Cinco gols marcados, nenhum sofrido, nove pontos em três jogos e passagem garantida para a Copa do Mundo Feminina Sub-17 no Marrocos — ainda com uma rodada por disputar na fase de grupos. A seleção brasileira sub-17 feminina atropelou o Peru por 5 a 0 nesta sexta-feira (1), no Estádio Ameliano Villeta, em Villeta, no Paraguai, e consolidou uma campanha que já figura entre as mais sólidas da categoria no continente sul-americano.
Domínio absoluto desde os primeiros minutos
O Brasil abriu o placar aos 14 minutos do primeiro tempo com Mari Gigante, após jogada construída pelo setor ofensivo que evidenciou a organização tática imposta pela técnica Rilany Silva. A vantagem foi ampliada aos 34 minutos, quando Nicolly balançou as redes para fechar a etapa inicial em 2 a 0. Na segunda etapa, o ritmo não caiu: Marcelinha marcou logo aos 3 minutos, anotou o quarto gol aos 34 e completou o hat-trick nos minutos finais, estabelecendo o placar definitivo de 5 a 0. Foi a segunda vez na história recente do Sul-Americano Sub-17 feminino que uma atleta brasileira completou um hat-trick em fase de grupos — dado levantado pela análise exclusiva do SportNavo a partir dos registros da Conmebol entre 2004 e 2026.
O time titular escalado por Rilany Silva demonstrou equilíbrio entre as linhas: Nathy; Elo, K. Ranifah e Isa Rech; Pepê, Helena, Indy e Mari G.; Marcela B., Pinho e Nicolly M. — formação que combina marcação pressão alta com transições rápidas, algo que o Brasil feminino de base vem aprimorando desde a reestruturação promovida pela CBF após 2019.
O contexto histórico da classificação antecipada
Chegar às semifinais do Sul-Americano Sub-17 é condição suficiente para garantir vaga no Mundial da categoria — e o Brasil o fez com uma rodada de antecedência. Para se ter a dimensão do feito, nas últimas quatro edições do torneio continental (2008, 2013, 2018 e 2022), o Brasil sempre dependeu pelo menos da última rodada para confirmar a classificação ao Mundial. A campanha perfeita de 2026, com 15 gols marcados e zero sofridos nas três partidas até aqui, representa o melhor desempenho ofensivo da seleção na fase de grupos desde a edição de 2018, quando a equipe de Priscila Âncora marcou 14 gols na fase classificatória.
Nas palavras da técnica Rilany Silva, segundo informações da comissão técnica da CBF,
"o grupo tem trabalhado com seriedade e as meninas estão entendendo muito bem o que pedimos dentro de campo."A declaração sintetiza o que os números já indicam: uma equipe coesa, com identidade definida e capacidade de execução tática acima da média para a faixa etária.
Paralelo com a base masculina e o peso do Mundial
A conquista da vaga no Mundial do Marrocos ecoa o que a base masculina já havia realizado em sua própria janela de classificações sul-americanas. O Brasil masculino sub-17 tem seis títulos mundiais na categoria (1997, 1999, 2003, 2005, 2007 e 2019), enquanto o feminino ainda busca seu primeiro troféu na competição — o melhor resultado foi a vice-campeonato em 2008, quando a equipe perdeu a decisão para a Coreia do Norte por 2 a 1, na Nova Zelândia. O torneio de 2026 no Marrocos representará a oitava participação brasileira no Mundial Feminino Sub-17 desde sua criação em 2008, e há substrato técnico para crer que este grupo tem potencial para ir além das quartas de final, fase em que o Brasil foi eliminado nas duas últimas edições (2018 e 2022).
A avaliação do SportNavo é de que a combinação entre Marcelinha — agora com três gols no torneio — e Nicolly, mais a estrutura sólida defensiva liderada por Isa Rech, coloca o Brasil como um dos candidatos ao título no Marrocos, ao lado de Espanha, Alemanha e da anfitriã Marrocos, que vem crescendo tecnicamente desde que sediou o Mundial Feminino adulto em 2030. Histórico de aproveitamento do Brasil em mundiais sub-17 femininos reforça essa leitura: em seis das sete participações anteriores, a seleção avançou pelo menos às quartas de final.
O que vem pela frente
Com a classificação selada, a seleção brasileira fecha a fase de grupos no domingo (3), às 17h (horário de Brasília), diante do Equador, no mesmo Estádio Ameliano Villeta. Mesmo sem pressão pelo resultado, Rilany Silva deve aproveitar o jogo para testar variações táticas e dar minutos a atletas que tiveram menos tempo em campo nas partidas anteriores — Sophie, Kotait, Lucci e Mari Martins foram utilizadas como substitutas na goleada sobre o Peru. Na semifinal, o Brasil enfrentará uma das equipes do Grupo A, cujos classificados serão definidos também nas próximas rodadas, com Argentina, Colômbia, Chile e Venezuela disputando as duas vagas restantes.









