pronto para cabecear após cruzamento de Satriano pela direita, aos 28 minutos. Foi Cubarsí, novamente, quem salvou com um corte de carrinho providencial. O zagueiro de 17 anos foi o jogador mais decisivo do Barcelona nos dois lados do campo na tarde deste sábado.

Getafe resistiu até a última tentativa Barcelona vence com reservas e abre 11 p
Getafe resistiu até a última tentativa Barcelona vence com reservas e abre 11 p
"Fermín e Rashford fizeram a diferença quando o jogo precisava de algo diferente. É o coletivo funcionando", resumiu a análise da cobertura in loco publicada no Trivela após o apito final.

Rashford resolve e confirma profundidade de elenco

O segundo gol traduziu com precisão o que Flick construiu neste Barcelona: um elenco com múltiplas soluções. Rashford, que entrou no segundo tempo na vaga de Bardghji, estava em campo há menos de meia hora quando Lewandowski o encontrou com um lançamento longo do campo de defesa. O inglês, contratado para ser peça de rotação, escapou pela esquerda, entrou na área e bateu rasteiro na saída de Soria para marcar seu sétimo gol na LaLiga e fechar a conta.

"Lewandowski e Pedri foram os arquitetos dos dois gols, mas o que impressiona é a capacidade do time de encontrar soluções diferentes a cada partida", observou o analista da ESPN Brasil em sua cobertura pós-jogo.

O número revela a extensão do domínio: nove vitórias consecutivas na LaLiga, 85 pontos em 33 rodadas, vantagem de 11 sobre o Real Madrid — que tropeçou ao empatar com o Betis por 1 a 1 na sexta-feira (24). Com cinco rodadas restantes, o Barcelona pode matematicamente confirmar o título já na próxima semana, caso vença o Osasuna fora de casa no sábado (2) e os merengues não derrotem o Espanyol.

O título encaminhado e o Clásico que ainda está na conta

Mesmo com o campeonato praticamente resolvido no critério matemático, o calendário reserva um encontro de peso: o El Clásico no Camp Nou, marcado para 10 de maio. A partida pode ser o cenário para a festa do título ou apenas uma formalidade, dependendo do que acontecer nas rodadas anteriores. O que a temporada já demonstrou, com ou sem Yamal, é que o Barcelona de Flick tem estrutura, profundidade e maturidade tática para sustentar uma campanha de alto nível — qualidades que a vitória em Getafe, diante de uma das defesas mais difíceis do país, voltou a evidenciar com clareza.