Jonathan Calleri protagonizou mais um episódio da sua temporada de contrastes na derrota do São Paulo para o Vasco por 2 a 1, em São Januário. O centroavante argentino iniciou a jogada do gol tricolor, mas perdeu chance clara no segundo tempo e cometeu o pênalti que resultou no empate vascaíno. Com 14 gols em 28 jogos pelo Brasileirão, Calleri mantém uma média respeitável, porém seus erros em momentos decisivos levantam questionamentos sobre sua real eficiência.
Os números por trás da performance
A estatística de Calleri no São Paulo revela um padrão intrigante: uma finalização certeira a cada cinco tentativas. Segundo levantamento do SportNavo, o argentino acumula 70 finalizações na temporada 2024, resultando em seus 14 tentos no Brasileirão. A média de 0,5 gol por jogo o coloca entre os artilheiros da competição, mas especialistas questionam se essa eficiência se sustenta nos jogos mais importantes.
Contra o Vasco, Calleri demonstrou essa dualidade característica. Aos 18 minutos do primeiro tempo, brigou com os zagueiros em lance aéreo, driblou Robert Renan com categoria e finalizou. No rebote, Luciano abriu o placar para o Tricolor. Contudo, aos 31 da etapa final, desperdiçou oportunidade clara cara a cara com Léo Jardim, chutando por cima do travessão.
O pênalti cometido aos 38 minutos da segunda etapa completou a atuação controversa. Calleri derrubou Vegetti dentro da área em lance desnecessário, permitindo que Pablo Vegetti empatasse para o Vasco. A sequência de acertos e erros reflete o padrão do centroavante ao longo da temporada: decisivo em alguns momentos, custoso em outros.
Comparação com outros artilheiros da elite
Para contextualizar a performance de Calleri, é necessário analisá-la frente aos principais centroavantes do Brasileirão. Pedro, do Flamengo, antes da lesão, mantinha média superior: 11 gols em 19 jogos, com aproveitamento de uma finalização certeira a cada 4,2 tentativas. Hulk, do Atlético-MG, apresenta números similares aos de Calleri, mas com maior regularidade nos jogos decisivos.
A diferença crucial está na margem de erro em partidas importantes. Enquanto Pedro raramente desperdiçava chances claras em clássicos e jogos eliminatórios, Calleri acumula oportunidades perdidas em momentos-chave. Na eliminação da Copa do Brasil para o Atlético-MG, por exemplo, o argentino falhou em duas ocasiões de gol no jogo de volta, contribuindo para a queda tricolor.
Alguns críticos argumentam que a eficiência de Calleri é inflada por gols contra equipes menores. Dos seus 14 tentos no Brasileirão, nove foram marcados contra times da parte inferior da tabela. Contra os seis primeiros colocados, o centroavante balançou as redes apenas três vezes, revelando dificuldade em jogos de maior pressão.
O peso dos erros decisivos
Após a derrota em São Januário, Calleri assumiu a responsabilidade pelos erros cometidos. Em declaração à imprensa, o jogador demonstrou frustração com o próprio desempenho:
"Perdemos o gol que eu perdi, depois tomamos dois e saímos com uma derrota, muito furioso. O torcedor está certo de reclamar de nós. A gente entregou hoje"
A autocrítica de Calleri reflete a pressão crescente sobre seus ombros. Como principal referência ofensiva do São Paulo, o argentino carrega o peso das expectativas, mas seus tropeços em momentos cruciais custam pontos valiosos. A derrota para o Vasco deixou o Tricolor em risco de sair do G4, com apenas 20 pontos em 13 rodadas.
Roger Machado, técnico são-paulino, tem defendido publicamente seu centroavante, ressaltando que os gols de Calleri mantiveram o time na briga pela parte de cima da tabela. No entanto, a comissão técnica estuda alternativas táticas para reduzir a dependência do jogador argentino, incluindo a utilização de Ferreira como falso 9.
O dilema tático de Roger Machado
A questão que se coloca para o comando técnico do São Paulo transcende os números individuais de Calleri. Com 14 gols em 28 partidas, o argentino é insubstituível do ponto de vista estatístico, mas sua irregularidade nos grandes jogos compromete as ambições tricolores. O time não possui outro centroavante com perfil similar no elenco, tornando Calleri praticamente insubstituível.
A solução pode estar na criação de alternativas táticas que reduzam a pressão sobre o jogador. A utilização de dois atacantes, com André Silva ou Ferreira fazendo companhia a Calleri, tem sido testada nos treinamentos. A ideia é dividir as responsabilidades ofensivas e diminuir a dependência de um único homem-gol.
O São Paulo volta a campo na quarta-feira, contra o Athletico Paranaense, na Ligga Arena, em duelo direto por posição no G6. Calleri terá nova oportunidade de mostrar que sua eficiência de um gol a cada cinco finalizações pode ser mantida quando mais importa, especialmente longe do Morumbi, onde o time tem encontrado maiores dificuldades na temporada.









