Martin Brundle bateu o martelo com a frieza de quem conhece paddock por dentro: a Red Bull enfrenta um risco concreto de perder Max Verstappen antes do prazo previsto no contrato. O ex-piloto britânico e analista da Sky Sports foi direto ao ponto ao avaliar o humor do tetracampeão holandês diante dos novos regulamentos técnicos programados para 2026, que Verstappen já descreveu, com seu estilo sem papas na língua, como "Fórmula E com esteroides". A frase causou impacto porque não veio de um piloto qualquer — veio do homem que ganhou quatro campeonatos consecutivos entre 2021 e 2024, com 63 vitórias na carreira até o momento.

O que Brundle enxerga que os otimistas ignoram

Verstappen está contratualmente vinculado à Red Bull até o fim de 2028, mas o contrato contém cláusulas de desempenho que podem ser acionadas pelo piloto caso determinadas condições não sejam atendidas. Brundle sinalizou que essas brechas são reais e que a equipe de Milton Keynes não pode tratá-las como letra morta.

"Max é o tipo de piloto que precisa de um carro vencedor. Se ele sentir que a Red Bull não tem as ferramentas para dominare os regulamentos de 2026, ele vai buscar alternativas — e alternativas existem", afirmou Brundle em declaração à Sky Sports.
A preocupação do analista britânico tem base técnica: a transição para os novos carros, com motores híbridos de maior componente elétrico e aerodinâmica radicalmente revisada, nivela o campo de largada. Equipes que dominaram ciclos anteriores — como a própria Red Bull entre 2022 e 2024 — não têm garantia de repetir a hegemonia.

A insatisfação vai além do discurso

Verstappen não é dado a reclamações sem fundamento. Quando o holandês critica os regulamentos que chegam em 2026, ele está lendo dados de simulação e conversas de engenharia que o público não acessa. A Red Bull, que construiu o RB19 — carro com menor taxa de degradação de pneus da história recente da categoria, capaz de completar stint de 35 voltas sem perda significativa de desempenho — terá que recomeçar do zero dentro de uma arquitetura técnica diferente. O novo motor Red Bull-Ford, batizado como RBPТ001, ainda carece de dados comparativos em pista contra as unidades Mercedes e Ferrari, que acumulam horas de banco de testes superiores. Segundo análise exclusiva do SportNavo, a janela de desenvolvimento entre os três fabricantes principais ainda está muito aberta para qualquer projeção definitiva de hierarquia em 2026.

Onde Verstappen poderia correr

O mercado de pilotos para 2027 em diante envolve nomes e contratos que se movem como peças de xadrez em câmera lenta. A Mercedes é o destino mais citado nos bastidores do paddock: Toto Wolff nunca escondeu a admiração pelo holandês e a equipe de Brackley projeta um carro competitivo já na temporada de estreia dos novos regulamentos, com Hamilton já em Maranello e Kimi Antonelli assumindo uma das vagas. Se o desempenho Mercedes superar o da Red Bull no início do ciclo 2026, a pressão sobre Verstappen para agir aumenta exponencialmente. A Aston Martin também entra na equação — com Adrian Newey a bordo desde 2024 e investimento crescente da AMR Technologies, a equipe de Lawrence Stroll mira o topo até 2027.

"Newey foi a espinha dorsal técnica da Red Bull por décadas. Onde ele for, haverá velocidade", resumiu Brundle, reforçando o peso simbólico e prático da ida do engenheiro britânico para a Aston Martin.

O que Brundle enxerga que os otimistas ignoram Brundle vê risco real de Verstapp
O que Brundle enxerga que os otimistas ignoram Brundle vê risco real de Verstapp

O que a Red Bull precisa fazer agora

A equipe austríaca tem três frentes urgentes. Primeiro, demonstrar que o RBPT001 entrega potência e confiabilidade comparáveis aos rivais antes mesmo de rodar em circuito oficial — os dados de banco de testes de 2025 serão decisivos. Segundo, blindar a estrutura técnica interna após a saída de Newey, apostando na liderança de Pierre Waché, que assumiu o posto de diretor técnico sênior. Terceiro, e talvez mais delicado, manter Verstappen informado e engajado no projeto de desenvolvimento, algo que Helmut Marko tem tentado fazer publicamente ao reafirmar o comprometimento da equipe com o piloto. A Red Bull sabe que perder Verstappen seria o equivalente esportivo de uma Mercedes sem Hamilton em 2014: tecnicamente possível de superar, mas narrativamente devastador. Na avaliação do SportNavo, as próximas etapas de testes de pré-temporada em 2026, marcadas para fevereiro no Bahrein, vão desenhar com muito mais clareza o humor do tetracampeão — e indicar se as cláusulas contratuais serão acionadas ou arquivadas.