Três coisas: classificação, contabilidade e Ancelotti orgulhoso. Tudo se explica daí.
O Brasil encerrou a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 com a primeira posição do Grupo C, uma vitória por 3 a 0 sobre a Escócia e R$ 57,3 milhões (US$ 11 milhões) já depositados nos cofres da CBF. Não há drama nesse número — há contabilidade. A Fifa estruturou um sistema de premiações escalonadas que transforma cada vitória em cifra concreta, e o Brasil, ao avançar ao mata-mata, já acionou a próxima camada desse mecanismo.
O que cada fase rende à Seleção Brasileira
A classificação às oitavas de final, por si só, acrescenta R$ 10,4 milhões (US$ 2 milhões) ao montante já garantido. Com isso, o Brasil chega a R$ 98,9 milhões (US$ 19 milhões) apenas por estar entre os 16 melhores do mundo. Para ter noção da escala histórica: na Copa de 2014, disputada em território brasileiro, o campeão Alemanha recebeu US$ 35 milhões — menos de três quartos do que a Fifa pagará ao vencedor desta edição. A inflação do futebol global não para, e a entidade máxima do esporte acompanha o ritmo.
O teto da premiação em 2026 é de R$ 260,4 milhões (US$ 50 milhões) para o campeão. O vice-campeão leva R$ 171,9 milhões (US$ 33 milhões), enquanto terceiro e quarto colocados embolsam, respectivamente, R$ 171,9 milhões e R$ 140,6 milhões (US$ 27 milhões). A diferença entre ser campeão e ser vice é de quase R$ 90 milhões — o equivalente, em termos de mercado, ao salário anual de um jogador de ponta em clube europeu de médio porte.
Ancelotti celebra, mas já projeta o próximo desafio
Na manhã desta quinta-feira, 25 de junho, Carlo Ancelotti usou suas redes sociais para celebrar a classificação com uma declaração que mistura satisfação e foco.
"Orgulhosos pela classificação e pela evolução da equipe. Agora temos que nos preparar bem, mantendo o foco e a confiança. Vamos juntos", escreveu o técnico italiano em suas contas no Instagram e no X.
O treinador, que conduziu o Real Madrid a quatro títulos da Champions League ao longo de sua carreira, demonstrou também habilidade na gestão do grupo ao escalar o jovem Rayan no lugar de Raphinha na ponta direita contra a Escócia — decisão que funcionou. A cereja do bolo foi a entrada de Neymar nos minutos finais, o que gerou comoção nas arquibancadas do Hard Rock Stadium.
"Teve a oportunidade de jogar porque ele merecia jogar, trabalhou e treinou para recuperar com muito profissionalismo. Ele, por suas qualidades, pode ajudar o time nessa Copa do Mundo. Jogou bem os poucos minutos que jogou", disse Ancelotti na coletiva pós-jogo.
O gol anulado de Vinicius e a polêmica arbitral que não some
A vitória por 3 a 0 não foi isenta de controvérsias. Um gol de Vinicius Jr. foi inicialmente validado e depois anulado após intervenção do VAR — decisão que gerou debate entre os comentaristas. A situação ganhou novo capítulo no jogo seguinte da fase de grupos, quando a Alemanha marcou contra o Equador em lance em que Aleksandar Pavlović acertou a cabeça de Pedro Vite com o pé antes de iniciar a jogada. O gol foi confirmado sem consulta ao monitor. A comentarista Renata Ruel, dos canais ESPN, foi direta na crítica, conforme apurado em matéria do SportNavo.
"É surreal a falta de critério da arbitragem nessa Copa do Mundo. Ontem, o VAR chamou para o lance do Vini, e hoje não chama para esse", disparou Renata.
O episódio reacende um debate que acompanha o futebol desde a implementação do VAR em 2018: a uniformidade dos critérios. Nas quatro edições anteriores com a tecnologia, o Brasil foi diretamente afetado por decisões polêmicas — a mais emblemática, o gol de Neymar anulado contra o Chile nas oitavas de 2014 ainda gera discussão, embora aquele fosse pré-VAR.
O adversário vem do Grupo F e o duelo acontece em Houston
O próximo oponente da Seleção Brasileira sairá do Grupo F, entre Holanda, Japão ou Suécia. O confronto está marcado para segunda-feira, 29 de junho, às 14h (horário de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, no Texas. Historicamente, o Brasil tem campanhas sólidas contra as três seleções em fase eliminatória: contra a Holanda, o confronto mais recente em Copa foi a semifinal de 2010, quando a Laranja Mecânica venceu por 2 a 1; contra o Japão, o Brasil nunca perdeu em Mundiais; contra a Suécia, o histórico remonta a 1958, quando Pelé marcou dois gols na final e inaugurou a era do pentacampeonato.
Com R$ 98,9 milhões já garantidos e mais cinco jogos possíveis pela frente, o Brasil joga no NRG Stadium com um placar financeiro que cresce a cada apito final. O hexa vale R$ 260,4 milhões. A conta está aberta.










