"Nós não perdemos essa série ainda." A frase foi dita pelo armador Betinho no vestiário, segundo relatos de pessoas próximas ao grupo, depois de o Pinheiros sair do Ginásio do Ibirapuera com uma vitória que tinha gosto de sobrevivência. Na noite desta quinta-feira (4), a equipe paulistana derrotou o Franca por 94 a 92 no Jogo 3 das finais do NBB 2025/26 — de virada, com a série ainda 2 a 1 para os francanos.

Quando o Pinheiros estava morto — e decidiu não estar

A dois minutos do fim, o placar dizia 86 a 80 para o Franca. Matematicamente, o Pinheiros ainda vivia. Praticamente, parecia encaminhado para uma varrida. O que aconteceu nos 120 segundos seguintes foi o tipo de coisa que faz o basquete ao vivo ser insubstituível por qualquer highlight editado.

O Pinheiros pressionou, converteu e, a 40 segundos do apito final, o armador Pacheco acertou uma bola de três pontos que virou o placar para 93 a 92. O Ginásio do Ibirapuera — que havia recebido torcida do interior ao longo do jogo — enlouqueceu. O Franca, que havia perdido o armador Laterza por lesão ainda no primeiro quarto, não conseguiu responder. Placar final: 94 a 92.

Nos 40 minutos anteriores, o Franca havia sido superior. Georginho de Paula dominou os rebotes na transição ofensiva. Lucas Dias abriu o placar nos lances livres logo no início. O técnico do Pinheiros, Gustavinho, chegou a pedir tempo quando o Franca abriu 70 a 66 no terceiro quarto — e o período terminou com os visitantes na frente por 75 a 74 após falta técnica marcada em Helinho, confirmada na revisão.

Betinho e os 30 pontos que mantiveram o Pinheiros de pé

Cestinha do jogo com 30 pontos, Betinho foi a espinha dorsal do Pinheiros durante os quatro períodos. Nos momentos em que o time desperdiçava arremessos e o Franca ameaçava abrir em definitivo, era ele quem impedia o desmoronamento. A dupla formada com Pacheco e os rebotes de Agapy garantiu ao Pinheiros o segundo quarto, terminado com a equipe na frente por 47 a 43 — o único momento do jogo em que os paulistanos lideraram antes dos minutos finais.

Trinta pontos em uma final do NBB, com a série em risco, têm peso diferente de trinta pontos em qualquer outro contexto. Não há tragédia: há contabilidade. E a conta de Betinho fechou exatamente onde precisava.

"Precisávamos manter a intensidade em todos os momentos. No final, a gente acreditou", disse Pacheco em entrevista após a partida, conforme registrado pelo SportNavo.

O precedente histórico que o Pinheiros precisa invocar no Jogo 4

A série está 2 a 1. O Franca segue favorito. Mas existe um dado histórico que o Pinheiros vai usar como combustível: apenas uma equipe na história das finais do NBB conseguiu reverter uma desvantagem de 2 a 0 e levantar o título. Uma vez. Em toda a história da competição.

Para o Pinheiros, o caminho passa por, primeiro, empatar a série em 2 a 2 no Jogo 4. Depois, o resto vira possibilidade real. Agora, a matemática ainda exige que o time paulistano vença três jogos seguidos — dois deles fora de casa.

O Franca, por sua vez, joga com a vantagem de ter perdido apenas um jogo em casa durante toda a campanha nas finais. A questão da lesão de Laterza pode pesar no planejamento do técnico adversário para os próximos confrontos — mas o interior paulista ainda vai entrar em quadra com a série sob controle.

A série retorna a Franca no domingo (7), às 17h (horário de Brasília). Um ponto de inflexão: o Pinheiros vence e a série vai ao Jogo 5; o Franca vence e levanta o título em casa. Não existe jogo mais simples de entender — nem mais difícil de jogar.

Quando o apito final soou no Ibirapuera, Betinho ficou parado no centro da quadra por dois segundos antes de levantar o punho. Trinta pontos, uma vitória, e uma série que não acabou.