O terceiro round mal havia começado quando Jack Della Maddalena parou de se defender. Carlos Prates, 30 anos, natural de Goiânia, encerrou a noite do RAC Arena em Perth no dia 2 de maio de 2026 com uma finalização que não deixou margem para debate: nocaute sobre o ex-campeão australiano, segundo KO consecutivo sobre um ex-detentor do cinturão dos meio-médios, e um microfone na mão apontando para o topo da divisão.
Hoje: o que já é fato
A vitória sobre Della Maddalena não foi apenas o resultado mais expressivo da carreira de Prates — foi a consolidação de um padrão. Antes do australiano, o brasileiro havia nocauteado Ian Garry, que também chegou ao combate com histórico de ex-campeão interino. Dois ex-campeões. Duas finalizações. A mesma mão direita que parece calibrada para apagar luzes.
Prates não escondeu a intenção.
"Eu deveria ser o próximo. Finalizei dois ex-campeões seguidos. O que mais preciso fazer?"
A pergunta é retórica, mas o UFC ainda não respondeu oficialmente. O cinturão dos meio-médios está nas mãos de Belal Muhammad, que venceu Leon Edwards no UFC 304 e desde então acumula defesas. A fila para enfrentá-lo inclui nomes como Shavkat Rakhmonov e Gilbert Burns, mas nenhum deles chegou ao debate com a sequência de destruição que Prates exibiu em Perth.
Na avaliação do SportNavo, a vitória sobre Della Maddalena deve catapultar Prates para o top 3 do ranking oficial da divisão, que será atualizado pela UFC na semana seguinte ao evento. Antes do card australiano, o brasileiro figurava entre os dez primeiros, mas sem o peso simbólico que uma vitória em main event sobre um ex-campeão carrega perante os matchmakers.
Esta semana: o que se desdobra
Nos dias seguintes ao UFC Perth, o debate nas principais plataformas de análise de MMA — incluindo o podcast On To the Next One, do MMA Fighting, conduzido por Mike Heck e Alexander K. Lee — girou em torno de uma única questão: o UFC vai dar o title shot imediato a Prates, ou vai inseri-lo em mais uma etapa eliminatória?
Há precedentes nos dois sentidos. Dustin Poirier recebeu title shot direto após nocautear Dan Hooker em 2020. Já Colby Covington esperou mais de um ano depois de uma sequência dominante antes de voltar a disputar o cinturão. A diferença, segundo analistas, está no apelo comercial do confronto — e Prates ainda constrói seu nome fora do Brasil.
Curto e direto: o timing importa tanto quanto o cartel.
As odds de apostas já reagiram. Em casas como o DraftKings e o BetMGM, Prates apareceu como favorito ligeiro contra qualquer adversário top 5 da divisão que não seja o campeão — reflexo direto do desempenho em Perth e da percepção de que seu estilo de striking de longa distância, baseado em teeps e cruzados de timing, representa um problema técnico para praticamente qualquer meio-médio do plantel atual.
Próximas 4 semanas: o que vai mudar
O UFC tem pelo menos dois grandes cards programados para junho de 2026, e a divisão dos meio-médios precisa de movimento. Belal Muhammad ainda não confirmou data de defesa, e a janela para um combate no segundo semestre — possivelmente em um UFC 300-série ou em evento em Las Vegas — está aberta.
Os possíveis adversários de Prates em um title shot ou em uma luta eliminatória se dividem em dois perfis. O primeiro é Shavkat Rakhmonov, invicto no UFC com 18 vitórias, que representa o maior desafio técnico disponível na divisão — um grappler de elite com poder de nocaute. O segundo é o próprio Belal Muhammad, cujo estilo de wrestling e volume pode ser o antídoto para o striking de Prates, mas que até agora não sinalizou interesse no confronto.
"Estou disposto a esperar pelo cinturão. Mas não por muito tempo", disse Prates na coletiva pós-luta em Perth, segundo relatos do MMA Fighting.
A frase tem peso estratégico. Prates sinaliza paciência, mas também avisa que não aceitará indefinidamente o papel de lutador em espera enquanto outros sobem na fila sem o mesmo histórico recente. A pressão sobre a UFC para formalizar um title shot — ou ao menos uma luta eliminatória oficial — deve crescer nas próximas semanas, especialmente com o ranking atualizado e o buzz gerado pelo main event australiano ainda fresco.
Conforme levantamento do SportNavo, nenhum lutador nos meio-médios do UFC finalizou dois ex-campeões em sequência nos últimos três anos — o que torna o pedido de Prates não apenas justo, mas historicamente embasado. O brasileiro está pronto para o cinturão — falta o UFC abrir a porta.








