O contrato entre Santos e WTorre para a construção da nova Vila Belmiro está redigido, aprovado em minuta e aguardando apenas uma assinatura — que não tem data para acontecer. A construtora pediu a suspensão do ato a pedido do BTG Pactual, banco de investimentos que detém controle sobre operações estratégicas da WTorre, incluindo a negociação de naming rights de arenas, como a venda do nome do estádio do Palmeiras ao Nubank. O impasse deixa o Santos sem estádio novo no horizonte e coloca em risco um pré-acordo de R$ 15 milhões por ano com a empresa de capitalização Viva Sorte.
Das negociações ao congelamento
As tratativas entre Santos e WTorre se arrastam desde 2024, quando Marcelo Teixeira assumiu a presidência do clube. Após meses de reuniões e trocas de e-mails, as partes chegaram a um entendimento sobre o contrato final há aproximadamente um mês. O presidente Teixeira chegou a estipular o dia 12 de outubro — aniversário de 109 anos da Vila Belmiro — como data simbólica para o anúncio oficial. A assinatura não ocorreu.
Em nota oficial divulgada em novembro, o Santos admitiu o atraso sem nomear a WTorre diretamente:
"Algumas informações técnicas e financeiras importantes estão pendentes, impedindo a finalização dos trabalhos e assinatura dos documentos. O Santos Futebol Clube espera que os assuntos sejam esclarecidos com brevidade, para que os ajustes finais sejam concluídos e o cronograma de início das pré-vendas de viabilidade na nova Arena seja iniciado no menor prazo possível."
A campanha de pré-venda de camarotes e cadeiras cativas, prevista para começar em dezembro, corre risco de ser empurrada para 2025. A demolição da Vila Belmiro só ocorre após a conclusão dessas vendas e quando o Pacaembu estiver disponível — o Santos tem acordo para mandar jogos no estádio da zona oeste de São Paulo.
O papel do BTG Pactual no impasse
A WTorre não age por conta própria neste momento. O BTG Pactual controla decisões financeiras relevantes da construtora e pediu a suspensão da assinatura enquanto negocia com outras instituições financeiras a reestruturação das dívidas da empresa. A mesma dinâmica já apareceu na venda dos naming rights do Allianz Parque ao Nubank — operação igualmente intermediada pelo banco.
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que o processo pode levar alguns meses para ter uma definição. O Santos, por sua vez, optou por não pressionar a WTorre. A diretoria teme assinar o contrato agora e ter de renegociar os termos diretamente com o BTG ou com outra instituição financeira que eventualmente assuma a posição da construtora. Segundo análise do SportNavo, essa cautela é compreensível do ponto de vista jurídico, mas aprofunda o atraso operacional do projeto.
Naming rights da Viva Sorte podem ser revistos
O impasse com a WTorre respinga diretamente sobre o pré-acordo de naming rights que o Santos havia alinhado com a Viva Sorte. O contrato, revelado pelo presidente Teixeira em reunião do Conselho Deliberativo em 12 de agosto, prevê duração de 10 anos, inclui patrocínio máster do time masculino e os naming rights do estádio, totalizando R$ 15 milhões anuais.
O problema é anterior à gestão Teixeira. O Memorando de Entendimentos (MoU) assinado com a WTorre ainda na gestão de Andrés Rueda garante à construtora ingerência sobre os naming rights da nova arena. Quando a Viva Sorte e o Santos anunciaram o acordo, a WTorre foi consultada e questionou o prazo de dez anos — especialmente a cláusula que previa compensação de exposição de marca no uniforme do clube durante o período em que a Vila ficasse fechada para obras.
A tendência, segundo apuração do SportNavo com fontes próximas às negociações, é que a Viva Sorte estampe a camisa do Santos e dê nome à Vila Belmiro atual enquanto o estádio não for demolido. Após o início das obras, o contrato de naming rights terá de ser integralmente renegociado. Santos e WTorre não se pronunciaram sobre o tema até o fechamento desta matéria.
O projeto e o que está em jogo
A nova Vila Belmiro prevê capacidade para aproximadamente 30 mil lugares — algumas versões do projeto apontam para até 35 mil —, área total construída de 68 mil metros quadrados, 28 lojas internas, 17 externas e estacionamento com até 620 vagas em dois níveis. O prazo de obra é estimado entre 2,5 e 4 anos após a demolição do estádio atual.
Em evento de comemoração dos 113 anos do Santos, em maio, Teixeira afirmou que o contrato com a WTorre havia sido formalizado:
"O Santos definiu o documento oficial, já assinou entre todas as partes. Está formalizado. Faremos uma entrevista coletiva específica para detalharmos todas as questões inerentes à nova arena e à parceria com a WTorre."A coletiva prometida ainda não ocorreu, e os detalhes financeiros e técnicos do acordo seguem sem divulgação pública.
Enquanto o contrato não é assinado em definitivo com todas as pendências resolvidas, a Vila Belmiro — que completou 109 anos em outubro — passa por reformas pontuais. Há um projeto para ampliar sua capacidade atual, mas ele aguarda aprovação do Corpo de Bombeiros. A próxima etapa concreta depende de uma definição do BTG Pactual sobre o futuro financeiro da WTorre, sem prazo estabelecido.








