Confesso: errei ao afirmar, em 2024, que Neymar jamais voltaria a ser convocado para a Seleção Brasileira. Não porque subestimei o jogador — mas porque subestimei a capacidade da CBF de ignorar o risco clínico quando o marketing fala mais alto. Hoje, 18 de maio de 2026, véspera da convocação oficial de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, vejo o porquê desse erro com clareza.

O que os exames da CBF realmente revelaram sobre Neymar

Na manhã desta segunda-feira, o Santos iniciou a preparação no CT Rei Pelé para o duelo contra o San Lorenzo pela Copa Sul-Americana, mas o assunto dominante não foi tático. Neymar se apresentou em horário separado do restante do elenco e passou por avaliações médicas a pedido direto da CBF — entidade que anuncia hoje, às 17h, no Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, os convocados para o Mundial. Os exames não apontaram lesão. O departamento médico santista confirmou que as dores na panturrilha direita, sentidas durante a derrota por 1 a 0 para o Coritiba no fim de semana, não têm substrato estrutural preocupante.

O episódio em campo, porém, merece registro preciso. Neymar chegou a pedir substituição por conta do desconforto muscular. Pouco depois, Gonzalo Escobar também solicitou saída por razões físicas. O camisa 10 então optou por permanecer. O que veio a seguir foi uma das cenas mais absurdas da temporada brasileira: a arbitragem recebeu o papel com o número 31 — a troca de Escobar — mas ergueu a placa com o número 10, forçando Neymar a deixar o gramado de forma involuntária. Um erro de arbitragem que, ironicamente, pode ter poupado o jogador de uma lesão mais grave.

Por que a preservação contra o San Lorenzo não é detalhe

Mesmo com exames limpos, Santos e Seleção adotam cautela máxima. Neymar deverá ser preservado da partida desta quarta-feira, dia 20, na Vila Belmiro, contra o San Lorenzo. A decisão não é exagero burocrático — é gestão de risco com data marcada. A Copa do Mundo começa em 11 de junho, o que deixa menos de quatro semanas entre hoje e a estreia do Brasil. Qualquer sobrecarga desnecessária nesse intervalo é inaceitável para qualquer comissão técnica minimamente séria.

O que para o argentino é rotina de preservação pré-Copa — Scaloni preservou De Paul integralmente nas três rodadas anteriores ao Mundial de 2022 — para o português Ancelotti é cálculo frio de probabilidade. O italiano formado na escola europeia não convoca jogadores para recuperá-los em concentração. Convoca quem está pronto. E é exatamente aí que reside a tensão desta segunda-feira.

Segundo apuração do SportNavo junto a fontes próximas à delegação santista, a comissão técnica da Seleção acompanhou pessoalmente os laudos dos exames e considerou o quadro estável antes de tomar qualquer decisão sobre a convocação.

Ancelotti convoca hoje e o histórico de Neymar pesa nos dois lados da balança

A última vez que Neymar atuou pela Seleção foi em outubro de 2023, na derrota por 2 a 0 para o Uruguai, em Montevidéu, pelas Eliminatórias. Naquela noite, ele rompeu o ligamento cruzado anterior e o menisco do joelho esquerdo — lesão que o manteve afastado por mais de um ano. Desde o retorno ao Santos em janeiro de 2025, o atacante acumulou presença relevante em campo, e a comissão técnica de Ancelotti o incluiu na pré-lista de 55 nomes, ao lado de Danilo e Alex Sandro, do Flamengo.

A convocação oficial de hoje, às 17h, no evento que a CBF projeta como o de maior magnitude já promovido pela entidade, responderá à pergunta que o torcedor carrega desde novembro de 2023. Mas a resposta positiva — se vier — abre imediatamente outra questão: qual é o plano de utilização de um jogador que sentiu a panturrilha no último jogo, que não disputa Copa do Mundo desde 2022 e que carrega no joelho esquerdo uma reconstrução ligamentar de menos de dois anos?

Ancelotti divulga a lista nesta segunda-feira, 18 de maio, às 17h. Santos e San Lorenzo se enfrentam na quarta-feira, dia 20, na Vila Belmiro, pela Copa Sul-Americana — jogo que Neymar deve desfalcar independentemente do que acontecer no Museu do Amanhã.