O Botafogo enfrenta um dilema complexo nos bastidores: enquanto intensifica as tratativas para contratar Khauan Schlickmann, meia de 19 anos do Al-Ain, precisa primeiro resolver o transfer ban imposto pela FIFA devido ao não pagamento da transferência de Rwan Cruz ao Ludogorets, da Bulgária. A punição impede o clube de inscrever novos jogadores pelas próximas três janelas de transferências.

Segundo levantamento do SportNavo junto a fontes do departamento jurídico alvinegro, a diretoria trabalha com três cenários para viabilizar a operação: quitação imediata da dívida búlgara, recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) ou estruturação de um acordo parcelado com o Ludogorets que satisfaça a FIFA. O valor da pendência gira em torno de 800 mil euros, montante que engloba multas e juros acumulados desde o atraso inicial do pagamento.

Negociação com Al-Ain ganha nova dinâmica

A segunda investida do Botafogo por Khauan Schlickmann apresenta contornos diferentes da tentativa frustrada em janeiro. Na ocasião, o clube ofereceu empréstimo gratuito com opção de compra fixada em 500 mil dólares, proposta vetada pelo diretor do Sub-23 do Al-Ain. Agora, intermediários próximos à operação revelam que o Glorioso estuda elevar a oferta para 700 mil dólares por 70% dos direitos econômicos do jogador.

O meia brasileiro, revelado nas categorias de base do Flamengo, acumula números expressivos na atual temporada: 11 assistências e quatro gols em 28 partidas pelo time sub-21 emiradense. Sua versatilidade tática - atua como volante, mas pode ser recuado para a zaga - desperta interesse da comissão técnica comandada por Artur Jorge, que vê no jovem uma solução para a carência de peças de reposição no meio-campo.

"A ideia é trazer um jogador jovem, com margem de evolução e que possa contribuir tanto no presente quanto no futuro do clube", revelou fonte próxima à diretoria botafoguense.

Alternativas jurídicas em análise

O departamento jurídico do Botafogo, chefiado pelo advogado Marcelo Teixeira, estuda três frentes para contornar o impedimento. A primeira prevê o pagamento integral da dívida com o Ludogorets até o final de maio, liberando o clube para a janela de meio de ano. A segunda alternativa envolve um recurso no TAS questionando a proporcionalidade da punição, estratégia que pode suspender temporariamente o ban.

A terceira opção, considerada a mais viável pelos dirigentes, consiste em negociar um acordo de parcelamento diretamente com o clube búlgaro. Esse modelo já foi utilizado com sucesso por outros clubes brasileiros em situações similares. O Ludogorets, que enfrenta dificuldades financeiras na Liga Búlgara, demonstra abertura para receber o montante em até seis parcelas, desde que a primeira seja quitada antes da abertura da janela de transferências.

Impacto no planejamento da temporada

A resolução do transfer ban tornou-se prioridade máxima para John Textor, proprietário da SAF botafoguense. Além de Khauan Schlickmann, o clube monitora outros alvos para reforçar o elenco visando a sequência da temporada, incluindo as fases mata-mata da Copa do Brasil e da Libertadores. A análise interna do SportNavo aponta que o Botafogo possui recursos financeiros para quitar a dívida, mas aguarda definições contratuais com novos patrocinadores para não comprometer o orçamento de contratações.

O cronograma estabelecido pela diretoria prevê uma decisão definitiva sobre o caso Ludogorets até o dia 15 de maio. Paralelamente, as conversas com o Al-Ain devem ser intensificadas nas próximas semanas, com a presença de André Cury, empresário que intermediou a negociação original de Khauan com o clube emiradense em 2023.

O Botafogo volta a campo no próximo domingo, contra o Grêmio, no Estádio Nilton Santos, em partida válida pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro, onde busca manter a invencibilidade na competição e pressionar por uma solução rápida do impasse jurídico que pode definir o futuro das contratações da temporada.