Todo mundo sabe que Éverton Cebolinha está no Flamengo. O que quase ninguém parou para calcular é o peso real das 9 participações diretas em gols que ele soma nesta temporada — e o que esse número revela sobre um atleta que o mercado insiste em subestimar.

O dado que ninguém olha mas explica tudo

Quatro gols e cinco assistências em 33 jogos no Brasileirão Série A de 2026. Em média, uma participação direta em gol a cada 3,7 partidas. Para um atacante de beirada que frequentemente opera em um sistema que exige mais marcação do que criação, esse índice não é medíocre — é funcional, constante e muitas vezes ignorado pela narrativa de que Cebolinha "sumiu" após seus anos de maior evidência.

O ponto não é defender que ele esteja em sua melhor fase. É reconhecer que a métrica combinada — gols mais assistências — posiciona o camisa 11 como um dos pontas-esquerdas mais regulares do elenco rubro-negro nesta temporada, independente do barulho que gera ou deixa de gerar fora de campo.

Como ele chega a esse número

Éverton Sousa Soares nasceu em Maracanaú, no Ceará, em 22 de março de 1996, mas foi no Grêmio que se transformou em jogador de alto rendimento. A passagem pelo clube gaúcho foi o turning point definitivo de sua carreira: em 2017, levantou a Copa Libertadores com o time de Porto Alegre; em 2018, conquistou a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Gaúcho — e foi exatamente nesse ciclo que voltou ao radar da Seleção Brasileira, convocado pela primeira vez em 17 de agosto de 2018.

Sua estreia com a amarelinha aconteceu em 27 de setembro de 2018, num amistoso contra os Estados Unidos. A sequência foi rápida: em 2019, participou da Copa América disputada no Brasil e saiu campeão. Ainda naquele ano, transferiu-se para o Flamengo — clube onde acumularia mais troféus do que em qualquer outro período da carreira.

No Rubro-Negro, os títulos vieram em bloco: Copa Libertadores em 2022 e 2025, Copa do Brasil em 2022 e 2024, Campeonato Carioca em 2024, 2025 e 2026, Supercopa do Brasil em 2025, Campeonato Brasileiro em 2025 e o Dérbi das Américas da FIFA em 2025. São conquistas que constroem um currículo robusto — e que contextualizam por que, mesmo em temporadas de menor protagonismo individual, ele permanece no plantel titular.

Os outros números que falam o mesmo idioma

Com 174 cm e 70 kg, Cebolinha nunca foi o atacante de área que resolve por imposição física. Seu repertório sempre foi construído sobre velocidade de arranque, precisão no passe final e capacidade de desequilibrar pelo lado esquerdo — características que não aparecem no placar, mas que criam as condições para que outros marquem.

As cinco assistências nesta temporada são o reflexo direto disso. Em comparação com temporadas anteriores no próprio Flamengo, onde o contexto biográfico aponta ciclos de adaptação e retomada de espaço, os 33 jogos disputados em 2026 indicam que ele recuperou disponibilidade física e minutagem — dois fatores que, para um atleta de 30 anos com histórico de oscilações, são tão relevantes quanto qualquer número de gols.

O apelido "Cebolinha" — dado após a chegada do uruguaio Cristian Rodríguez ao Grêmio, para diferenciar os dois jogadores conhecidos como "Cebola" — virou marca registrada. Mas por trás do personagem da Turma da Mônica está um atleta que soma Copa do Brasil (2016), Copa Libertadores (2017), Recopa Sul-Americana (2018) e múltiplos títulos estaduais e nacionais com o Flamengo. Não é um catálogo de coadjuvante.

O risco de confiar só nesse dado

Nove participações em gols em 33 jogos é um número sólido, mas não conta a história completa. A imprensa especializada já noticiou em maio de 2026 que o Flamengo rastreava alternativas no mercado para o setor ofensivo — sinal de que a diretoria avalia o ataque com olho crítico, independentemente do desempenho individual de cada peça.

A recorrência de lesões no departamento médico do clube — seis fraturas em seis meses, segundo reportagem de 25 de maio de 2026 — cria um ambiente de instabilidade que afeta toda a cadeia de decisões táticas. Para um atleta de 30 anos, qualquer interrupção por contusão pode alterar drasticamente o cenário que os números atuais constroem.

Éverton Cebolinha (Flamengo)
Éverton Cebolinha (Flamengo)

Há também a questão da longevidade na posição. Pontas-esquerdas de alta intensidade costumam ter janelas de produção mais curtas do que meias ou zagueiros. O que os dados de 2026 mostram é que Cebolinha ainda está dentro dessa janela — mas ela não é infinita, e o próprio clube parece ciente disso ao monitorar alternativas no mercado.

Em julho de 2026, com o Brasileirão ainda em curso e o segundo semestre começando, a resposta sobre qual será o papel definitivo de Cebolinha no Flamengo até o fim da temporada começa a tomar forma. Até dezembro de 2026, há resposta.