O gol saiu de um domínio de peito e uma meia-volta dentro da área. Era o Barradão, era terça-feira, e era Everton Cebolinha puxando três marcadores antes de tocar para Pulgar e depois resolver sozinho o segundo. O Flamengo venceu o Vitória por 2 a 1 pela terceira rodada do Brasileirão 2026 — e o homem que mais incomodou no campo tem contrato até dezembro e pode assinar pré-contrato com qualquer clube a partir de julho.
O que os números dizem sobre Cebolinha nesta temporada
Em sete jogos do time principal no ano, Cebolinha acumula quatro participações diretas em gols — dois tentos e duas assistências. Para efeito de comparação, Samuel Lino, contratado por 22 milhões de euros (aproximadamente R$ 143 milhões) junto ao Atlético de Madrid em julho de 2025, registra três participações em seis partidas. A disputa pela ponta esquerda está mais equilibrada do que a diferença salarial entre os dois sugere.
Quando se olha para o Expected Threat (xT) — métrica que mede o perigo gerado por cada ação com bola, como dribles, passes e conduções, e que ajuda a entender quem cria mais risco real de gol além das estatísticas brutas — Cebolinha aparece entre os atacantes do elenco rubro-negro com maior contribuição por minuto jogado. Ou seja: o jogador não apenas finaliza, ele desloca defesas e abre espaços que outros não abrem.
"Quando um atacante de 28 anos está gerando esse volume de perigo por ação, você não deixa ele sair de graça. Isso é descuido estratégico, não gestão de elenco." — comentarista esportivo especializado em mercado da bola
O próprio Cebolinha foi direto ao ponto após o jogo no Barradão: "Estou vivendo um momento muito bom desde o meio do ano passado. Venho em uma crescente muito boa. Muita confiança para jogar, as coisas estão dando certo. Muito feliz de estar podendo ajudar a equipe, algo que eu sempre almejei desde a minha chegada aqui, estou colhendo os frutos de muito trabalho." Palavras de quem sabe que está em boa hora — e que sabe negociar.
Cruzeiro e Grêmio de olho enquanto o Flamengo hesita
O Cruzeiro não está apenas monitorando Cebolinha: o clube mineiro é o epicentro de uma possível troca que envolve o lateral-esquerdo Kaiki Bruno, de 23 anos, com contrato com a Raposa até dezembro de 2027. Segundo o jornalista Rodrigo Viga, da Jovem Pan, o Flamengo estuda oferecer Cebolinha mais um jogador para viabilizar a chegada do lateral. A informação é que o próprio atacante aceita a negociação — mas quer salário maior em Belo Horizonte, e a diretoria cruzeirense já respondeu que esse não é o caminho.
A lógica da troca faz sentido para o Flamengo por uma razão objetiva: Alex Sandro está na reta final da carreira e cogita a aposentadoria, enquanto Ayrton Lucas oscila de forma que preocupa a comissão técnica de Leonardo Jardim. Kaiki Bruno, revelado nas categorias de base do próprio Flamengo, seria uma solução de alto nível para o corredor esquerdo. O problema é que a operação exige que o clube carioca abra mão de um ativo que, se não renovar, pode ser negociado por valor imediato em julho — ou simplesmente sair de graça em janeiro de 2027.
O Grêmio também aparece no radar como possível destino de repatriação. O clube gaúcho, no entanto, enfrenta entraves salariais que tornam a operação complexa. A presença do Tricolor na disputa, ainda que indireta, aumenta a pressão sobre o Flamengo: quanto mais interessados, menor o poder de barganha rubro-negro.
A equação que o Flamengo ainda não resolveu
A continuidade de Cebolinha no elenco está amarrada a dois outros nomes: Luiz Araújo, com contrato até 2027 e alvo do Atlético-MG em fevereiro — proposta recusada pelo Flamengo —, e Gonzalo Plata, equatoriano com vínculo até 2029 que recuperou espaço com Jardim. Se qualquer um dos dois sair por proposta irrecusável em julho, Cebolinha vira peça inegociável. Se ambos ficarem, a gestão do elenco para Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil permite abrir mão do atacante.
O que o SportNavo apurou junto a fontes do mercado é que o Flamengo ainda não iniciou qualquer movimento formal de renovação com o jogador — e que a percepção interna é de que o ciclo do atleta no clube caminha para um encerramento. Essa postura, porém, tem um custo: a partir de julho, Cebolinha pode assinar pré-contrato com qualquer equipe sem que o Flamengo receba um centavo. Para um jogador que chegou ao clube com investimento expressivo e que agora está em alta, sair de graça seria repetir um erro que o futebol brasileiro já cometeu inúmeras vezes.
A janela de transferências abre em 1º de julho. O Flamengo volta a campo antes disso — no próximo fim de semana, pelo Brasileirão —, mas a decisão sobre Cebolinha precisa ser tomada antes das chuteiras voltarem ao gramado. Renovar, vender por valor imediato ou aceitar a troca por Kaiki Bruno: as três opções têm prazo, e o relógio já está correndo.










