No último sábado (25), o zagueiro Roger Ibañez levantou a taça da AFC Champions League ao lado dos companheiros do Al Ahli, após a vitória por 1 a 0 sobre o Zelvia Machida — clube japonês que chegou à final como maior surpresa da competição — com gol de Firas Al-Buraikan na prorrogação. No mesmo dia, a CBF confirmou o que já se temia: Éder Militão, diagnosticado com agravamento de lesão muscular, está fora da Copa do Mundo. A coincidência de datas reacendeu um debate técnico de altíssimo nível — e Ibañez está no centro dele.

A lacuna aberta por Militão e o que ela representa historicamente

Para entender o peso da ausência de Militão, é necessário contextualizar. O zagueiro do Real Madrid foi titular em 6 das 8 partidas do Brasil nas Eliminatórias em que esteve disponível, formando dupla com Marquinhos. No ciclo de 2022, ele disputou quatro jogos no Catar antes de uma ruptura de ligamento cruzado interromper sua participação ainda na fase de grupos. A recorrência de lesões graves em posição tão sensível remete a um padrão histórico preocupante: Lúcio, pilar das Copas de 2002 e 2006, raramente foi substituído com a mesma eficiência; em 2014, David Luiz e Dante — convocados como alternativas — protagonizaram o histórico 7 a 1 diante da Alemanha no Mineirão.

A pergunta que se impõe agora é objetiva: quem ocupa o quarto lugar na hierarquia de zagueiros do técnico Carlo Ancelotti? Marquinhos é intocável como capitão. Bremer, quando disponível, tem sido a segunda escolha natural. Gabriel Magalhães, do Arsenal, consolidou-se na Premier League e ganhou espaço nas convocações recentes. Ibañez, revelado pelo Fluminense e com passagem pelo Atalanta e pela Roma antes de migrar para a Arábia Saudita, reentrou nesse mapa após ser chamado por Ancelotti pela primeira vez na última Data-Fifa — e atuou nos dois jogos, contra Croácia e França.

A lacuna aberta por Militão e o que ela representa historicamente Campeão na Ási
A lacuna aberta por Militão e o que ela representa historicamente Campeão na Ási
"Ibañez foi convocado por Ancelotti na última Data-Fifa e entrou nos dois jogos", confirmou a apuração do portal UOL, evidenciando que o técnico italiano já testou o zagueiro em situações reais de competição com a Seleção.

O que o título asiático revela sobre o momento de Ibañez

A AFC Champions League não é uma competição de prateleira inferior. A edição atual reuniu clubes do Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes, com o Al Ahli enfrentando adversários de sistemas táticos distintos ao longo da campanha. Na fase de grupos, Ibañez marcou um gol contra o Al-Shorta, do Iraque — contribuição ofensiva que não é trivial para um zagueiro em competição continental. A equipe se classificou ainda para a Copa Intercontinental deste ano e para a Copa do Mundo de Clubes de 2029, o que demonstra a consistência do projeto.

No campeonato doméstico dos Emirados Árabes, o Al Ahli ocupa a terceira colocação, dado que indica certa irregularidade no contexto local — mas que não contamina necessariamente a avaliação sobre o desempenho individual do brasileiro. Zagueiros são frequentemente avaliados por sequência sem lesões, presença nos duelos aéreos e capacidade de liderança defensiva, critérios nos quais Ibañez tem histórico sólido desde a época da Serie A italiana.

A comparação com os concorrentes diretos pelo quarto lugar

Conforme levantamento do SportNavo, a disputa pelo quarto slot de zagueiro envolve ao menos quatro nomes com argumentos distintos. Marquinhos (PSG) acumula 84 partidas pela Seleção e é o líder defensivo incontestável. Bremer (Juventus) esteve lesionado por longa temporada, mas retornou à titularidade na Serie A em 2025 e tem perfil físico avassalador — 1,87 m, com média superior a 4 duelos aéreos ganhos por partida na liga italiana. Gabriel Magalhães, do Arsenal, participou de 45 jogos na Premier League em duas temporadas e já somou 12 convocações pela Seleção principal.

Ibañez, por sua vez, acumula convocações sob quatro diferentes comandantes — Tite, Ramon Menezes, Fernando Diniz e agora Ancelotti —, o que sugere que diferentes projetos técnicos enxergam valor no jogador. Sua estreia pela Seleção ocorreu em 2022, com Tite ainda no cargo. O histórico europeu na Roma e no Atalanta, clubes que exigem marcação individual intensa e saída de bola curta, credencia Ibañez para sistemas mais elaborados do ponto de vista posicional. A ressalva óbvia é a mudança de ares: o futebol asiático, em ritmo e intensidade física, difere substancialmente do que se disputa no eixo Europa-Copa do Mundo.

"Revelado pelo Fluminense, Ibañez estreou na seleção em 2022, ainda com Tite no comando, e depois chegou a ser chamado por Ramon Menezes e Fernando Diniz", registrou o UOL, sublinhando a continuidade de seu apelo entre diferentes comissões técnicas brasileiras.

As chances reais de uma convocação para a Copa do Mundo

A análise exclusiva do SportNavo aponta que, entre os zagueiros disponíveis, Ibañez tem duas variáveis a seu favor que os concorrentes não reúnem simultaneamente: ritmo de jogo em alta — com um título continental conquistado neste mês — e o aval recente do próprio Ancelotti, que o testou em duas partidas oficiais. Bremer vem de longa lesão; Gabriel Magalhães ainda não demonstrou a mesma versatilidade em jogos pela Seleção.

Historicamente, o Brasil raramente convoca mais de quatro zagueiros para Copas do Mundo. Em 2002, a comissão de Felipão levou Lúcio, Roque Júnior, Edmílson e Belletti. Em 2006, Lúcio, Juan, Roque Júnior e Luisão. Em 2022, Tite optou por Thiago Silva, Militão, Bremer e Marquinhos. A lógica numérica favorece Ibañez para uma das vagas — especialmente com a confirmação oficial da ausência de Militão. A próxima Data-Fifa, prevista para setembro de 2025, deverá ser decisiva para Ancelotti definir a lista final dos zagueiros que representarão o Brasil na Copa do Mundo de 2026.