A última vez que um atacante com mais de 35 anos movimentou tanto o mercado da MLS foi quando Zlatan Ibrahimović desembarcou no LA Galaxy em 2018 por US$ 7,2 milhões anuais. Agora é Robert Lewandowski, 37 anos, quem coloca a liga americana em alerta — e o Barcelona já não está mais no roteiro do polonês.

Berhalter fala aberto e o mercado escuta

O técnico do Chicago Fire, Gregg Berhalter, confirmou publicamente o interesse do clube na segunda-feira, 25 de maio de 2026. A declaração veio em entrevista coletiva, sem rodeios.

"Posso falar disso com tranquilidade porque ele já não será jogador do Barcelona na próxima semana. É um atleta que queremos contratar", afirmou Berhalter.

Segundo o treinador, os contatos com Lewandowski e seus representantes começaram no fim de 2025. O clube mantém diálogo direto com o jogador e com o agente — dois canais abertos simultaneamente, o que indica seriedade na negociação.

"Nós temos mantido bastante contato com o Robert e também com o agente dele", detalhou.

O que Lewandowski representa em números e em campo

Lewandowski encerra o contrato com o Barcelona em junho de 2026. Chegou ao clube catalão em julho de 2022 por €45 milhões, vindo do Bayern de Munique. Na temporada 2025/2026, marcou 18 gols na La Liga, mantendo média acima de 0,6 gol por jogo — padrão que poucos jogadores de sua faixa etária sustentam.

Seu valor de mercado estimado pelo Transfermarkt está em €8 milhões, queda expressiva em relação ao pico de €120 milhões registrado em 2021. Mas na MLS, onde o teto salarial do Designated Player permite salários acima de US$ 612 mil anuais sem impacto no cap, o que importa é o impacto comercial.

Para o Chicago Fire, um Designated Player no nível de Lewandowski exigiria investimento estimado entre US$ 8 milhões e US$ 12 milhões por temporada, considerando luvas e bônus de assinatura. Valores próximos ao que Gareth Bale recebeu no LAFC em 2022: US$ 5,5 milhões anuais, com luvas de US$ 1,2 milhão.

Berhalter fala aberto e o mercado escuta Chicago Fire confirma que quer Lewandow
Berhalter fala aberto e o mercado escuta Chicago Fire confirma que quer Lewandow

A comunidade polonesa de Chicago como ativo de negócio

Chicago concentra a maior comunidade polonesa fora da Polônia — estima-se 185 mil descendentes diretos na área metropolitana. O próprio Berhalter reconheceu o peso desse fator.

"Acreditamos que a comunidade polonesa da cidade apoiaria muito essa chegada. Seria algo importante para o clube, para a cidade e também para a liga", disse o técnico.

A chegada de Lewandowski teria impacto direto em patrocínios, venda de camisas e receita de bilheteria no Soldier Field, estádio com capacidade para 61 mil torcedores. O Fire terminou a temporada 2025 da MLS na 8ª posição da Conferência Leste, longe dos playoffs — reforço de vitrine é também reforço de resultado.

Segundo apuração do SportNavo, marcas polonesas de médio porte já demonstraram interesse em cotas de naming rights e patrocínio de manga caso a contratação se concretize.

Arábia Saudita entra na disputa e complica o roteiro

O Chicago Fire não está sozinho. Clubes da Saudi Pro League acompanham a situação de Lewandowski e têm capacidade financeira para superar qualquer proposta americana. O Al-Hilal e o Al-Nassr, que já contrataram Neymar e Cristiano Ronaldo respectivamente, têm padrão salarial entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões anuais para jogadores de topo.

O próprio Berhalter reconheceu a concorrência sem disfarçar preocupação.

"Um jogador desse nível certamente terá outras ofertas. É difícil imaginar que não existam outros clubes interessados", comentou.

A variável que pode pesar a favor do Fire é o projeto esportivo de longo prazo: Berhalter quer usar Lewandowski como referência ofensiva em um elenco que já tem peças competitivas. A Arábia Saudita oferece mais dinheiro, mas menos visibilidade global — algo que o polonês, com 36 títulos na carreira, pode valorizar diferente de Benzema ou Kanté.

A decisão de Lewandowski deve ser anunciada até o fim de junho de 2026, antes do início da pré-temporada da MLS para o segundo semestre. Chicago Fire estreia na fase de conferência em julho — com ou sem o polonês no elenco.