Dezoito pontos de Adriano, seis bloqueios no segundo set e um ace de Matheus Pinta no momento mais tenso da noite: o Campinas fechou o jogo 2 da semifinal contra o Praia Clube em 3 a 0 — parciais de 27/25, 25/18 e 25/19 — e carimbou presença na final da Superliga Masculina 2025/26 pela terceira temporada consecutiva. A conquista da vaga, no Ginásio do Uberlândia Tênis Clube na noite desta segunda-feira (27), consolida o projeto do técnico argentino Horácio Dileo como o mais consistente do voleibol masculino brasileiro no ciclo recente. A missão agora é transformar regularidade em taça.

A leitura tática do 3 a 0

O primeiro set expôs a zona de conflito explorada por Bruninho ao longo de toda a partida: o Campinas trabalhou o levantamento de tempo para os pontas em situações de side-out, obrigando o Praia Clube a ajustar bloqueio duplo em cima de Adriano e Bruno Lima simultaneamente — tarefa para a qual os centrais adversários não tiveram mobilidade suficiente. A parcial chegou a 24 a 21 para o Campinas, mas o oposto Wallaf reagiu com um ace e quebrou dois passes seguidos, empatando em 24 a 24. Foi Pinta quem encerrou o set no saque viagem, com um ace que não deu ângulo de recepção ao libero do Praia: 27 a 25.

O segundo set foi o mais revelador do ponto de vista estatístico. O Campinas registrou seis pontos de bloqueio — eficiência de bloqueio que o SportNavo estimou em torno de 40% nas ações com dois tocadores — enquanto o Praia Clube saiu zerado no fundamento. Adriano e Pinta mantiveram aproveitamento elevado no ataque, e o placar de 25 a 18 refletiu a superioridade estrutural da equipe paulista naquele intervalo.

No terceiro set, o Praia Clube chegou a abrir 5 a 2 com oito pontos do oposto Franco — único atacante do time de Uberlândia a apresentar constância na noite. A reação campineira foi articulada por Maurício Borges, que anotou três dos quatro pontos consecutivos que viraram o placar para 11 a 9. A partir daí, o Campinas não cedeu espaço: pipes pontuais e defesas sólidas sustentaram o controle até o 25 a 19.

Bruninho e Adriano como eixos do sistema

Escolhido em votação popular como melhor atleta em quadra, Bruninho demonstrou exatamente o tipo de gestão de tempo de bola que diferencia levantadores de elite: variou entre o primeiro tempo com os centrais e o levantamento nas costas para Adriano, impedindo que o bloqueio duplo do Praia se fechasse com antecedência. O capitão do Campinas encerrou a série semifinal com o clube garantido em sua terceira final consecutiva — sequência inédita para a franquia.

Adriano, com 18 acertos no placar, foi o maior pontuador da partida. A combinação entre ele e Bruno Lima nos sistemas de virada de bola deu ao Campinas pelo menos cinco pontos de vantagem construída no primeiro set, vantagem que a equipe soube administrar mesmo sob pressão do saque de Wallaf. Nas últimas duas temporadas, o Campinas perdeu as duas finais que disputou — números que aumentam o peso simbólico do jogo de 10 de maio.

O que falta para o primeiro título

Conforme apuração do SportNavo ao longo da temporada 2025/26, o Campinas apresentou a segunda melhor eficiência de bloqueio da fase classificatória e o terceiro melhor aproveitamento percentual no ataque entre os semifinalistas. O gap em relação ao topo — ocupado pelo Sada Cruzeiro — ainda existe, e é justamente o clube de Belo Horizonte quem pode aparecer como adversário na final: o Cruzeiro venceu o primeiro jogo da semifinal contra o Minas por 3 a 1 e busca a classificação no segundo confronto, marcado para as 21h desta mesma segunda-feira, no Ginásio do Riacho, em Contagem. Das sete partidas disputadas entre Minas e Cruzeiro na temporada, o clube celeste venceu seis, incluindo os títulos da Supercopa e do Campeonato Mineiro.

O regulamento da Superliga prevê que a final seja decidida em partida única, sem a lógica de série melhor de três. Isso nivela as condições e retira do eventual favorito a margem de erro que o formato de série oferece. Para o Campinas, que chega pela terceira vez seguida à decisão, esse formato representa uma oportunidade concreta de encerrar o jejum de títulos.

10 de maio no Ibirapuera

A final da Superliga Masculina 2025/26 está marcada para o dia 10 de maio, às 10h (de Brasília), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. O Campinas terá pela frente o vencedor do confronto entre Sada Cruzeiro e Itambé Minas — e caso o duelo mineiro vá para um terceiro jogo, o Cruzeiro tem o direito de decidir em casa, por ter registrado a melhor campanha na fase classificatória. A decisão de qual clube enfrentará o Campinas em São Paulo deve ser conhecida ainda nesta noite.