"A culpa é nossa, dos jogadores. Nós tínhamos a obrigação de passar."
Quem disse isso foi Alex Telles, capitão do Botafogo, tentando explicar o inexplicável para a torcida alvinegra na noite desta quinta-feira (14). O Botafogo foi eliminado pela Chapecoense com uma derrota por 3 a 0 no jogo de volta — resultado que, somado à ida, configurou uma goleada agregada que envergonha qualquer prognóstico feito antes do apito inicial.

A Chapecoense desmontou o Botafogo em campo e na narrativa

A Chapecoense, clube que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, não apenas venceu — dominou. Telles reconheceu que o time carioca "deu o primeiro tempo inteiro para a Chapecoense jogar" e que, quando tentou reagir, já era tarde demais. A derrota por 3 a 0 em jogo único seria constrangedora; repetida em dois confrontos, torna-se um retrato clínico do que acontece quando um favorito subestima a fase eliminatória da Copa do Brasil. O capitão botafoguense ainda pediu desculpas à torcida ao vivo, afirmando:

"Isso não tem que ser a nossa imagem. Não tem outra coisa a fazer, a não ser trabalhar."
Palavras honestas, mas que não revertem uma vaga perdida.

O Remo, clube paraense que também navega fora da elite nacional, igualmente garantiu presença nas oitavas. Segundo apuração do SportNavo, a lista de classificados já reúne times de diferentes divisões — Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Vasco, Internacional, Fluminense, Palmeiras, Santos, Juventude, Mirassol, Corinthians, Chapecoense e Remo. Leia esse grupo com atenção: há ali um clube da Série C, um da Série B e representantes de pelo menos quatro estados diferentes. A Copa do Brasil não é um torneio de grandes — nunca foi.

O Grêmio passou, o Corinthians passou — mas o roteiro da noite foi escrito nos interiores

Enquanto a Chapecoense protagonizava a maior zebra da rodada, outros favoritos avançaram com menos drama. O Grêmio venceu o Confiança por 3 a 0 no Batistão, em Aracaju, com dois gols de Braithwaite e um de Willian — placar agregado de 5 a 0. O dinamarquês abriu o marcador de pênalti aos 13 minutos do primeiro tempo e ampliou de cabeça na segunda etapa, mesmo com o Tricolor terminando a partida com dez jogadores após a expulsão de Kannemann. Já o Corinthians dependeu de Yuri Alberto para resolver: o atacante marcou aos 38 minutos do segundo tempo, encerrando um jejum de nove jogos sem gol, e garantiu a vaga diante do Barra-SC na Neo Química Arena.

O Athletico-PR avançou de forma ainda mais tensa: dois empates por 0 a 0 contra o Atlético-GO forçaram a decisão nos pênaltis, onde o goleiro Santos foi o herói. Viveros, Mendoza, Esquivel e Jádson converteram as quatro cobranças do Furacão; Cristiano e Guilherme Lopes desperdiçaram pelo lado goiano. A classificação garante ao Athletico sua 11ª presença consecutiva nas oitavas e uma premiação de R$ 3 milhões — dinheiro que, para clubes como Chapecoense e Remo, representa muito mais do que um número no balanço.

O que muda no mapa das oitavas com zebras garantidas

Pense na Copa do Brasil como um torneio de jazz: a partitura existe, os músicos sabem os acordes, mas qualquer noite pode produzir uma improvisação que ninguém ensaiou. Chapecoense e Remo são essa improvisação — e agora os grandes que restam na competição precisam encarar o sorteio do dia 26 de maio, às 11h, na sede da CBF no Rio de Janeiro, sabendo que podem cair contra um adversário sem o mesmo orçamento, mas com a mesma disposição de brigar por R$ 3 milhões só pela classificação. O Flamengo, que ainda jogava contra o Vitória nesta quinta, pode ser um desses nomes no pote — e o Athletico-PR já sabe que o cruzamento com o Rubro-Negro é possível. Chapecoense e Remo já estão nas oitavas — falta o palco do sorteio confirmar quem vai sofrer com isso.