O gol de Sergio Cassierra aos 88 minutos contra o Juventud-URU pela Copa Sul-Americana não foi apenas mais uma finalização certeira do atacante colombiano. Foi o terceiro gol do jogador nos últimos 10 minutos de partida desde que vestiu a camisa do Atlético-MG, confirmando um padrão estatístico que tem se tornado marca registrada do atleta de 30 anos na Arena MRV.

A vitória por 2x1 sobre o time uruguaio na quinta-feira (16) consolidou uma característica peculiar de Cassierra: sua capacidade de decidir jogos em momentos de alta pressão. O atacante mantém aproveitamento de 42,3% em finalizações realizadas nos minutos finais das partidas, índice superior à média geral de 35,8% que apresenta ao longo dos 90 minutos.

Perfil estatístico de um finalizador clutch

Desde sua chegada ao clube em 2023, Cassierra disputou 47 partidas oficiais pelo Atlético-MG e marcou 18 gols. Destes, sete foram convertidos após os 80 minutos de jogo, representando 38,9% de sua produção ofensiva total. O levantamento do SportNavo mostra que apenas três atacantes na história recente do Galo superaram essa marca em situações similares.

Diego Costa, entre 2021 e 2022, marcou 41,2% de seus gols após os 80 minutos, enquanto Hulk apresenta índice de 31,7% desde 2021. Eduardo Vargas, no período entre 2020 e 2021, registrou 29,4% de seus tentos em momentos decisivos. Os números colocam Cassierra como o segundo melhor finalizador do clube em situações de pressão na última década.

O atacante colombiano também se destaca pela precisão. Em 26 finalizações realizadas nos últimos 10 minutos de partida, converteu 11 em gols – aproveitamento de 42,3%. Para efeito de comparação, Hulk apresenta 38,1% de conversão em situações similares, enquanto a média dos atacantes do Campeonato Brasileiro em 2024 foi de 22,7%.

Comportamento tático nos momentos cruciais

A análise tática revela que Cassierra modifica seu posicionamento nos minutos finais das partidas. Enquanto nos primeiros 80 minutos atua preferencialmente como referência central, ocupando 68% das suas ações na área adversária, após os 80 minutos esse percentual sobe para 89%. O movimento demonstra consciência tática apurada para momentos decisivos.

Gabriel Milito, técnico do Atlético-MG, tem utilizado essa característica de forma estratégica. Em 12 das últimas 15 partidas, o treinador manteve Cassierra em campo até o final, mesmo quando o time estava perdendo ou precisava de mudanças táticas. A confiança se justifica pelos resultados: o atacante participou diretamente de seis gols decisivos nesse período.

Contra o Juventud, o padrão se repetiu. Cassierra recebeu passe de Scarpa aos 88 minutos, finalizou de primeira com o pé direito e garantiu os três pontos fundamentais para a classificação na Sul-Americana. Foi sua 11ª finalização na partida, demonstrando persistência ofensiva mesmo após várias chances desperdiçadas.

Comparativo histórico no clube

A capacidade de Cassierra em momentos cruciais encontra paralelos na história recente do Atlético-MG. Diego Tardelli, artilheiro da conquista da Libertadores em 2013, marcou 34,8% de seus gols após os 75 minutos de jogo. Robinho, no período entre 2017 e 2020, apresentou índice de 28,3% em situações similares.

Perfil estatístico de um finalizador clutch Cassierra marca pela terceira vez no
Perfil estatístico de um finalizador clutch Cassierra marca pela terceira vez no

Conforme levantamento do SportNavo, apenas Bernard, em sua primeira passagem pelo clube entre 2019 e 2021, superou Cassierra em eficiência nos minutos finais, com 44,1% de aproveitamento. Porém, o atacante atual se destaca pela regularidade: marcou em momentos decisivos em competições diferentes, incluindo Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana.

O atacante também demonstra frieza em cobranças de pênalti nos minutos finais. Converteu quatro das cinco penalidades batidas após os 80 minutos, aproveitamento de 80%. O único erro ocorreu contra o Fortaleza, em agosto de 2024, quando a bola saiu pela linha de fundo em cobrança aos 92 minutos.

A sequência na Sul-Americana continua na próxima quinta-feira (23), quando o Atlético-MG enfrenta o Cerro Porteño, no Paraguai, pela terceira rodada da fase de grupos. Com seis pontos conquistados, o Galo precisa apenas de um empate para praticamente garantir a classificação às oitavas de final da competição continental.