Quando Esteban Ostojich apitou o fim do jogo no Mineirão, o que deveria ser celebração virou caos. A vitória do Cruzeiro por 1 a 0 sobre o Boca Juniors, pela terceira rodada da Copa Libertadores, terminou com briga generalizada em campo, torcedor argentino preso por racismo e uma avalanche de manchetes constrangedoras nos jornais de Buenos Aires.
O que aconteceu no Mineirão
Assim que o árbitro encerrou a partida, jogadores do Boca Juniors foram em direção a Matheus Pereira, camisa 10 do Cruzeiro. Segundo o jornal argentino Olé, o meia teria provocado os adversários com um gesto de ostentação logo após o apito final, desencadeando a confusão. O capitão Leandro Paredes esteve no centro dos embates.
A expulsão do atacante Adam Bareiro ainda no primeiro tempo foi o pano de fundo da tensão. Bareiro recebeu o segundo cartão amarelo e deixou o Boca com dez homens por quase todo o jogo. O técnico Claudio Úbeda foi enfático na coletiva:
"Em relação à expulsão, achamos que não houve falta. O árbitro decidiu mostrar o segundo cartão amarelo e, quando se vê o replay, percebe-se que Bareiro nunca fez nenhum movimento para golpear. Isso afetou toda a partida."
Paredes reforçou a indignação do elenco com declaração direta após o jogo:
"Desde o minuto zero, o árbitro se comportou da mesma maneira. Acabei de ver as duas jogadas de Bareiro e nenhuma me pareceu merecedora de cartão amarelo."
Torcedor preso por racismo em flagrante
Durante o primeiro tempo, um torcedor do Boca Juniors de 29 anos foi detido pela Polícia Militar mineira dentro do Mineirão. Ele foi flagrado imitando macaco e fazendo gestos racistas à torcida do Cruzeiro. O homem foi encaminhado à delegacia do estádio e autuado em flagrante pelo artigo 20 da Lei nº 7.716/89 — a Lei do Racismo — que prevê pena para quem pratica, induz ou incita discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

O torcedor segue preso à disposição da Justiça brasileira e passará por audiência de custódia. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a autuação ao UOL. O episódio acendeu o debate nas redes sociais brasileiras: o termo "racismo no Mineirão" entrou nos trending topics do X (antigo Twitter) ainda durante a partida, com mais de 40 mil menções registradas na plataforma até a madrugada.

A repercussão argentina e o "Boca suja"
Os principais jornais esportivos da Argentina não pouparam o próprio clube. O Olé estampou a manchete mais dura: "Boca suja: derrota para o Cruzeiro, adeus à invencibilidade e final escandaloso". A publicação destacou que a sequência de 14 jogos invictos na era Claudio Úbeda chegou ao fim da pior maneira possível.
O Clarín também entrou na pilha, apontando que "a partida foi grande demais para o árbitro uruguaio" e criticando o comportamento em campo — incluindo simulações e entradas com braços levantados por parte de jogadores do Boca. A análise do SportNavo mostra que a repercussão negativa na própria imprensa argentina é um sinal raro: o Xeneize raramente é tratado com tanta dureza pelos jornais portenhos, o que indica o tamanho do constrangimento gerado pela noite em Belo Horizonte.
Danos à imagem e o que vem a seguir
A combinação de briga coletiva entre jogadores e racismo praticado por torcedor no mesmo jogo cria um passivo de imagem difícil de administrar para o futebol argentino no Brasil. Nas redes sociais brasileiras, o engajamento negativo associado ao Boca Juniors disparou: perfis de torcedores do Cruzeiro geraram mais de 120 mil interações no Instagram apenas com vídeos da confusão pós-jogo, segundo dados públicos das publicações.
A Conmebol ainda não se pronunciou oficialmente sobre possíveis punições aos envolvidos na briga em campo. O caso do torcedor detido segue tramitando na Justiça mineira. O Cruzeiro, por sua vez, soma seis pontos e lidera seu grupo na Libertadores. O Boca Juniors tem quatro pontos e volta a campo pela competição na próxima rodada, em Buenos Aires, onde precisará vencer para se manter na briga por uma vaga nas oitavas de final.








