"Temos tudo menos um camisa 9 de verdade." A frase circulou por anos nos bastidores da federação marfinense e nunca foi tão literal quanto agora, às vésperas de uma Copa do Mundo. A convocação anunciada nesta sexta-feira, 15 de maio, pelo técnico da Costa do Marfim, traz uma resposta concreta a essa lacuna histórica: dois atacantes nascidos na França, com ascendência marfinense, chamados a vestir a camisa dos Elefantes pela primeira vez em um torneio decisivo.

O que os números revelam sobre a fome de gol dos Elefantes

Ange-Yoan Bonny, atacante da Inter de Milão, e Elye Wahi, do Nice, são os dois nomes que chegam como naturalizados à lista divulgada nesta sexta. Bonny ainda não disputou nenhuma partida oficial pelos Elefantes — sua convocação representa, portanto, uma aposta direta do comando técnico, sem qualquer período de adaptação ao grupo. Wahi, ex-jogador do Bayer Leverkusen e do Lens, também tem passagem restrita pelo futebol francês de base. Os dois disputam, na prática, a posição mais carente da seleção marfinense: a de centroavante de área, o camisa 9 que sempre faltou nas três participações anteriores da Costa do Marfim em Copas do Mundo — 2006, 2010 e 2014.

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A Costa do Marfim nunca passou da fase de grupos em nenhuma dessas três edições. Em 2006, a seleção caiu com Drogba jogando em seu melhor nível individual. Em 2010, no grupo com Brasil, Portugal e Coreia do Norte, o mesmo destino. Em 2014, no chamado "grupo da morte" com Colômbia, Grécia e Japão, nova eliminação precoce. O padrão é constrangedor e vai além da mera coincidência estatística: a seleção sempre teve excelentes pontas, mas jamais encontrou um centroavante capaz de converter as chances criadas pelas alas.

A convocação deste ano reflete exatamente esse diagnóstico. Nas pontas, os Elefantes têm abundância: Amad Diallo, do Manchester United, e Yan Diomande, do RB Leipzig, devem ser os titulares. O elenco ainda conta com Nicolas Pépé, Simon Adingra, do Sunderland, e Bazoumana Touré, do TSG Hoffenheim. São cinco opções de qualidade para duas posições. Já para o centro do ataque, antes da chegada de Bonny e Wahi, havia praticamente um vazio.

O que dizem os protagonistas sobre a escolha de Bonny e Wahi

A federação marfinense não detalhou publicamente os critérios que levaram à naturalização acelerada dos dois atacantes, mas o contexto fala por si. Segundo fontes próximas ao staff técnico, consultadas pelo SportNavo, a prioridade era encontrar jogadores com perfil físico e técnico distintos dos extremas já convocados — alguém capaz de segurar a bola de costas para o gol, disputar bolas aéreas e finalizar dentro da área com eficiência.

O que os números revelam sobre a fome de gol dos Elefantes Bonny e Wahi chegam p
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"Jogar pela Costa do Marfim é uma honra que carrego com orgulho. A história da minha família vem daquela terra", declarou Wahi em entrevista ao canal oficial da federação marfinense, publicada nas redes sociais após o anúncio da lista.

Franck Kessié, o meio-campista do Al-Ahli e capitão histórico da seleção, foi ainda mais direto ao comentar o perfil do grupo:

"Temos jogadores de altíssimo nível. Agora precisamos mostrar isso dentro de campo, jogo a jogo, começando pelo Equador."

Kessié, que atuou por anos no AC Milan e na Espanha antes de migrar para o futebol saudita, é uma das referências do meio-campo ao lado de Ibrahim Sangaré, do Nottingham Forest, e Seko Fofana, do Porto. A estrutura do setor central é sólida — o problema sempre esteve lá na frente.

O que dizem os protagonistas sobre a escolha de Bonny e Wahi Bonny e Wahi chegam
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O Grupo E e a janela histórica que a Costa do Marfim não pode desperdiçar

Quando se olha para o Grupo E da Copa do Mundo 2026, a Costa do Marfim encontra, pela primeira vez em sua história, uma configuração que não a coloca automaticamente como azarão. Os Elefantes enfrentam o Equador em 14 de junho, no Estádio da Filadélfia; a Alemanha em 20 de junho, no Estádio de Toronto; e Curaçao em 25 de junho, de volta à Filadélfia. A Alemanha é o adversário de maior porte, mas o confronto com o Equador — que chega sem a mesma consistência de outras gerações — e a partida contra Curaçao representam pontos disputáveis.

Quando Bonny recebe a bola de costas para o gol, sua capacidade de girar e finalizar em um toque é o que diferencia seu perfil dos extremas que a Costa do Marfim já tem de sobra. Quando Wahi atua em profundidade, sua velocidade de aceleração nos primeiros dez metros cria o tipo de problema defensivo que os Elefantes raramente conseguiram impor a adversários organizados.

A lista completa convocada inclui, entre os goleiros, Alban Lafont, do Panathinaikos, e Yahia Fofana, do Caykur Rizespor. Na defesa, nomes como Ousmane Diomande, do Sporting CP, Evan Ndicka, da Roma, e Odilon Kossounou, da Atalanta, compõem um setor bem estruturado. O problema sempre foi transformar posse e criação em gols — e Bonny e Wahi foram convocados exatamente para isso.

A Costa do Marfim estreia na Copa do Mundo 2026 em 14 de junho, diante do Equador, no Estádio da Filadélfia. Se Bonny ou Wahi estiver em campo naquele dia, será a primeira vez que um centroavante naturalizado veste a camisa dos Elefantes em um jogo de Copa. Vinte anos de eliminações precoces esperam por uma resposta.