Três coisas: 1,88 m de altura, armador sem atletismo de elite e um contrato que muita gente em Nova York questionou quando foi assinado. Tudo se explica daí — porque Jalen Brunson transformou cada uma dessas limitações aparentes em combustível para a campanha de playoffs mais dominante da franquia em décadas.

O que Brunson fez na Filadélfia vai além do placar

No Jogo 3 das semifinais do Leste, disputado na Filadélfia, o New York Knicks venceu o Philadelphia 76ers por 108 a 94 e abriu 3 a 0 na série. Brunson encerrou a noite com 33 pontos, 9 assistências e 5 rebotes — linha estatística que, em contexto de playoffs, coloca seu nome ao lado de armadores que historicamente definem séries, não apenas jogos. Seu true shooting % na pós-temporada permanece acima de 58%, número que poucos jogadores na posição sustentam sob a pressão de eliminatórias.

Do lado dos 76ers, Joel Embiid retornou após desfalcar o time no Jogo 2 e somou 18 pontos, 6 rebotes e 5 assistências — números decentes no papel, mas insuficientes para alterar o rumo da série. Kelly Oubre Jr. foi o mais produtivo da franquia da Pensilvânia, com 22 pontos e 8 rebotes, sem conseguir compensar a superioridade coletiva dos visitantes.

A ausência de Anunoby redistribui o peso sobre Brunson

OG Anunoby segue fora sem previsão de retorno, e a ausência do ala britânico — um dos melhores defensores da liga — retira do Knicks não apenas proteção perimetral, mas também uma segunda opção ofensiva capaz de criar de forma independente. Quem absorve esse vácuo é Brunson, cujo usage rate nos playoffs de 2026 supera 32%, território reservado a jogadores que carregam equipes praticamente sozinhos.

O que Brunson fez na Filadélfia vai além do placar Brunson carrega os Knicks no
O que Brunson fez na Filadélfia vai além do placar Brunson carrega os Knicks no

Como diria o ditado: quem não tem cão caça com gato. Os Knicks não têm Anunoby, mas têm Brunson — e, por ora, isso tem sido o suficiente para derrubar uma série inteira.

Quem sai perdendo nessa equação

O 76ers é o perdedor mais óbvio da cadeia de efeitos desta série, mas a análise mais interessante aponta para o que acontece com Brunson fisicamente. Armadores que sustentam usage rate acima de 30% por mais de três jogos consecutivos nos playoffs tendem a apresentar queda de eficiência a partir do quinto ou sexto confronto — dado que o SportNavo identificou ao cruzar campanhas históricas de Damian Lillard, Kyrie Irving e Russell Westbrook em pós-temporadas anteriores. O Jogo 4, marcado para este domingo (10), novamente na Filadélfia, será o primeiro teste real de resistência.

Quanto tempo Brunson consegue manter esse nível sem que o desgaste apareça nos números?

O efeito cascata e o que esperar da final do Leste

Se os Knicks fecharem a série neste domingo, garantem vaga na final da Conferência Leste com dias extras de descanso — vantagem logística considerável contra qualquer adversário que ainda esteja disputando sua semifinal. Na Conferência Oeste, o San Antonio Spurs virou a série contra o Minnesota Timberwolves para 2 a 1 após vencer por 115 a 108 no Target Center. Victor Wembanyama foi estratosférico: 39 pontos, 15 rebotes e 5 tocos, com Sthephon Castle distribuindo 12 assistências. Anthony Edwards respondeu com 32 pontos e 14 rebotes pelo Minnesota, mas não evitou a derrota em casa.

O cenário macro é de dois times jovens e verticais — Knicks e Spurs — potencialmente convergindo para uma final que mistura a intensidade de Nova York com o talento geracional de Wembanyama. Para que isso aconteça, Brunson precisa fechar o serviço neste domingo: uma vitória em Filadélfia coloca os Knicks na final do Leste e encerra a série em 4 a 0.